Mundo
13/06/2008 - 20h07

Veterano John McCain conquistou cedo a nomeação republicana

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Colaboração para a Folha Online

John McCain conquistou cedo a candidatura republicana para as eleições gerais. Concorrendo pela segunda vez pela nomeação republicana, ele garantiu os 1.191 delegados necessários após a votação da superterça, em 4 de março, quando eleitores de quatro Estados foram às urnas e deram vitórias amplas a McCain.

Apoiado pelo Partido Republicano, McCain rapidamente iniciou sua campanha pelas eleições gerais. Com a agenda livre --já que não tinha que conquistar os eleitores das primárias--, McCain se dedicou a viagens que fortaleceram sua plataforma presidencial.

Charles Dharapak/AP
O presidenciável John McCain, durante comício em Nova York nesta terça
O republicano presidenciável John McCain, durante comício em Nova York

Ele foi à Europa e ao Oriente Médio e conversou com diversos líderes da região. Visitou o Iraque e mostrou-se confiante de que a intervenção norte-americana no país foi bem sucedida. Mais tarde, ele questionou a inexperiência do seu rival democrata Barack Obama e criticou o fato de ele não ter ido ao Iraque nos últimos dois anos.

De volta aos EUA, McCain dedicou-se a uma campanha de reconhecimento. Foi a colégios eleitorais importantes para as eleições de novembro e visitou cidades "esquecidas pelos políticos", em suas palavras.

Senador pelo Arizona em seu quarto mandato, John Sydney McCain tem um longo histórico político -- experiência que ele classifica como fundamental para ser o próximo presidente dos EUA.

Com um perfil político mais tradicional, apoiado em uma plataforma presidencial firme em temas de política internacional, ambiente e economia, McCain conquistou votações amplas em todas as primárias republicanas.

Seu histórico agrada principalmente os eleitores mais velhos e homens, que defendem seu grande preparo para assumir um cargo de muitas responsabilidades e grande influência no cenário internacional.

Um dois maiores desafios de McCain é lidar com o apoio do atual presidente George W. Bush. Com os maiores índices de impopularidade de seus dois mandatos, muitos analistas questionam os verdadeiros efeitos do endosso de Bush à campanha republicana.

Jeff Chiu/AP
Texto: Republican presidential candidate, Sen. John McCain, R-Ariz., left, shakes hands with President Bush before the president boarded Air Force One Tuesday, May 27, 2008, in Phoenix. (AP Photo/Jeff Chiu)
Presidente Bush e o senador McCain cumprimentam-se em rara aparição conjunta

Cauteloso, McCain reitera em seus discursos suas opiniões contrárias a Bush, sem contudo condená-lo diretamente. Os democratas insistem no argumento de que uma Presidência de McCain representaria apenas o terceiro mandato de Bush.

Para o especialista em eleições norte-americanas Thomas Shaller, o apoio de Bush é positivo para o senador. Como precisa ganhar pouco mais de 50% dos votos para garantir a vitória nas eleições gerais, se ele conquistar os eleitores que aprovam o atual governo, já estará com boa vantagem sobre Obama.

Recentemente, McCain apareceu ao lado de Bush em um comício para arrecadação de verbas de campanha realizado em Phoenix, no Arizona. O encontro entre os dois republicanos foi discreto. Eles se reuniram em uma residência particular, próxima ao Centro de Convenções de Phoenix e nenhum jornalista pode cobrir a ocasião.

Guerra do Iraque

Em sua postura conservadora, ele diz não acreditar no papel do Estado na educação, saúde ou no combate à pobreza. Defende a Guerra do Iraque como um conflito bem-sucedido, embora não concorde com o modo como foi conduzida pelo presidente George W. Bush.

As suas declarações sobre o conflito são tema de grande polêmica na mídia norte-americana já que o conflito, que já entra em seu sexto ano e deixou mais de 4 mil soldados norte-americanos mortos, tornou-se extremamente impopular.

Ronen Zvulun- 19mar.08/Reuters
U.S. Republican presidential candidate Senator John McCain (R-AZ) visits the Western Wall, Judaism's holiest prayer site, in Jerusalem's Old City March 19, 2008. McCain came to Israel on Tuesday as part of a fact-finding tour of the Middle East which could also boost his popularity among American Jewish voters. REUTERS/Ronen Zvulun (JERUSALEM)
John McCain visita Jerusalém, um dos destinos de seu giro pelo Oriente Médio

Depois de declarar que poderia manter as tropas dos EUA no Iraque por mais cem anos caso fosse preciso, McCain trouxe o tema de volta à tona quando afirmou que "não é tão importante" saber quando os soldados serão retirados do Iraque.

McCain defende que a violência no Iraque diminuiu após o "surge" --envio de 30 mil novos soldados ao país no ano passado-- e que a maioria dos integrantes do último contingente já voltou para os EUA.

Com 71 anos, é o mais velho dos pré-candidatos à Presidência dos Estados Unidos, um argumento que será reiterado pelo seu rival democrata durante a campanha pela Casa Branca.

"O que ele (Obama) fará agora é investir em uma campanha sobre idade e mudança. Estes serão seus principais argumentos na campanha contra McCain. Ele não atacará sua idade, mas usará toda oportunidade de mostrar o contraste de suas idades. Ele também deve mostrar McCain como uma continuação do governo de Bush", disse o professor de ciência política Richard Parker, em entrevista exclusiva à Folha Online.

Origens

Nascido em 29 de agosto de 1936 no Canal do Panamá, McCain seguiu a tradição familiar e se formou como oficial da Marinha dos Estados Unidos. Em uma recente viagem auto-biográfica, McCain declarou-se como um "servidor imperfeito" de seu país que nasceu em uma família de guerreiros norte-americanos devotados à honra, coragem e dever.

"Na verdade, meus quatro anos na U.S. Naval Academy não foram notáveis por sua virtude exemplar ou pelas conquistas acadêmicas, mas sim pelo impressionante catálogo de deméritos que eu consegui acumular", revelou McCain, sobre sua trajetória na escola.

AP
Texto: ** FILE ** This Oct 26 1967, file photo provided by the Library of Congress shows Navy fighter pilot John McCain, center, being captured by Vietnamese civilians in Truc Bach Lake near Hanoi Vietnam. McCain was tortured and imprisoned for more than five years, and eventually awarded the Silver Star, Bronze Star, Legion of Merit, Purple Heart, Distinguished Flying Cross Medal, and Prisoner of War (POW) Medal. Prodded on the 2008 campaign trail to talk about his compelling personal story, the Republican presidential candidate usually demurs. "I'm very reluctant to do so, as you know," McCain says. (Photo/Library of Congress) ** NO SALES **
Foto da Biblioteca do Congresso mostra McCain sendo capturado por soldados vietnamitas

A viagem foi programada por sua campanha logo após a conquista da nomeação republicana para reforçar sua figura política no cenário nacional e tentar voltar à mídia ocupada à época com a constante troca de ataques entre as equipes de campanha dos democratas Hillary Clinton e Barack Obama.

Seguindo uma tradição de valores morais e familiares característica da imagem conservadora do Partido Republicano e muito valorizada pelos seus eleitores, McCain realizou diversos discursos sobre sua transformação de um jovem rebelde a um herói de guerra e sobre a importância dos valores morais e familiares na formação de seu caráter.

Como oficial da marinha, McCain foi convocado para lutar na Guerra do Vietnã (1958-75) e ficou no país por cinco anos como prisioneiro de guerra, após seu avião ser derrubado, em 1967. Na queda, quebrou dois braços e o joelho e hoje não consegue levantar os braços acima da cabeça.

Foi capturado em seguida e serviu como propaganda de guerra de Hanói. Em 1973, depois de libertado, McCain foi recebido nos EUA como um herói.

Seu caminho de veterano de guerra a político foi rápido. Em 1982, McCain entrou para a política ao ser eleito congressista pelo Estado do Arizona, onde atua até hoje.

Família

McCain casou-se com Cindy, sua segunda mulher, em 1980. Cindy é herdeira de uma das maiores empresas de cerveja dos EUA e tem uma fortuna calculada em US$ 100 milhões (R$ 163 milhões). Muitos analistas apontam que foi Cindy quem alavancou a carreira política do marido, apresentando-o a empresários e políticos influentes. Muitos dizem também que foi o dinheiro da mulher que bancou boa parte da campanha do senador.

David R. Lutman /Reuters
US Republican presidential candidate Senator John McCain (R-AZ) and his wife Cindy (R) wave to members of the National Rifle Association (NRA) as he appears at their annual convention in Louisville, Kentucky, May 16, 2008. REUTERS/David R. Lutman (UNITED STATES) US PRESIDENTIAL ELECTION CAMPAIGN 2008 (USA)
John McCain vai a evento da Associação Nacional do Rifle com sua mulher, Cindy

Loira, de olhos azuis, Cindy ganhou concursos de beleza na juventude. Ela prefere manter-se mais distante da campanha do marido --aparecendo sempre ao seu lado em eventos, mas raramente fala com a imprensa ou vai a programas de entrevista.

McCain tem sete filhos, três deles adotados. Com Cindy, ele tem dois filhos e duas filhas, Meghan e Bridget, adotada em 1991 (na época, rumores circularam de que a menina seria filha de McCain com uma amante).

Dos seus filhos, apenas Meghan aparece freqüentemente nos eventos de campanha do pai. Com 23 anos, ela tem um blog, McCainBlogette.com , no qual relata detalhes triviais dos bastidores da campanha do pai.

As revelações, como o pijama da mãe ou sua comida preferida, agradam aos eleitores que gostam de conhecer detalhes pessoais da vida de pessoas famosas. Os detalhes, longe de constranger ou atrapalhar a campanha do pai, tornam a figura política de McCain mais atraente e popular para o eleitorado.

Meghan segue a premissa de seu pai, que afirmou: "Quanto mais você fala, mais as pessoas sentem que o conhecem. Quanto mais você fala, mais diminui os efeitos de qualquer coisa que tenha dito".

Ideologia

Mesmo com uma postura favorável à Guerra do Iraque, McCain é visto pelos colegas republicanos como um político de linha mais liberal. O rótulo já traz problemas para a campanha de McCain já que muitos políticos de redutos extremamente conservadores temem endossar publicamente o senador.

O principal desafio apontado pelos especialistas será conquistar a direita cristã, importante base eleitoral dos republicanos. Alguns grupos de batistas, maior denominação evangélica do país, sentem-se relutantes em apoiar um candidato tão "liberal", com um histórico de votação favorável à amenização das leis antiimigração e ao direito ao aborto.

"É basicamente uma escolha entre um liberal e um ultra-liberal", disse Jodie Sanders, freqüentador da igreja batista no Texas, um reduto republicano, sobre McCain e o provável candidato democrata Barack Obama.

A opinião, compartilhada por vários membros de igrejas batistas em todo o sudeste do país, revela um desafio para McCain, que precisa conquistar estes eleitores cristãos conservadores para garantir um bom resultado nas urnas de 4 de novembro. Os protestantes evangélicos representam um em cada quatro adultos norte-americanos, são uma base eleitoral chave para os republicanos e poucos analistas vêem uma vitória de McCain sem seu apoio em massa.

McCain frequenta uma igreja afiliada ao Congresso Batista, em Phoenix, mas ele adotou uma postura mais reservada quanto à suas crenças religiosas que seus rivais democratas.

O senador foi um crítico permanente dos gastos excessivos do governo e da administração do presidente Bush, pela falta de engajamento na luta contra a poluição ambiental. O tema, aliás, é um dos principais argumentos de sua campanha.

Sobre a questão da imigração, McCain sofreu críticas por seu apoio a uma reforma na legislação que pudesse permitir a legalização dos milhões de estrangeiros ilegais que vivem no país.

Conhecido por seu temperamento enérgico, ele apoiou a Guerra do Iraque, mas criticou a forma como o governo conduziu a operação. McCain expressou contrariedade especialmente em relação às técnicas de tortura empregadas pela CIA (inteligência americana) durante interrogatórios a suspeitos de terrorismo.

Com Efe e "The New York Times"

Comentários dos leitores
Luciano Edler Suzart (34) 09/10/2009 10h20
Luciano Edler Suzart (34) 09/10/2009 10h20
A situação é periclitante, se antigamente se concedia o Nobel da Paz a quem de algum modo, plantava a paz no mundo, hoje (dada a escassez de boa fé geral) se concede o prémio a quem não faz a guerra... Como diria o sábio Maluf: "Antes de entrar queria fazer o bem, depois que entei, o máximo que conseguí foi evitar o mal"
Só assim pra se justificar esse Nobel a Obama, ou podemos ver como um estímulo preventivo a que não use da força bélica que lhe está disponível contra novos "Afeganistões" do mundo.
sem opinião
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honório Tonial (2) 16/05/2009 21h47
honório Tonial (2) 16/05/2009 21h47
Considero ecelente vosso noticiario. Obrigado, aos 83 anos de mnha vida, 5 opiniões
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Marcello Sokal (73) 07/02/2009 12h01
Marcello Sokal (73) 07/02/2009 12h01
Óbvio que não poderiam aceitar,pois não teriam respostas claras para as legítimas questões do presidente iraniano,esse sim um verdadeiro estadista que sabe da verdade dos fatos e não tem receio de buscar responsabilizar os culpados. A política imperialista norte-americana é velha conhecida mas pessoas convenientemente "esquecem" disso - não respeitam a soberania das nações e se arvoram em ser os "defensores da liberdade" - é o país que mais se envolveu em guerras,revoluções,invasões e intervenções da história da humanidade.A única nação que já bombardeou outro país (na verdade cidades,repletas de civis inocentes) utilizando armas nucleares. O apoio norte-americano a Israel é uma vergonha, apoiando todo tipo de atrocidade possível,dando carta branca e fornecendo armas de alta tecnologia.
Em resumo: o grande vilão nisso tudo não é o Irã....mas tem tolo que prefere não ver influenciado pelo mentiroso american-way-of-life,lamentável.
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