Presidente do Equador pede às Farc que deixem as armas
da Folha Online
O presidente do Equador, Rafael Correa, pediu à guerrilha colombiana das Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) que deixem as armas e libertem de forma incondicional todos os reféns em seu poder. O equatoriano também disse ao grupo para iniciar conversas políticas e diplomáticas.
"Que futuro tem uma guerrilha que combate um governo democrático, ao menos em aparência, e que não tem nenhum apoio popular no século 21? Por favor, já basta, deixem as armas, vamos ao diálogo político e diplomático para encontrar a paz. O dissemos 500 vezes", declarou Correa na quinta-feira à noite ao canal de TV Ecuavisa.
Correa pediu também que as Farc liberem incondicionalmente todos os seus seqüestrados e reiterou que não qualificará o grupo de terrorista para não se imiscuir no conflito colombiano.
"Esse conflito está transbordando para todos os países vizinhos e está desestabilizando toda a região, e entre os seqüestrados também há equatorianos", disse o mandatário.
"Nós temos todo o direito e dever de intervir em ações humanitárias como a libertação de reféns sem pedir permissão a absolutamente ninguém", acrescentou Correa.
"Temos dito que estamos dispostos a emprestar o território equatoriano para esses atos humanitários." O presidente disse ainda que ordenou ao ministro de Segurança, Gustavo Larrea, que "se puder fazer algum novo contato (com as Farc) para a libertação de reféns, adiante com tudo". "Porém, não temos esse contato", acrescentou.
O pedido de Correa se somou ao do presidente da Venezuela, Hugo Chávez. No último dia 9, o venezuelano pediu ao novo líder do grupo que encerre a luta armada iniciada há mais de 40 anos na Colômbia e liberte todos os reféns em seu poder.
Chávez
"Vamos soltem toda essa gente, há anciãos, mulheres, soldados doentes que têm 10 anos presos, já basta", disse Chávez, na ocasião, ao afirmar que os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e outros mandatários latino-americanos e europeus estão dispostos a trabalhar em favor de um acordo de paz na Colômbia.
O pedido de Chávez, elogiado pelos governos da Colômbia e dos EUA, representou uma forte mudança na posição do presidente venezuelano em relação ao grupo guerrilheiro.
As críticas de Chávez ocorrem em meio a um ambiente de tensão entre seu governo e o de seu colega colombiano Álvaro Uribe, que o acusa de manter vínculos com o grupo armado.
No início do ano, Chávez pediu que as Farc deixassem de ser classificadas como terroristas e passassem a ser vistas como grupo beligerante, por terem um projeto político. Desde 2001, o governo da Colômbia, dos EUA e alguns países da União Européia qualificam as Farc como grupo terrorista.
Para alguns opositores de Chávez, as declarações têm a ver com a descoberta de computadores pertencentes ao número dois das Farc Raúl Reyes, morto em uma operação militar colombiana no Equador em fevereiro --a ação desencadeou uma grave crise entre os três países.
Logo após a incursão, Venezuela e Equador se uniram para criticar duramente a Colômbia pela violação do território equatoriano, enviando tropas às fronteiras com a Colômbia, provocando a maior tensão militar na região nos últimos anos.
Porém, nas últimas semanas, a tensão diminuiu, e Caracas e Quito parecem tentar se aproximar novamente do de Bogotá.
Os opositores suspeitam que os computadores de Reyes, hoje em poder do Exército colombiano, têm evidências de ajuda do presidente venezuelano à guerrilha que poderiam ser usadas para levar Chávez aos tribunais internacionais.
Com France Presse e Efe
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