Mundo
14/06/2008 - 12h35

Presidente do Zimbábue diz estar disposto a entrar em guerra com oposição

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da France Presse, em Harare
da Folha Online

O presidente do Zimbábue, Robert Mugabe, afirmou neste sábado que a oposição jamais governará o país enquanto ele estiver vivo e disse que está disposto a entrar em guerra, a menos de duas semanas do segundo turno da eleição presidencial.

"Que este país caia nas mãos de traidores enquanto estivermos vivos é impossível. Isto jamais acontecerá", disse Mugabe, durante o enterro de um ex-combatente da guerra de independência dos anos 70.

"Estamos dispostos a lutar por este país e a entrar em guerra por ele", acrescentou o líder.

Pier Paolo Cito/AP
Milícia ligada ao ditador Robert Mugabe (foto) queima viva mulher de opositor
O ditador Robert Mugabe diz que oposição não governará enquanto ele estiver vivo

Mugabe foi derrotado no primeiro turno pelo líder opositor Morgan Tsvangirai, que no entanto não alcançou a maioria absoluta dos votos. Os dois disputarão um segundo turno no dia 27 de junho.

Nesta sexta-feira, Mugabe já havia citado a ameaça da batalha, ao afirmar que os combatentes da guerra de libertação estavam dispostos a voltar "a pegar em armas" no caso de vitória da oposição nas eleições.

O presidente, de 84 anos, no poder desde 1980, acusa os adversários de traição a serviço da antiga potência colonial britânica. Neste sábado voltou a citar os mesmos argumentos.

"Quero dizer mais uma vez ao americanos e aos britânicos que não somos os súditos de ninguém e que nunca o seremos", proclamou Mugabe, que comandou a luta pela independência da antiga Rodésia do Sul.

"Este país nunca deve voltar a cair diretamente ou indiretamente sob o domínio dos brancos. O regime britânico caiu para sempre. O homem branco se foi. Nunca, nunca mais este país será governado por um branco", afirmou Mugabe.

Armas

Arte Folha Online
mapa zimbábue

O jornal estatal "Herald" citou Mugabe nesta sexta-feira dizendo aos seus apoiadores, em um comício na quinta-feira (12), que os veteranos perguntaram se deveriam estar prontos para lutar. "Eles vieram ao meu escritório após as eleições (do dia 29 de março) e perguntaram: Podemos pegar as armas?", disse Mugabe.

Segundo o "Herald", Mugabe disse aos veteranos que não queria que o país voltasse à guerra, mas que o Zimbábue não seria nunca governado pelo partido da oposição MDC, que venceu o primeiro turno das eleições. Ele também disse aos apoiadores que Tsvangirai entregaria o país de volta ao controle dos brancos se vencesse o pleito.

O MDC, grupos de direitos humanos e potências ocidentais acusam Mugabe por liderar uma campanha brutal para vencer o segundo turno. O líder da oposição, Morgan Tsvangirai, diz que 66 de seus seguidores foram assassinados, mas Mugabe, que está no governo desde a independência do Reino Unido em 1980, acusa o MDC pela violência que têm provocado preocupação internacional.

Ônibus

Mais cedo, o MDC disse que a polícia zimbabuana deteve dois ônibus usados na campanha de Tsvangirai. O porta-voz do MDC, George Sibotshiwe, afirmou que o líder da oposição, que foi preso quatro vezes em um período de pouco mais de uma semana e teve seu próprio veículo confiscado, continuará a campanha.

Também nesta sexta-feira, o advogado Selby Hwacha, da oposição, disse que um juiz ordenou a polícia a levar o número dois da oposição --detido ontem em Harare-- a uma corte no sábado e explicou os motivos pelos quais ele não deve ser imediatamente liberado.

Tendai Biti foi preso ao retornar ao Zimbábue depois de uma viagem à África do Sul. A polícia se recusou a dizer onde ele estava sendo mantido ou quando iria levá-lo à corte, mas informou que ele enfrenta uma acusação de traição, que pode levar à pena de morte.

 

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