Equipes de resgate enfrentam tremores secundários no Japão
da Folha Online
Equipes de resgate usando pás e baldes tentavam alcançar as sete pessoas soterradas em um resort destruído pelo terremoto da manhã deste sábado (hora local), que matou ao menos seis e feriu mais de 200.
Grupos dos bombeiros trabalhavam enquanto helicópteros do Exército sobrevoavam o local. Os freqüentes tremores secundários --mais de 200 foram sentidos desde o primeiro terremoto-- criam a ameaça de novos deslizamentos no local.
| Arte Folha Online/Arte |
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Acredita-se que os sete foram soterrados quando toneladas de pedra e terra deslizaram sobre o resort, localizado em uma área montanhosa de floresta nos arredores da pequena cidade de Kurihara, uma das mais afetadas pelo terremoto de 7,2 graus na escala Richter.
Equipes de busca recuperaram os corpos de seis mortos, mas acredita-se que ao menos outras nove pessoas podem estar desaparecidas. Relatos da imprensa local dizem que há cerca de 260 feridos.
Com grandes deslizamentos de terra, o desabamento de ao menos uma ponte e a destruição de estradas pela força do tremor, mais de 200 pessoas continuavam isoladas no domingo (hora local), sendo lentamente removidas em helicópteros.
O serviço de trens, água e eletricidade foi restabelecido na maioria das áreas. Porém, cerca de 2.800 casas na cidade de Kurihara, de 80 mil habitantes, seguem sem energia.
"Foi o pior terremoto que eu já senti, disse Rinji Sato, cujo pequeno comércio em Kurihara, perto de epicentro, ficou completamente bagunçada, com garrafas quebradas e alimentos que caíram das prateleiras. "Temos sorte que isso não atingiu uma grande cidade", acrescentou. "Era impossível ficar de pé."
Na usina nuclear em Fukushima, o terremoto causou o vazamento de cinco galões, cerca de 20 litros, de água radioativa de duas piscinas de armazenamento de combustível. O vazamento, contudo, não chegou a sair da usina, segundo informações do funcionário do Ministério de Indústria e Comércio, Yoshinori Moriyama.
Resgate
As Forças de Autodefesa do Japão enviaram uma missão com mais de 150 homens para começar a operar imediatamente na zona afetada pelo terremoto.
O primeiro-ministro Yasuo Fukuda afirmou que o governo está mobilizando tropas, a polícia e "todo mundo que nós conseguirmos" para encontrar as pessoas desaparecidas e resgatar os feridos. Ele ordenou que as equipes de resgate continuem os trabalhos durante a noite.
| Shizuo Kambayashi/AP |
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| Soldados japoneses buscam pessoas presas em um resort em Kurihara |
"Nossa tarefa mais importante é salvar o máximo de vidas possíveis e nós estamos fazendo o melhor que podemos", disse Fukuda.
"As réplicas continuam, então precisamos de uma resposta cautelosa ao desastre", disse Shinya Izumi, funcionário do Ministério de Desastres, em uma coletiva de imprensa.
"Mas nós também precisamos resgatar as pessoas o mais rápido possível. É uma situação muito difícil", disse.
Segundo o funcionário, mais de 600 pessoas ficaram isoladas em áreas remotas.
"Tremeu tão violentamente que eu não conseguia ficar de pé. Eu tive que me apoiar na parede", disse Masanori Oikawa, oficial da cidade de Oshu, que estava em casa, perto do epicentro do terremoto.
Em Kurihara, um deslizamento de terra enterrou 15 operários de construção. Outros 12 conseguiram escapar, mas um ainda está desaparecido.
Entre os seis mortos estava um homem que fugiu de um prédio após sentir o tremor e foi atropelado por um caminhão que passava na rua. Quatro pessoas ficaram enterradas com o soterramento de terra e um operário de construção foi atingido por uma rocha que se desprendeu de uma represa. As informações foram confirmadas por oficiais locais.
Danos
O terremoto também destruiu equipamentos e partes de carros em uma fábrica subsidiária da Toyota, em Iwate. Segundo a porta-voz da empresa, Seiko Watanabe, ainda não foi decidido se a produção será retomada na segunda-feira.
O terremoto fez com que os serviços de trem de alta velocidade e de linhas ferroviárias de zonas de Tohoku e Kanto fossem suspensos por precaução, e que se fechassem as estradas em Miyagi, segundo a rede NHK.
| Shizuo Kambayashi/AP |
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| Estrada danificada pelo terremoto de 7,2 graus na escala Richter que atingiu o Japão |
Os serviços ferroviários do Japão disseram que cerca de duas mil pessoas tiveram que ser evacuadas de três trens de alta velocidade que ficaram paralisados na zona afetada.
As equipes de resgate afirmaram que o maior problema foi o dano ao sistema de rodovia, que impede o acesso à áreas isoladas da zona afetada.
"Nós estamos recebendo alertas de danos, mas não conseguimos nem ao menos acessar a região por causa das estradas bloqueadas por deslizamentos", disse Norio Sato, oficial de Kurihara, uma das cidades mais afetadas.
O Ministério da Defesa enviou 12 helicópteros e um avião de patrulha para à área afetada. O governo também enviou um helicóptero CH-47 que levou o ministro de desastres Shinya Izumi à região. "A extensão dos danos à rodovias e pontes é muito maior do que eu esperava", disse Izumi.
As autoridades japonesas advertiram que se esperam réplicas de magnitude de 6 ou mais graus durante as próximas horas, e recomendaram à população que se mantenha alerta.
De acordo com a agência Kyodo, o tremor não afetou o funcionamento das usinas nucleares da província vizinha de Fukushima, nem o aeroporto de Sendai.
O Japão está localizado sobre uma das zonas sísmicas mais ativas do mundo. O terremoto mais grave ocorrido no país em anos recentes foi em Kobe (oeste do país), em 17 de janeiro de 1995, com uma magnitude de 7,3 graus na escala aberta de Richter, e deixou mais de seis mil mortos.
Com agências internacionais
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