Mundo
15/06/2008 - 01h29

Incidentes aguçam conflito do campo na Argentina

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da Efe, em Buenos Aires

A detenção de um dirigente do campo junto com outros 18 produtores durante os incidentes com as forças de segurança da Argentina provocaram neste sábado (14) o reatamento de numerosos bloqueios de rotas e "panelaços" que agravam o conflito agrário que começou há 95 dias no país.

O dirigente da Federação Agrária Argentina (FAA) Alfredo De Angeli foi detido durante algumas horas pela Gendarmaria (guarda civil) junto com outras pessoas.

As detenções aconteceram durante os choques registrados com soldados da polícia, quando produtores e transportadoras tentavam manter um bloqueio na província argentina de Entre Ríos, que terminaram com pelo menos dois feridos.

Os gendarmes tentaram liberar a rota por causa de uma ordem judicial, depois que o governo anunciou na sexta-feira (13) que garantirá a livre circulação de mercadorias, após o desabastecimento produzido por mais de 300 bloqueios.

Outro incidente também aconteceu durante um bloqueio de rota em Santa Fé, quando produtores jogaram pedras em automóveis que tentaram atravessar a barreira.

Os incidentes fizeram com que os produtores rurais retomassem na tarde deste sábado vários bloqueios de estradas no interior do país no marco do severo conflito com o governo, iniciado por uma recente reforma tributária estabelecida para o setor.

Além disso, centenas de pessoas realizaram novos "panelaços" em alguns bairros da capital em frente à Quinta Presidencial de Oliveiras, em apoio ao campo e em repúdio à atuação do governo nesta crise.

O chefe de gabinete argentino, Alberto Fernández, assegurou em entrevista coletiva que o diálogo com o campo "é possível", embora "sem imposições" e exortou a recuperar "a sensatez" para resolver o conflito com o setor agrário, que "provocou um mau funcionamento da economia".

Por sua parte, o dirigente piqueteiro Luis D'Elía convocou uma manifestação para apoiar o governo de Cristina Fernández na Praça de Maio, onde chegaram esta noite centenas de integrantes de organizações sociais.

A sombra do conflito chegou neste sábado até a grande homenagem organizada em comemoração ao 80º aniversário do nascimento de Ernesto "Che" Guevara, na cidade de Rosário, onde se enfrentaram simpatizantes de Luis D'Elía e participantes que fazem críticas ao governo.

Dirigentes das quatro maiores associações agropecuárias se reuniram para avaliar as medidas a tomar depois da "atitude repressiva" do governo, segundo advertiu o titular da FAA, Eduardo Buzzi.

No entanto, o ministro argentino do Interior, Florencio Randazzo, afirmou que "não houve repressão" na liberação da rota 14, na localidade de Gualeguaychú, e destacou que a Gendarmaria atuou após uma ordem judicial.

Por sua vez, a dirigente opositora Elisa Carrió qualificou os incidentes como "uma repressão desmedida do governo", enquanto o titular da centenária União Cívica Radical (UCR), Gerardo Morales, considerou que o Executivo "perdeu o controle da situação".

Várias barreiras tinham sido retiradas nas últimas horas por transportadoras, que na sexta-feira prometeram liberar as rotas.

Os proprietários de caminhões transportadores de cereais também tinham iniciado bloqueios no dia 3 de junho para reivindicar ao governo da Argentina que retome o diálogo com o campo e que os produtores agropecuários voltem a comercializar seus grãos.

A greve comercial dos produtores agrários terminou à meia-noite do domingo passado, mas muitos continuam protestando à beira de estradas e mantêm sua colheita retida nos campos para não convalidar os novos impostos às exportações de grãos decretados pelo governo, o estopim do conflito.

Os bloqueios prolongados de estradas levaram a uma situação crítica a vastas regiões da Argentina, onde a falta de combustíveis já é sentida e a escassez de alimentos básicos se aguça, principalmente no interior do país.

Os bloqueios também afetaram o funcionamento de padarias, o abastecimento de remédios e a atividade do turismo.

 

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