Mundo
15/06/2008 - 17h31

Morales propõe acordo político entre governo da Colômbia e Farc

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da Efe, em la Paz
Colaboração para a Folha Online

O presidente da Bolívia, Evo Morales, propôs um acordo político entre o governo colombiano e as Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) para resolver o conflito no país, segundo uma entrevista concedida à revista "Cosas Internacional" e divulgada neste domingo no jornal "La Razón".

"A luta pela libertação, pela igualdade, pela justiça social, pela soberania não se faz tirando vidas (...). Melhor se houvesse um acordo político entre o governo e as Farc para terminar com esse problema", disse o chefe de Estado boliviano.

Morales acrescentou que nas décadas de 1950 e 1960 "os povos levantavam armas contra o império", mas agora acontece o contrário, pois, para ele, "o império levanta armas contra o povo", em alusão à guerra dos Estados Unidos contra o Iraque.

O presidente se referiu ao tema ao ser questionado sobre a morte do máximo chefe das Farc, Pedro Marín Bernal, conhecido como "Manuel Marulanda" ou "Tirofijo" por um "ataque cardíaco" em 26 de março, segundo confirmou a própria guerrilha.

O governo de La Paz negou várias vezes a existência de membros das Farc em seu território, perante versões provenientes da Colômbia que abordavam a questão. Morales propôs antes ao grupo abandonar as armas para fazer uma "revolução democrática e cultural".

Apoio

Na última semana, o presidente do Equador, Rafael Correa, também pediu as Farc que deixem as armas e libertem de forma incondicional todos os reféns em seu poder. O equatoriano também disse ao grupo para iniciar conversas políticas e diplomáticas.

"Que futuro tem uma guerrilha que combate um governo democrático, ao menos em aparência, e que não tem nenhum apoio popular no século 21? Por favor, já basta, deixem as armas, vamos ao diálogo político e diplomático para encontrar a paz. O dissemos 500 vezes", declarou Correa na quinta-feira (12) ao canal de TV Ecuavisa.

Correa pediu também que as Farc liberem incondicionalmente todos os seus seqüestrados e reiterou que não qualificará o grupo de terrorista para não se envolver no conflito colombiano.
"Temos dito que estamos dispostos a emprestar o território equatoriano para atos humanitários." O presidente disse ainda que ordenou ao ministro de Segurança, Gustavo Larrea, que fizesse "algum novo contato (com as Farc) para a libertação de reféns".

"Porém, não temos esse contato", acrescentou.

O pedido de Correa se somou ao do presidente da Venezuela, Hugo Chávez. No último dia 9, o venezuelano pediu ao novo líder do grupo, Alfonso Cano, que encerre a luta armada iniciada há mais de 40 anos na Colômbia e liberte todos os reféns em seu poder.

 

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