Mundo
16/06/2008 - 14h33

UE está pronta para novas sanções contra o Irã, diz porta-voz

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da Folha Online

Cristina Gallach, porta-voz do chefe da diplomacia da UE (União Européia), Javier Solana, afirmou que o bloco formado por 27 países concordou, em princípio, sobre a necessidade de sanções mais severas contra o Irã, mas que o encontro de ministros das Relações Exteriores europeus em Luxemburgo não formalizou hoje a decisão.

"Está claro que eles estão prontos para se mover mais adiante. Nós certamente tomaremos uma decisão formal", afirmou a porta-voz. Ela não fez especulações nesta segunda-feira sobre o tempo que levará para que seja tomada uma decisão final, mas deixou claro que os ministros concordaram com uma punição mais forte contra Teerã.

Os países da UE já haviam indicado, no final de maio, que estavam preparados para aprovar sanções principalmente contra o grande banco comercial iraniano Melli Bank. No ano passado, os Estados Unidos acusaram este mesmo banco de fornecer serviços para o programa nuclear iraniano.

"Essas sanções estão prontas para serem aprovadas", reiterou Gallach. "Mas nenhuma medida foi tomada nesta segunda-feira para que fossem implementadas", disse.

A UE decidiu "esperar um pouco mais" para ter a resposta de Teerã à oferta de cooperação que Solana apresentou no sábado (14), segundo diplomatas.

Solana afirmou, ao chegar à reunião dos ministros de Relações Exteriores, que seu encontro, no sábado, com altos funcionários do governo iraniano sobre o programa nuclear do país "foi melhor do que esperava".

"Discutimos a oferta. Não vou dizer que aceitaram tudo, mas eles sabem o que têm que fazer. Eles têm que pensar e nos dar uma resposta. Quanto antes melhor", acrescentou ele.

Ameaças

Pela manhã, o primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, disse que seu país pediria à UE um aumento das sanções contra o Irã caso o país continuasse se negando a interromper suas atividades nucleares. As afirmações foram feitas após conversas com o presidente dos EUA, George W. Bush, e logo após o anúncio de tropas extras para o Afeganistão.

Brown disse que se o Irã continuar rejeitando cancelar o enriquecimento de urânio, "não haverá outra opção além de intensificar as sanções" e, portanto, pedirá à UE que intensifique suas punições contra o regime.

Stefan Rousseau/Efe
George W. Bush e Gordon Brown aumentam pressão e fazem novas ameaças contra o Irã
George W. Bush e Gordon Brown aumentam pressão e fazem novas ameaças contra o Irã

Entre outras coisas, Brown disse que pediria aos membros da UE medidas no setor bancário e o congelamento dos ativos da maior instituição financeira iraniana. Além disso, solicitaria também a adoção de sanções nos setores de petróleo e energia.

Já o presidente Bush afirmou que não descarta o uso da força contra o Irã para obrigar o país a suspender seu programa nuclear, mas acrescentou que espera que a crise possa ser solucionada pela via diplomática.

"Todas as opções estão abertas no Irã", afirmou Bush, em uma entrevista coletiva junto com Brown, no segundo dia de sua visita ao Reino Unido.

"Agora é o momento de trabalhar juntos para conseguir que Teerã suspenda o programa nuclear", disse Bush, antes de ressaltar que "é necessário manter a pressão internacional" sobre Irã e Coréia do Norte.

Depois da reunião com Bush, o primeiro-ministro britânico também anunciou que enviará tropas adicionais ao Afeganistão. "Hoje, o Reino Unido anunciará tropas adicionais ao Afeganistão, elevando o número de soldados britânicos neste país a seu maior nível", disse Brown na entrevista coletiva, sem dar detalhes.

Com relação às tropas de seu país no Iraque, Brown afirmou que "ainda resta trabalho a ser feito" e que não devem ser elaborados "calendários artificiais" para sua retirada.

Com agências internacionais

 

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