Exército realiza ofensiva contra grupos armados no sul do Iraque
da Reuters, em Amara
Forças de segurança do Iraque enviaram tropas à cidade de Amara, no sul, nesta segunda-feira, e pediram que as milícias xiitas entreguem suas armas antes que termine o prazo dado pelo governo, data a partir da qual imporá severas punições.
"Nossas forças militares terminaram o envio de tropas para garantir o controle de toda a cidade", anunciou Nasir al Abadi, chefe de pessoal do Exército iraquiano
A demonstração de força em Amara, base da milícia Exército Mehdi, do clérigo radical xiita Moqtada al Sadr, é o último passo dado pelo governo para estender sua autoridade a regiões controladas por milícias xiitas e insurgentes sunitas.
O primeiro-ministro Nuri al Maliki deu aos "criminosos" de Amara e do resto da Província de Maysan até quarta-feira para se renderem e entregarem suas armas.
Ele autorizou as forças de segurança a lançarem operações mais imponentes até quinta-feira, sob o argumento de que o Estado precisa acabar com o "caos" e com o crime na empobrecida Província vizinha Irã.
Abadi incentivou "os arrependidos" a aproveitarem a oportunidade e levarem suas armas aos pontos de coleta no aeroporto e no estádio local e nas delegacias de polícia.
Com o apoio dos EUA, Maliki também enviou o exército iraquiano às bases do Exército Mehdi em Bagdá e em Basra, cidade produtora de petróleo. O primeiro-ministro iraquiano lançou também uma ofensiva contra os insurgentes da rede terrorista Al Qaeda na cidade de Mossul.
Maliki, criticado no passado por não ter conseguido trazer estabilidade ao Iraque, ganhou respeito em seu país e no exterior com operações militares que ajudaram a reduzir a violência para os mais baixos níveis dos últimos quatro anos.
Al Qaeda
A violência caiu para seu mais baixo nível em mais de quatro anos. Mas autoridades dizem que os ganhos em segurança são reversíveis, e Maliki sofre pressão interna e externa para mostrar que ele pode garantir a segurança dos iraquianos a longo prazo.
As operações militares mostram o desejo do governo xiita de tomar controle da segurança garantida pelos 150 mil soldados norte-americanos no país.
O embaixador dos EUA no Iraque, Ryan Crocker, disse no último mês que a Al Qaeda "nunca esteve tão próxima de ser derrotada".
Mas, como sinal de que o grupo continua sendo uma ameaça, militantes da Al Qaeda detonaram simultaneamente quatro bombas, atingindo casas e carros de membros de forças iraquianas em Mossul, 390km ao norte de Bagdá, nesta segunda-feira, afirmou o diplomata americano.
Um policial foi morto e outras quatro pessoas ficaram feridas, inclusive o filho do policial morto, disse Crocker.
Obama
O provável candidato democrata às eleições americanas, o senador Barack Obama, disse durante visita a Michigan que estava contente com o aumento da segurança no Iraque, mas ressaltou seu apoio à retirada das tropas americanas.
Enquanto as tropas dos Estados Unidos permanecerem no Iraque, este será um tema-chave na eleição de novembro, com o provável candidato republicano, John McCain se opondo aos planos de Obama de retirada das tropas em 16 meses.
O sucesso em Amara poderia ser positivo para a imagem de Maliki, pouco antes das eleições em 1º de outubro, tidas como uma disputa de poder que pode redesenhar o mapa político do Iraque.
Exército e polícia, com tanques e outros tipos de veículos armados entraram nesta cidade de 250 mil habitantes, a 300 km de Bagdá. Amara concentra o contrabando de armas vindas do vizinho Irã.
Autoridades locais e moradores esperam que a operação do governo seja pacífica, evitando conflitos entre membros do Exército Mehdi e as forças de segurança.
Uma fonte ligada à segurança de Amara disse que, em vez de entregar as armas no centro de coleta, militantes as estavam jogando em rios, ruas ou fazendas. A polícia, então, ficou com a função de recolher todo o tipo de armas abandonadas.
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