Mundo
18/06/2008 - 08h42

Obama critica "velha" estratégia republicana do medo

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da Associated Press, em Washington

O provável candidato democrata à Casa Branca Barack Obama afirmou nesta terça-feira que ele não aceitará lições dos republicanos sobre qual candidato manteria os Estados Unidos mais seguros, uma resposta direta às acusações republicanas de que ele tem uma visão muito inocente sobre o terrorismo, característica de antes dos atentados terroristas de 11 de setembro.

"Estes são os mesmos caras que ajudaram a criar a distração da Guerra do Iraque quando nós poderíamos ter ido atrás de quem realmente cometeu [os atentados de] 11 de setembro", disse Obama a repórteres em seu avião de campanha.

"Esse é o mesmo tipo de esfera de medo que nos levou ao Iraque e é exatamente essa política externa falida que eu quero prevenir", completou, ressaltando que é hora dos republicanos aprenderem que a tática usada contra o terrorismo não funcionou.

Em sua entrevista no avião de campanha, Obama disse ainda que é previsível que os republicanos "farão o que eles fazem em todos os ciclos eleitorais, que é usar o terrorismo como uma arma para fazer os americanos terem medo de ganhar as eleições". O democrata ressaltou, contudo, que não acredita que a "velha" tática funcionará neste ano.

Alex Brandon-17jun.08/AP
Texto: Democratic presidential candidate Sen. Barack Obama, D-Ill., talks to the media during a news conference on his campaign plane en route from Michigan to Washington, DC Tuesday, June 17, 2008.(AP Photo/Alex Brandon)
Barack Obama fala com repórteres em seu avião de campanha, a caminho de Washington

A campanha presidencial deste ano entrou em uma série de trocas de críticas muito similar àquela da disputa presidencial de 2004, quando o presidente George W. Bush e outros republicanos argumentaram que o candidato democrata John Kerry era muito despreparado para enfrentar o terrorismo, um argumento que impulsionou a candidatura republicana e garantiu muitos votos para a reeleição de Bush.

Mas com a Guerra do Iraque em seu sexto ano com um gasto estimado em US$ 1 trilhão e mais de 4.000 soldados norte-americanos mortos, o tema fica cada vez mais impopular entre os eleitores. Em 2006, o argumento republicano sobre o despreparo dos rivais em lidar com o conflito não garantiu a liderança no Congresso e na Casa dos Representantes, ambos liderados pelos democratas.

Pesquisas de opinião mostram que a Guerra do Iraque, que estava no topo das preocupações dos eleitores nas eleições de 2004, estão agora em segundo lugar, perdendo para a difícil situação econômica enfrentada pelo país --situação que os democratas culpam nos gastos do governo para manter o conflito.

Legalidade

Em seu avião de campanha, Obama contou aos repórteres que Osama bin Laden ainda está solto, em parte, por causa da estratégia fracassada de Bush para combater o terrorismo.

Já em entrevista ao programa de televisão ABC News, o senador por Illinois afirmou que o governo pode acabar com os terroristas "dentro dos limites de nossa Constituição". Ele mencionou a detenção indefinida dos prisioneiros de Guantánamo, contrastando a situação dos supostos terroristas presos no presídio em Cuba com o tratamento e julgamento dos responsáveis pela bomba que explodiu no World Trade Center, em 1993.

"E, você sabe, vamos pegar o exemplo de Guantánamo", disse Obama. "O que nós sabemos é que, em ataques terroristas anteriores, por exemplo, o primeiro ataque ao World Trade Center, nós conseguimos prender os responsáveis e colocá-los em julgamento. Eles estão em prisões norte-americanas, incapacitados", completou.

"E o fato da administração [na época do democrata Bill Clinton] não ter tentado criar uma situação onde nós não apenas não submetemos estas pessoas à julgamento, mas destruímos nossa credibilidade no mundo quando se trata de legislação", disse ainda Obama.

"Nós poderíamos ter feito a mesma coisa, mas nós fizemos de um jeito que foi consistente com nossas regras", respondeu Obama, em crítica direta à política do terror defendida pelos republicanos.

Divergência

Obama concordou com a decisão da Suprema Corte norte-americana, na semana passada, de que os presos de Guantánamo têm direito constitucional a um julgamento em cortes civis. O provável candidato republicano John McCain afirmou que a decisão "foi uma das piores decisões na história do país".

Os assessores do senador republicano criticaram Obama por sua postura favorável à decisão. "O senador Obama é a perfeita manifestação de uma mente de 10 de setembro. Ele não entende a natureza dos inimigos que enfrentamos", disse o diretor de assuntos de segurança nacional de McCain, Randy Scheunemann.

O ex-diretor da CIA (Central de Inteligência Americana) James Woolsey, um dos conselheiros da campanha de McCain, engrossou o coro de críticas dizendo que Obama "é extremamente perigoso e extremamente inocente em sua atitude em relação ao terrorismo e ao modo de lidar com os prisioneiros capturados do outro lado do oceano que têm se envolvido em ataques terroristas contra os EUA".

A campanha de Obama organizou uma coletiva de imprensa com o democrata John Kerry e Richard Clarke, oficial de contra-terrorismo em administrações republicanas e democratas.

"Eu estou um pouco desapontado com as tentativas de alguns de meus amigos na campanha de McCain de usar a mesma velha e cansada tática de tentar criar um vão entre os americanos para vantagem partidária e de tentar francamente assustar os americanos", disse Clarke.

Kerry acusou McCain de "defender uma política que é indefensível" ficando ao lado das políticas de Bush, particularmente em assuntos da Guerra do Iraqu

Comentários dos leitores
Luciano Edler Suzart (34) 09/10/2009 10h20
Luciano Edler Suzart (34) 09/10/2009 10h20
A situação é periclitante, se antigamente se concedia o Nobel da Paz a quem de algum modo, plantava a paz no mundo, hoje (dada a escassez de boa fé geral) se concede o prémio a quem não faz a guerra... Como diria o sábio Maluf: "Antes de entrar queria fazer o bem, depois que entei, o máximo que conseguí foi evitar o mal"
Só assim pra se justificar esse Nobel a Obama, ou podemos ver como um estímulo preventivo a que não use da força bélica que lhe está disponível contra novos "Afeganistões" do mundo.
sem opinião
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honório Tonial (2) 16/05/2009 21h47
honório Tonial (2) 16/05/2009 21h47
Considero ecelente vosso noticiario. Obrigado, aos 83 anos de mnha vida, 5 opiniões
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Marcello Sokal (73) 07/02/2009 12h01
Marcello Sokal (73) 07/02/2009 12h01
Óbvio que não poderiam aceitar,pois não teriam respostas claras para as legítimas questões do presidente iraniano,esse sim um verdadeiro estadista que sabe da verdade dos fatos e não tem receio de buscar responsabilizar os culpados. A política imperialista norte-americana é velha conhecida mas pessoas convenientemente "esquecem" disso - não respeitam a soberania das nações e se arvoram em ser os "defensores da liberdade" - é o país que mais se envolveu em guerras,revoluções,invasões e intervenções da história da humanidade.A única nação que já bombardeou outro país (na verdade cidades,repletas de civis inocentes) utilizando armas nucleares. O apoio norte-americano a Israel é uma vergonha, apoiando todo tipo de atrocidade possível,dando carta branca e fornecendo armas de alta tecnologia.
Em resumo: o grande vilão nisso tudo não é o Irã....mas tem tolo que prefere não ver influenciado pelo mentiroso american-way-of-life,lamentável.
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