Mundo
18/06/2008 - 11h59

União Européia aprova novas regras para imigrantes ilegais

Publicidade

da Folha Online

O Parlamento europeu aprovou nesta quarta-feira novas regras para expulsar imigrantes ilegais do bloco, superando a oposição de legisladores de tendência esquerdista e ignorando protestos dos ativistas de direitos humanos.

A polêmica lei de expulsão de imigrantes ilegais da UE (União Européia) estabelece uma detenção por um período máximo de 18 meses, além da proibição de retornar à Europa por um período de cinco anos.

O texto, resultado de um compromisso entre 27 Estados-membros da UE, foi aprovado por 367 votos a favor, 206 contra e 109 abstenções, graças a uma aliança entre conservadores e liberais, assim como às divisões do grupo socialista. Nenhuma das colocadas pelos grupos de esquerda foi aceita.

Sob as novas regras, os imigrantes ilegais podem ser presos em centros de detenção especial por até 18 meses antes de serem expulsos. Os países da UE devem prover aos detidos direitos básicos, incluindo acesso a assitência jurídica gratuita. Menores desacompanhados ou famílias com crianças devem ser detidas apenas em último caso.

Uma vez encontrados pelas autoridades, será dada aos imigrantes a oportunidade de deixar voluntariamente o país em 30 dias. Eles podem ser retidos por até seis meses até a expulsão, período que pode ser estendido por mais 12 meses em casos específicos, como quando o imigrante não cooperar, houver problemas para obter a documentação de outros países ou quando ele representar uma ameaça.

As novas regras fazem parte de esforços para criar uma política de asilo e imigração comum na UE a partir de 2010. A norma da União Européia, que já recebeu o sinal verde dos governos dos 27 países do bloco, entrará em vigor dois anos após sua publicação oficial. Estimativas indicam que há 8 milhões de imigrantes ilegais nos 27 países do bloco.

Divisão

A votação de hoje mostrou novamente a divisão existente a respeito do texto. Para alguns grupos, ele é um progresso e um marco para proteger os direitos dos imigrantes. Para outros, as garantias que oferece são insuficientes.

"O acordo acaba com algo dificilmente compreensível, como o fato de existirem lugares na UE onde os imigrantes podem ser retidos indefinidamente", afirmou o deputado espanhol do Partido Popular Europeu (PPE) Agustín Díaz de Mera, cuja bancada apoiou a lei.

Nove países --Reino Unido, Suécia, Grécia, Dinamarca, Finlândia, Estônia, Irlanda, Malta e Holanda-- atualmente não têm nenhum período máximo de retenção dos imigrantes ilegais, por isso estes podem ficar internados de forma indefinida. A Espanha, com 40 dias, é ao lado da França e do Chipre um dos países nos quais o período de detenção é mais curto para os ilegais.

Já os socialistas não conseguiram superar as divisões, o que ficou demonstrado na votação, com vários deles favoráveis ao compromisso acordado. "Não é a vitória ou a derrota de ninguém. Podemos nos sentir satisfeitos de ter obtido pelo menos uma regulamentação européia", afirmou o social-democrata alemão Wolfgang Kreissldörfler, que votou a favor do texto e contra a determinação da bancada do PSE (Partido Socialista Europeu).

Para os críticos do texto, como a esquerda e parte dos socialistas, a lei provocará uma deterioração das condições de expulsão nos países da UE que atualmente têm uma legislação mais favorável. O eurodeputado comunista italiano Giusto Catania chamou a lei de "vergonha e insulto à cultura jurídica da Europa".

As novas regras integram um processo de organização e endurecimento da política migratória da UE, que deve ser acentuado durante a futura presidência francesa do bloco, no segundo semestre de 2008, com um "pacto europeu" estimulado por Paris.

Este pacto teria como eixos um "contrato de integração", que inclui a aprendizagem obrigatória da língua nacional para aqueles que desejam morar na Europa, o fim das regularizações em massa de ilegais e uma política comum de asilo.

Com Associated Press, Efe e France Presse

 

FolhaShop

Digite produto
ou marca