Mundo
19/06/2008 - 19h23

Anistia Internacional denuncia torturas e mortes no Zimbábue

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da Efe, em Johannesburgo
colaboração para a Folha Online

A Anistia Internacional (AI) denunciou nesta quinta-feira que 12 pessoas foram torturadas e mortas no Zimbábue, aparentemente por seguidores do partido do presidente do país, Robert Mugabe.

De acordo com o comunicado da AI divulgado em Johannesburgo, os corpos foram deixados em diferentes áreas e a maioria deles mostra sinais de que as vítimas foram torturadas por seus seqüestradores.

A organização pró-direitos humanos afirma que as vítimas foram seqüestradas por militantes do partido governista União Nacional Africana do Zimbábue-Frente Patriótica (Zanu-PF), que, em alguns casos, eram acompanhados de homens armados, supostamente agentes do governo.

A mulher do prefeito de Harare --Emmanuel Chiroto, opositor ao governo Mugabe-- também foi morta nesta quinta-feira, segundo a rede CNN de televisão.

O corpo de Abigail Chiroto, 27 anos, foi encontrado perto da casa do casal no norte de Harare, com marcas de violência. O filho de quatro anos de Abigail, que havia sido seqüestrado junto com a mãe, foi libertado sem ferimentos, informou a CNN.

Abigail é a terceira mulher de líderes opositores morta por governistas.

Quatro outras vítimas foram seqüestradas por jovens da Zanu-PF na casa de um conselheiro municipal eleito pelo partido opositor Movimento para a Mudança Democrática (MDC, na sigla em inglês) para o distrito de Chitungwiza. Entre elas estava o filho mais velho do funcionário.

O porta-voz oficial do MDC, Nelson Chamisa, disse à Agência Efe em Harare que os quatro seqüestrados em Chitungwiza, cerca de 20 quilômetros ao sul da capital, foram golpeados com barras de ferro, garrotes e culatras de fuzis.

Em seguida, foram levados a um caminhão por um grupo que se identificou como "veteranos da guerra" de independência do Zimbábue.

"Os corpos foram encontrados aos arredores de Chitungwiza e, no lugar, também havia cartuchos usados de armas de fogo, com as quais, provavelmente, foram assassinados", disse Chamisa.

Corpos

A Anistia Internacional acrescenta em seu comunicado que outros cinco corpos foram descobertos na província de Masvingo (sudeste do Zimbábue), outros dois no distrito Gokwe, na Província de Midlands (centro) e um em Harare.

Outra vítima, uma mulher, morreu hoje em um hospital de Harare após ser internada com graves ferimentos. Ela teria sido espancada por jovens da Zanu-PF enquanto estava no funeral de um parente em Buhera, 170 quilômetros ao sul da capital do Zimbábue.

A AI afirma ainda ter recebido informação de testemunhas em diferentes partes do país de que soldados do Exército zimbabuano percorrem as áreas rurais e ameaçam com suas armas os moradores das aldeias, ordenando que votem em Mugabe na segunda rodada das eleições presidenciais, no dia 27.

Mugabe enfrentará no pleito o líder do MDC, Morgan Tsvangirai, que venceu no primeiro turno, realizado em 29 de março, mas não obteve mais de 50% dos votos necessários para uma maioria direta, como indicam as leis eleitorais zimbabuanas.

A oposição venceu também nas eleições parlamentares realizadas no mesmo dia.

Em seu documento, a AI pede também que os líderes da Comunidade para o Desenvolvimento da África Austral (SADC, em inglês) convoquem uma reunião cúpula de emergência para tentar resolver a crescente situação de insegurança no Zimbábue.

 

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