Mundo
20/06/2008 - 07h50

McCain critica Obama por "faltar com a palavra" e recusar verba pública

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da Associated Press, em Washington

O provável candidato republicano John McCain não poupou críticas à decisão de seu rival democrata Barack Obama de recusar o sistema de financiamento público eleitoral. Ele acusou o democrata de voltar atrás com suas promessas.

A medida tomada por Obama permite que ela mantenha suas arrecadações recordes entre doadores privados --uma parte essencial da campanha presidencial na qual ele tem enorme vantagem sobre McCain.

Abandonando seu compromisso anterior de aceitar o dinheiro público, Obama arrisca, contudo, sua imagem de um candidato novo, que mudaria os caminhos pelo qual o dinheiro de Washington influencia as campanhas.

"Esta eleição é sobre muitas coisas. Também é sobre confiança. É sobre manter sua palavra", disse McCain, após o anúncio de Obama de que recusaria os cerca de US$ 84 milhões em verba pública.

O sistema,a de financiamento público foi construído para reduzir a influência do dinheiro privado --e consequentemente das grandes empresas e bilionários-- na política. A idéia é igualar a disputa para todos os candidatos, que recebem a mesma quantia para investidor em suas campanhas.

Por isso, aceitar o dinheiro impede que o candidato use doações particulares após ganhar oficialmente a nomeação partidária, o que vai acontecer nas convenções democrata (entre 25 e 28 de agosto) e republicana (entre 1º e 4 de setembro).

Para Obama, que arrecadou a quantia de US$ 272 milhões (R$ 444 milhões) até abril, segundo relatórios entregues à Comissão Eleitoral Federal, o sistema de financiamento público significaria uma redução significativa em seus gastos.

Para McCain, que conseguiu apenas US$ 90,5 milhões (R$ 148,6 milhões) até o mesmo mês, seria uma boa fonte de verbas.

A verba do sistema de financiamento público de campanha vem de contribuições de US$ 3 (R$ 4,80) que os cidadãos norte-americanos fazem voluntariamente, quando entregam seus impostos de renda.

Mudança

A decisão de Obama de recusar o dinheiro representa uma mudança na trajetória tradicional da política norte-americana. O primeiro candidato a recusar o financiamento foi o presidente George W. Bush, quando se candidatou pelo seu primeiro mandato, em 2000.

Os assessores de Obama afirmam que ele decidiu recusar o financiamento porque McCain já está gastando fundos arrecadados com doadores privados em sua campanha presidencial.

"Não é uma decisão fácil e especialmente porque eu apóio um sistema robusto de financiamento público das eleições", disse Obama aos seus colaboradores, em uma vídeo mensagem.

"Mas o financiamento público de eleições presidenciais como existe hoje está falido e nós encaramos oponentes que se tornaram mestres em usar este sistema quebrado", continua.

Obama afirmou que McCain e o Comitê Republicano Nacional usam contribuições de lobistas de Washington e comitês de ação política, que podem arrecadar quantias ilimitadas de dinheiro para comerciais de televisão que não passam pelo controle das campanhas. Eles são conhecidos como 527, em referência à seção do código de taxas dos Estados Unidos que governa tal grupo.

"E nós já vimos que ele não vai parar os boatos e os ataques de seus aliados no controle dos grupos 527 que gastarão milhões e milhões de dólares em doações ilimitadas", disse Obama.

Vários grupos de fiscalização de finanças de campanha pronunciaram desapontamento com a decisão de Obama. O Democracy 21 President Fred Wertheimer divulgou um comunicado em seu site em retaliação à decisão do democrata.

"Nós esperávamos que o senador Obama manteria a promessa pública que ele fez de aceitar o financiamento público e os limites de gasto na campanha presidencial", escreve.

No ano passado, Obama preencheu um questionário no qual ele comprometeu-se a "agressivamente buscar um acordo com o nomeado republicano pára preservar a eleição geral com financiamento público".

O advogado da campanha de Obama, Robert Bauer, disse que vai se encontrar com os advogados de McCain para discutir os termos de uso do sistema público de financiamento. Bauer adiantou, contudo, que as campanhas não concordam sobre os limites de gastos e sobre a presença de grupos externos nas convenção nacionais partidárias, que oficializam as candidaturas.

Comentários dos leitores
Luciano Edler Suzart (34) 09/10/2009 10h20
Luciano Edler Suzart (34) 09/10/2009 10h20
A situação é periclitante, se antigamente se concedia o Nobel da Paz a quem de algum modo, plantava a paz no mundo, hoje (dada a escassez de boa fé geral) se concede o prémio a quem não faz a guerra... Como diria o sábio Maluf: "Antes de entrar queria fazer o bem, depois que entei, o máximo que conseguí foi evitar o mal"
Só assim pra se justificar esse Nobel a Obama, ou podemos ver como um estímulo preventivo a que não use da força bélica que lhe está disponível contra novos "Afeganistões" do mundo.
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honório Tonial (2) 16/05/2009 21h47
honório Tonial (2) 16/05/2009 21h47
Considero ecelente vosso noticiario. Obrigado, aos 83 anos de mnha vida, 5 opiniões
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Marcello Sokal (73) 07/02/2009 12h01
Marcello Sokal (73) 07/02/2009 12h01
Óbvio que não poderiam aceitar,pois não teriam respostas claras para as legítimas questões do presidente iraniano,esse sim um verdadeiro estadista que sabe da verdade dos fatos e não tem receio de buscar responsabilizar os culpados. A política imperialista norte-americana é velha conhecida mas pessoas convenientemente "esquecem" disso - não respeitam a soberania das nações e se arvoram em ser os "defensores da liberdade" - é o país que mais se envolveu em guerras,revoluções,invasões e intervenções da história da humanidade.A única nação que já bombardeou outro país (na verdade cidades,repletas de civis inocentes) utilizando armas nucleares. O apoio norte-americano a Israel é uma vergonha, apoiando todo tipo de atrocidade possível,dando carta branca e fornecendo armas de alta tecnologia.
Em resumo: o grande vilão nisso tudo não é o Irã....mas tem tolo que prefere não ver influenciado pelo mentiroso american-way-of-life,lamentável.
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