Mundo
20/06/2008 - 12h48

Mulheres de presidenciáveis nos EUA ajudam a moldar imagem pública

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MÁRCIA SOMAN MORAES
Colaboração para a Folha Online

Com a corrida pela Presidência nos Estados Unidos definida em torno de Barack Obama e John McCain, enquanto as pesquisas mostram uma disputa acirrada, as mulheres dos dois prováveis candidatos entram em cena para angariar votos para seus maridos.

Sem exercerem, em geral, grande influência nas campanhas eleitorais, as mulheres e maridos dos candidatos tiveram uma participação significativa na corrida eleitoral deste ano.

Para Bruce Newmann, professor de marketing político da Universidade De Paul, em Chicago, os familiares --principalmente os cônjuges-- influenciam na imagem pública dos candidatos.

"O papel das mulheres é o de demonstrarem seu apoio, ficando sempre ao lado de seus maridos. Quando a disputa está muitos acirrada e as agendas ficam apertadas, elas podem fazer campanha no lugar dos maridos", disse Newmann em entrevista por telefone à Folha Online.

Segundo o analista, aparecer ao lado dos maridos é parte fundamental da estratégia de campanha nos EUA. Diante de eleitores americanos --que em geral pregam os valores tradicionais-- a imagem da família perfeita e bem-estruturada reflete um candidato confiável.

AP
Cindy McCain, left, looks at her husband Republican presidential candidate Sen. John McCain, R-Ariz., during a town hall meeting at the National Constitution Center in Philadelphia, Pa., Wednesday, June 11, 2008. (AP Photo/LM Otero) /// Democratic presidential candidate Sen. Barack Obama D-Ill., is introduced by his wife Michelle Obama, Friday, June 13,2008, prior to speaking at the Oakleaf Village retirement community in Columbus, Ohio. (AP Photo/Alex Brandon)
As candidatas à primeira-dama, Cindy McCain, (esq.) e Michele Obama; para analista, elas devem participar mais da campanha

"Esse é o principal papel das mulheres, o de apoiar e refletir os valores dos eleitores do país. Faz parte da construção da imagem dos candidatos", diz Newmann.

Mas embora sejam cruciais para o fortalecimento da imagem dos candidatos, suas mulheres raramente atuam no desenvolvimento estratégico de campanha.

Michelle Obama deixou claro desde o início que efetivamente não participaria de reuniões de planejamento ou de linha política. Cindy McCain manteve sua agenda ocupada com inúmeras entidades beneficentes e como herdeira de uma das maiores distribuidoras de cerveja do país.

"A regra é que as mulheres não tem impacto", explica Newmann. Mas em uma corrida presidencial que teve tudo para entrar na histórica política norte-americana, nem mesmo a atuação das mulheres foi como o normal".

Por enquanto, Obama parece estar se beneficiando mais de sua mulher do que McCain. Uma pesquisa do jornal "Washington Post" aponta que Michelle é mais popular que Cindy.

A mulher de Obama é vista como uma pessoa "sentimental e com personalidade", o que faz com que seja escolhida por 48% dos norte-americanos, enquanto apenas 39% dizem simpatizar com Cindy McCain.

Michelle

Quando o marido resolveu se candidatar, Michelle diz que temeu pelo que ocorreria à sua família. Com duas filhas pequenas, Malia, 9 e Sasha, 6, ela preocupava-se com a rotina familiar em meio a uma conturbada corrida presidencial. "O que me interessa são as coisas do dia-a-dia", diz ela.

Kiichiro Sato-13.jun.2008/AP
Michelle Obama apresenta seu marido e provável candidato democrata em Ohio
Michelle Obama apresenta seu marido e provável candidato democrata em Ohio

Formada em sociologia por Princeton e direito por Harvard, onde conheceu Obama, Michelle tem uma carreira sólida como administradora de um centro médico e tem um histórico no mínimo de tanto destaque quanto o de seu marido.

"Provavelmente por ser uma afro-americana vitoriosa, ela será observada de um modo diferente e mais cauteloso do que como olham para a mulher de um candidato caucasiano, como John McCain. Ela é advogada, formada em uma universidade de muito prestígio, isso atrai a atenção", afirma Newmann.

No começo da campanha de Obama, a atenção redobrada sobre Michelle trouxe impactos negativos para o senador. Quando começou a chamar a atenção da imprensa, Michelle participou de entrevistas e eventos, revelando detalhes da intimidade do casal, dizendo que Obama ronca, cheira mal de manhã e deixa meias sujas espalhadas pela casa. Isso deixou a equipe de Obama assustada, e muitos disseram que ela estava prejudicando a imagem do marido.

Mais tarde, satisfeita com o crescimento de Obama na campanha, afirmou que "pela primeira vez" em sua vida adulta estava realmente orgulhosa de seu país. "Ela fez alguns comentários críticos sobre sua percepção de onde o país está, e eu acredito que isso terá algum impacto negativo. Você não verá ela falando tanto nesta campanha pelas eleições gerais".

Mais contida, ela agora fala de assuntos de campanha, faz poucas aparições, e voltou ao papel de apoiadora do marido. "Durante a campanha pelas eleições gerais, ela falará menos, será muito controlada e guiada sobre o que dizer e quando dizer. Ela fará parte de um esforço de time para divulgar uma mensagem única", explica Newmann.

Cindy

Nesta quinta-feira, Cindy McCain declarou à CNN que "mulheres e membros da família deveriam ter alguma privacidade", o que reflete sua postura em relação à campanha do marido, McCain.

"Deve haver algum decoro restante na política e no jornalismo americano. Nossos maridos são os candidatos", disse ela.

Milionária e com muitos contatos na alta sociedade norte-americana, analistas apontam que Cindy ajudou a alavancar a candidatura e a campanha de McCain. Loira, alta, magra e com olhos claros, ela tem o perfil clássico de uma bela primeira-dama e fica sempre atrás de seu marido em grandes discursos ou visitas importantes.

David R. Lutman /Reuters
US Republican presidential candidate Senator John McCain (R-AZ) and his wife Cindy (R) wave to members of the National Rifle Association (NRA) as he appears at their annual convention in Louisville, Kentucky, May 16, 2008. REUTERS/David R. Lutman (UNITED STATES) US PRESIDENTIAL ELECTION CAMPAIGN 2008 (USA)
John McCain e sua mulher, Cindy, acenam aos presentes em evento no Kentucky

Para Newmann, a postura mais contida de Cindy é uma opção pessoal. "É uma escolha que eles fazem em sua campanha, como um casal", diz. Para uma mulher cuja fortuna é avaliada em US$ 100 milhões, não é difícil entender porque ela quer se manter longe da política.

Recentemente, os prováveis candidatos revelaram seus impostos de renda. Obama relatou os ganhos do casal, mas McCain revelou somente os seus ganhos, alegando que os impostos de renda de Cindy eram feitos separadamente.

O fato suscitou ainda mais boatos sobre o uso do dinheiro de Cindy para financiamento da campanha do marido e, após muitas críticas e intensa pressão, ela finalmente revelou que ganhou, em 2007, US$ 6 milhões.

Mas com as pesquisas indicando uma pequena margem a favor do rival, Cindy deve aparecer mais na campanha do marido e atuar diretamente para conquistar eleitores.

"Ela escolheu ter um papel secundário até agora, e minha expectativa é que fique mais visível para desenhar McCain como um homem dos novos tempos, que divide o palco com a mulher, do jeito que Obama faz", afirma Newmann.

Marido

Entre os maridos e mulheres dos pré-candidatos, o que mais se destacou na campanha pelas primárias foi Bill Clinton, marido da ex-pré-candidata democrata Hillary Clinton e ex-presidente dos EUA por dois mandatos.

21.abr.2008 - Elise Amendola/AP
Casal Clinton em campanha; para analista, Hillary sofreu a "maldição dos líderes"
Casal Clinton em campanha; para analista, Hillary manteve imagem independente

"Por um lado, seu marido teve um papel significativo em desenhar o status da sua candidatura. Por outro lado, ele teve um papel agressivo de tentar ser o alvo dos ataques negativos de seu oponente, Obama", avalia o professor.

Com dois populares mandatos em seu histórico, Bill não apenas apoiou a mulher como participou ativamente do desenvolvimento estratégico da campanha, e foi um de seus maiores cabos eleitorais.

Ele foi o centro de inúmeras críticas a Obama e fez comentários considerados polêmicos. "Ele tinha o papel de um candidato a vice na chapa, centrar os ataques aos rivais para não queimar a imagem do candidato", afirma Newmann.

Muitos analistas culpam a forte imagem e atuação de Bill Clinton na campanha da mulher pela sua derrota na disputa pela nomeação. Eles dizem que Hillary ficou "à sombra" do marido famoso.

Para Newmann, Hillary não pagou o preço dos erros do marido. "Eu acredito que ela conseguiu se estabelecer como uma pessoa independente. Eles foram cuidadosos em não deixar ele cumprir um papel muito visível. O papel dele era atacar Obama, agüentar as críticas e tentar levantar os aspectos negativos do rival", diz.

Comentários dos leitores
Luciano Edler Suzart (34) 09/10/2009 10h20
Luciano Edler Suzart (34) 09/10/2009 10h20
A situação é periclitante, se antigamente se concedia o Nobel da Paz a quem de algum modo, plantava a paz no mundo, hoje (dada a escassez de boa fé geral) se concede o prémio a quem não faz a guerra... Como diria o sábio Maluf: "Antes de entrar queria fazer o bem, depois que entei, o máximo que conseguí foi evitar o mal"
Só assim pra se justificar esse Nobel a Obama, ou podemos ver como um estímulo preventivo a que não use da força bélica que lhe está disponível contra novos "Afeganistões" do mundo.
sem opinião
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honório Tonial (2) 16/05/2009 21h47
honório Tonial (2) 16/05/2009 21h47
Considero ecelente vosso noticiario. Obrigado, aos 83 anos de mnha vida, 5 opiniões
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Marcello Sokal (73) 07/02/2009 12h01
Marcello Sokal (73) 07/02/2009 12h01
Óbvio que não poderiam aceitar,pois não teriam respostas claras para as legítimas questões do presidente iraniano,esse sim um verdadeiro estadista que sabe da verdade dos fatos e não tem receio de buscar responsabilizar os culpados. A política imperialista norte-americana é velha conhecida mas pessoas convenientemente "esquecem" disso - não respeitam a soberania das nações e se arvoram em ser os "defensores da liberdade" - é o país que mais se envolveu em guerras,revoluções,invasões e intervenções da história da humanidade.A única nação que já bombardeou outro país (na verdade cidades,repletas de civis inocentes) utilizando armas nucleares. O apoio norte-americano a Israel é uma vergonha, apoiando todo tipo de atrocidade possível,dando carta branca e fornecendo armas de alta tecnologia.
Em resumo: o grande vilão nisso tudo não é o Irã....mas tem tolo que prefere não ver influenciado pelo mentiroso american-way-of-life,lamentável.
13 opiniões
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