Líder da oposição desiste de 2º turno no Zimbábue
da Folha Online
O líder da oposição do Zimbábue, Morgan Tsvangirai, anunciou neste domingo que não participará do segundo turno da eleição presidencial contra o presidente Robert Mugabe --no poder desde 1980-- por causa da crescente onda de violência e intimidação contra seu partido, o Movimento pela Mudança Democrática (MDC).
| Tsvangirayi Mukwazhi/AP |
![]() |
| Morgan Tsvangirai anuncia saída da disputa para a Presidência do Zimbábue |
Tsvangirai anunciou sua decisão em uma entrevista coletiva na capital zimbabuana, Harare, após milhares de militantes do partido do atual governo terem bloqueado o local do principal comício da oposição, que seria realizado neste domingo. Ontem, o Supremo Tribunal derrubou uma decisão da polícia que proibia a realização do evento.
"Condições como as de hoje não permitem que a eleição tenha credibilidade", disse Tsvangirai. "Por causa da totalidade dessas circunstâncias, nós acreditamos que é impossível uma eleição confiável. Não podemos pedir para que as pessoas votem no dia 27 de junho quando [sabemos que] aquele voto custará suas vidas. Não participaremos mais da eleição", disse.
Tsvangirai ainda acrescentou: "Mugabe declarou guerra e não seremos parte desta guerra. Nossa vitória é certa, mas pode apenas ser adiada". Ele disse também que é responsabilidade das Nações Unidas garantir que a população do Zimbábue esteja protegidas da violência no país.
Segundo Tsvangirai, ele apresentará, na próxima quarta-feira (25), propostas sobre como levar o país adiante, sem dar detalhes.
O ministro da Justiça do Zimbábue, Patrick Chinamasa, disse que o país continuará com o processo eleitoral marcado para a próxima sexta-feira a menos que Tsvangirai retire formalmente sua candidatura.
| Arte Folha Online |
![]() |
"Tsvangirai deve escrever formalmente à Comissão Eleitoral do Zimbábue alertando que está se retirando da corrida presidencial e que na eleição haverá apenas um candidato, o que significa que não será uma disputa. Se ele não o fizer, as eleições irão acontecer", disse.
Tsvangirai venceu o primeiro turno das eleições no dia 29 de março, mas não conseguiu o número de votos suficiente para eliminar um segundo pleito. As tentativas de Tsvangirai de percorrer o país fazendo campanha estavam sendo interrompidas pela polícia em bloqueios nas estradas. Ele já foi detido ao menos quatro vezes.
Grupos de direitos humanos independentes dizem que 85 pessoas morreram vítimas da violência política pré-eleitoral, que também deslocou dezenas de milhares de pessoas de suas casas. O MDC acusa o partido de Mugabe, que nega as acusações.
Com Reuters e Associated Press
Leia mais
- Entenda a crise política do Zimbábue
- Central sindical do Zimbábue diz que rejeitará eleição fraudulenta
- Mugabe diz que oposição mente sobre violência política no Zimbábue
- Presidente do Zimbábue diz que "só Deus" poderá tirá-lo do poder
- UE ameaça Zimbábue com novas sanções por causa da violência
- Partido de oposição no Zimbábue ameaça retirar candidatura
- Quatro ativistas de oposição a Mugabe são mortos no Zimbábue
Livraria da Folha
- Zimbábue já teve nome de milionário; conheça a origem do nome do país
- Livro explica mudanças que marketing eleitoral trouxe às eleições; leia capítulo
- LIVRARIA: Série com CDs ensina inglês, francês e outras línguas em 15 minutos ao dia
Especial



