Mundo
22/06/2008 - 12h00

Entenda a crise política do Zimbábue

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da Folha Online

No último dia 29 de março, o partido governante, União Nacional Africana do Zimbábue - Frente Patriótica (Zanu-PF), do ditador Robert Mugabe --que está na Presidência do país desde 1980-- enfrentou nas urnas o opositor Movimento pela Mudança Democrática (MDC, na sigla em inglês), do líder Morgan Tsvangirai.

Arte Folha Online
mapa zimbábue

Poucos dias após o pleito, a Comissão Eleitoral anunciou que o MDC obteve maioria na Câmara Baixa do Parlamento, nas eleições legislativas, conseguindo 109 cadeiras, contra 97 do Zanu-PF. Apesar de divulgar o resultado das eleições legislativas, a Comissão Eleitoral demorou mais de um mês para anunciar a vitória da oposição também nas eleições presidenciais.

Durante este período, a oposição entrou com recursos na Justiça pedindo a divulgação dos resultados e denunciava agressões, prisões e assassinatos que teriam sido cometidos pelos aliados de Mugabe.

A polícia zimbabuana prendeu, inclusive, dois jornalistas estrangeiros que acompanhavam o pleito. Eles foram libertados alguns dias depois de pagarem fiança.

Mais de um mês após as eleições, no dia 2 de maio, a Comissão Eleitoral anunciou que o líder da oposição havia vencido as eleições presidenciais com 47,9% dos votos. Apesar disso, informa que Tsvangirai não obteve a maioria necessária para evitar um segundo turno com o presidente Robert Mugabe, que tenta se manter no cargo que ocupa há 28 anos.

Tsvangirayi Mukwazhi/AP
Morgan Tsvangirai anuncia saída da disputa para a Presidência do Zimbábue
Morgan Tsvangirai anuncia saída da disputa para a Presidência do Zimbábue

Várias organizações de ajuda humanitária começaram a denunciar abusos do partido governante do Zimbábue. A Human Rights Watch (HRW) disse que o governo instalou centros de detenção onde está "batendo, torturando e intimidando" ativistas da oposição. A Anistia Internacional (AI) afirmou que 12 pessoas foram torturadas e mortas no Zimbábue, aparentemente por seguidores do partido de Mugabe.

No começo de junho, o governo do Zimbábue suspendeu por tempo indefinido todo o trabalho de campo de grupos de ajuda humanitária e organizações não governamentais, acusando-as de fazer campanha para a oposição.

Um grupo de diplomatas britânicos e americanos foi preso, ameaçado e liberado, depois de terem visitado vítimas de violência política no país.

Philimon Bulawayo/Reuters
O presidente do Zimbábue, Robert Mugabe, acusado de promover uma onda de violência
O presidente do Zimbábue, Robert Mugabe, acusado de promover uma onda de violência

A polícia também prendeu, ao menos quatro vezes, o líder da oposição enquanto ele fazia campanha para o segundo turno. A milícia de Mugabe ainda foi acusada de queimar viva a mulher de Patson Chipiro --líder no distrito de Mhondoro do partido de oposição ao governo zimbabuano.

Neste domingo (22), cinco dias antes da eleição, o líder da oposição, pressionado, anunciou que não participará do segundo turno da eleição presidencial contra Mugabe por causa da crescente onda de violência e intimidação contra seu partido.

"Não podemos pedir para que as pessoas votem no dia 27 de junho quando [sabemos que] aquele voto custará suas vidas. Não participaremos mais da eleição", disse Tsvangirai.

 

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