Mundo
23/06/2008 - 00h51

Saída do líder da oposição no Zimbábue é deprimente, diz Ban Ki-moon

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da Folha Online
da France Presse, em Nova York

O secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, considerou neste domingo que a retirada do líder da oposição do Zimbábue à eleição presidencial, Morgan Tsvangirai, é um episódio deprimente e um "mau presságio" para o futuro do país.

Algumas horas antes, os Estados Unidos haviam anunciado que queriam levar ao Conselho de Segurança das Nações Unidas a situação política no país africano, após o afastamento de Morgan Tsvangirai.

22.jun.08/Tsvangirayi Mukwazhi/AP
Morgan Tsvangirai, líder da oposição no Zimbábue, desistiu de candidatura; secretário da ONU diz que episódio é deprimente
Morgan Tsvangirai, líder da oposição no Zimbábue, desistiu de candidatura; secretário da ONU diz que episódio é deprimente

Tsvangirai renunciou neste domingo e atribuiu a renúncia à crescente onda de violência e intimidação contra seu partido, o Movimento pela Mudança Democrática (MDC). Grupos de direitos humanos independentes dizem que 85 pessoas morreram vítimas da violência política pré-eleitoral.

O líder da oposição do Zimbábue deixou a disputa afirmando que um segundo turno não seria confiável. "Condições como as de hoje [deste domingo] não permitem que a eleição tenha credibilidade", disse Tsvangirai.

"Por causa da totalidade dessas circunstâncias, nós acreditamos que é impossível uma eleição confiável. Não podemos pedir para que as pessoas votem no dia 27 de junho quando [sabemos que] aquele voto custará suas vidas. Não participaremos mais da eleição", afirmou o líder da oposição.

Tsvangirai anunciou sua decisão em uma entrevista coletiva na capital zimbabuana, Harare, após milhares de militantes do partido do atual governo terem bloqueado o local do principal comício da oposição, que seria realizado neste domingo. No sábado, o Supremo Tribunal derrubou uma decisão da polícia que proibia a realização do evento.

Reeleição

Com a desistência, o atual chefe de Estado Robert Mugabe é automaticamente reeleito. Mugabe, que está no poder desde 1980, é o mais antigo presidente da África.

"Não continuaremos participando desta farsa violenta e ilegítima deste processo eleitoral", assegurou.

Segundo Tsvangirai, Mugabe "declarou guerra ao afirmar que as balas de fuzil prevalecem sobre as cédulas de votação".

Mugabe e Tsvangirai disputariam na próxima sexta-feira o segundo turno das eleições presidenciais, quase dois meses depois do primeiro duelo e de várias semanas de violência política.

União Européia

O alto representante de Política Externa e Segurança Comum da União Européia (UE), Javier Solana, disse neste domingo que é inaceitável a campanha de violência e intimidação perpetrada pelas autoridades do Zimbábue durante as eleições presidenciais no país.

Solana afirmou que as eleições no país viraram uma "paródia de democracia", no mesmo dia em que Morgan Tsvangirai, principal adversário do presidente Robert Mugabe, abdicou de sua candidatura.

Em um comunicado, Solana afirmou que a desistência de Tsvangirai no segundo turno das eleições é compreensível, dada a atual situação.

"Nestas condições, estas eleições, certamente indignas da África de hoje em dia, se transformaram em uma paródia da democracia", afirmou o chefe da diplomacia européia no comunicado.

 

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