Mundo
23/06/2008 - 08h55

Lideranças reagem à crise no Zimbábue; Brasil cancela envio de missão

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da Folha Online

Líderes de entidades internacionais e chefes de governo de todo o mundo criticaram o processo eleitoral no Zimbábue e lamentaram a saída do líder da oposição, Morgan Tsvangirai, da disputa eleitoral no país. Tsvangirai disputaria a Presidência do país na próxima sexta-feira com o atual presidente Robert Mugabe --no poder desde 1980.

Tsvangirai anunciou neste domingo que não participará do segundo turno da eleição presidencial contra Mugabe por causa da crescente onda de violência e intimidação contra seu partido, o Movimento pela Mudança Democrática (MDC). "Não podemos pedir para que as pessoas votem no dia 27 de junho quando [sabemos que] aquele voto custará suas vidas", disse ontem.

Tsvangirayi Mukwazhi/AP
Morgan Tsvangirai anuncia saída da disputa para a Presidência do Zimbábue
Morgan Tsvangirai anuncia saída da disputa para a Presidência do Zimbábue

Após a saída de Tsvangirai, o governo brasileiro determinou a suspensão da missão de observadores eleitorais que, a convite do governo zimbabuano e estimulado por países da região, enviaria ao Zimbábue. O Brasil lamentou a saída de Tsvangirai e criticou o governo do atual presidente.

A informação foi confirmada por uma nota emitida neste domingo pelo Ministério das Relações Exteriores, que também "lamenta que a situação tenha chegado ao ponto de motivar a desistência do candidato opositor".

"Ao condenar os atos de violência, [o governo brasileiro] exorta as partes, especialmente o governo do Zimbábue, a propiciar um ambiente de calma e tranqüilidade, em que a vontade do povo zimbabuano possa expressar-se democraticamente", diz o texto.

"O governo brasileiro acompanha com interesse a discussão do tema no âmbito da Comunidade para o Desenvolvimento da África Austral (SADC) e espera que a reunião de ministros do Exterior convocada para o dia 23 de junho aponte caminhos que permitam a normalização do processo eleitoral, com a participação plena e livre das forças políticas zimbabuanas", conclui a nota.

Lideranças

O ministro de Relações Exteriores alemão, Frank-Walter Steinmeier, qualificou de "farsa" a democracia no Zimbábue e lamentou a retirada de Tsvangirai do segundo turno. "Onde o povo teme por sua vida porque vota na oposição a democracia é uma farsa", disse, em uma nota divulgada pelo ministério.

Arte Folha Online
mapa zimbábue

"A retirada forçada de Morgan Tsvangirai representa um grave revés para o Zimbábue e toda a região. As circunstâncias de sua decisão me enchem de profunda preocupação", acrescentou.

Já o primeiro-ministro da Austrália, Kevin Rudd, pediu sanções contra o regime do "governo brutal" de Robert Mugabe. Ele citou que, desde 2002, a Austrália nega vistos aos altos funcionários do Zimbábue e proíbe que seus filhos estudem em universidades australianas.

"Nós encorajamos o resto dos países a que apliquem sanções similares", disse Rudd. Para ele, eleições justas no país africano são impossíveis devido à violência que o presidente usa contra a população.

ONU e UE

O secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, considerou neste domingo que a retirada de Tsvangirai é um episódio deprimente e um "mau presságio" para o futuro do país.

Philimon Bulawayo/Reuters
O presidente do Zimbábue, Robert Mugabe, acusado de promover uma onda de violência
O presidente do Zimbábue, Robert Mugabe, acusado de promover uma onda de violência

Já para o representante de Política Externa e Segurança Comum da União Européia, Javier Solana, é inaceitável a campanha de violência e intimidação perpetrada pelas autoridades do Zimbábue durante as eleições presidenciais no país.

Solana afirmou que as eleições no país viraram uma "paródia de democracia", no mesmo dia em que Morgan Tsvangirai, principal adversário do presidente Robert Mugabe, abdicou de sua candidatura.

"Nestas condições, estas eleições, certamente indignas da África de hoje em dia, se transformaram em uma paródia da democracia", afirmou o chefe da diplomacia européia no comunicado.

Algumas horas antes, os Estados Unidos haviam anunciado que queriam levar ao Conselho de Segurança das Nações Unidas a situação política no país africano, após o afastamento de Morgan Tsvangirai.

Violência

O líder da oposição do Zimbábue deixou a disputa afirmando que um segundo turno não seria confiável. "Condições como as de hoje [deste domingo] não permitem que a eleição tenha credibilidade", disse Tsvangirai.

"Por causa da totalidade dessas circunstâncias, nós acreditamos que é impossível uma eleição confiável. Não podemos pedir para que as pessoas votem no dia 27 de junho quando aquele voto custará suas vidas. Não participaremos mais da eleição", afirmou o líder da oposição.

Tsvangirai venceu o primeiro turno das eleições no dia 29 de março, mas não conseguiu o número de votos suficiente para eliminar um segundo pleito. As tentativas de Tsvangirai de percorrer o país fazendo campanha estavam sendo interrompidas pela polícia em bloqueios nas estradas. Ele já foi detido ao menos quatro vezes.

Com agências internacionais

 

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