União Européia decide bloquear fundos de banco iraniano
colaboração para a Folha Online
Os países-membros da União Européia (UE) decidiram nesta segunda-feira impor novas sanções contra o Irã --incluindo o congelamento de fundos do maior banco do país-- alegando que Teerã negou-se a atender a restringir seu programa nuclear.
No entanto, os países europeus disseram que "continuam abertas" as possíveis conversas sobre o pacote de incentivos oferecido a Teerã no início deste mês pelo chefe da política externa da UE, Javier Solana, para que o país suspenda o enriquecimento de urânio.
As novas sanções -- que fazem parte da mais recente tentativa dos países ocidentais de pressionar o Irã a frear o seu programa nuclear--- devem se focar em pessoas e empresas que supostamente teriam ligações com os programas nuclear e balísticos iranianos.
"Essas pessoas serão proibidas de entrar na União Européia, e as entidades serão proibidas de atuar na região", disse um oficial do bloco, que preferiu não ter o nome revelado, após a reunião de ministros europeus em Luxemburgo.
A UE deve divulgar os nomes dos afetados pelas sanções nesta terça-feira, mas, segundo o oficial, o banco Melli irá enfrentar um congelamento de fundos, enquanto o bloqueio de entrada na UW irá atingir altos especialistas dos programas nuclear e balístico do Irã.
"Os impactos serão as importações mais caras", disse o analista iraniano Saeed Laylaz sobre as conseqüências das ações contra o Banco Melli, um garantidor fundamental das exportações do país. "A economia do Irã vai ser mais dependente do mercado chinês", acrescentou, apontando a crescente transferência de foco do Irã para a Ásia.
Ele diz que a participação do mercado europeu no comércio iraniano é hoje de 25% a 30%, contra cerca do dobro dessa taxa há cinco anos.
O banco Melli tem divisões em Paris e Hamburgo e uma unidade em Londres, o Melli Bank Plc. Uma fonte próxima à subsidiária disse que está procurando informações com autoridades britânicas para saber se as sanções também se aplicam a ela.
Sanções
Segundo o oficial da UE, as sanções são baseadas em medidas que tiveram a concordância com o Conselho de Segurança da ONU e das seis potências --os cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU mais a Alemanha-- ainda à procura de uma resposta do Irã aos incentivos ofertados.
Os Estados Unidos e a União Européia decidiram este mês que estavam prontos a tomar novas medidas visando assegurar que bancos iranianos não possam financiar a proliferação de armas nucleares e o terrorismo. Diplomatas informaram que há conversas exploratórias no Ocidente sobre a possibilidade de mirar o setor de energia do Irã com futuras sanções.
O Irã alega que desenvolve um programa nuclear com fins pacíficos, mas a disputa desperta o temor de um conflito militar e ajuda a levar o preço do petróleo a níveis recordes.
O ministro do petróleo do Irã tem aproveitado a maré de preços altos para garantir vendas de US$ 6 bilhões por mês, e o ministro interino da Economia, Hossein Samsami, disse no fim de semana que as sanções existentes não estavam causando grandes impactos na economia do país.
O semanário iraniano "Shahrvand e Emrooz" publicou neste mês que o país havia retirado US$ 75 bilhões da Europa para evitar que os fundos fossem bloqueados, mas Samsani tentou diminuir o impacto da notícia, insistindo que a situação não era tão séria.
Incentivos
Os novos incentivos oferecidos são baseados em uma versão atualizada dos que foram rejeitados pelo Irã em 2006 e incluem auxílio para desenvolver um programa nuclear civil e benefícios comerciais.
Diplomatas disseram na sexta-feira que as potências ofereceram ao Irã conversações preliminares sobre o programa nuclear, sob a condição de que o país limitasse o enriquecimento aos níveis atuais por seis semanas em troca de uma pausa nos movimentos em direção a sanções mais duras.
Anteriormente, o Irã dissera que estava encorajado pelas semelhanças entre a oferta e propostas que havia sugerido para apagar o estopim da crise, mas novamente rejeitou suspender o enriquecimento de urânio.
Ação militar
Os Estados Unidos dizem que estão focados em pressionar diplomaticamente, mas não descartam a ação militar como último recurso.
Na sexta-feira, o jornal "The New York Times", citando um oficial americano, disse que Israel havia conduzido um grande exercício militar, aparentemente como uma preparação para um potencial bombardeio das instalações nucleares iranianas.
Segundo o jornal, o ministro da defesa do Irã disse no domingo que o país daria uma reposta "devastadora" a qualquer ataque, e o chefe da AIEA (Agência Internacional de Energia Atômica), Mohamed El Baradei, alertou que um ataque ao Irã poderia transformar o Oriente Médio em uma bola de fogo.
com Reuters
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