Mundo
23/06/2008 - 16h59

Refugiado, líder opositor do Zimbábue pede anulação das eleições

Publicidade

colaboração para a Folha Online

O líder da oposição do Zimbábue, Morgan Tsvangirai, pediu nesta segunda-feira à comunidade internacional que declare nula a eleição presidencial de seu país e que seja organizado um novo pleito, em entrevista divulgada pela rede de televisão CNN.

"Pedimos que (a comunidade internacional) intenha para que as eleições sejam anuladas e que seja organizado um novo "escrutínio especial em uma atmosfera livre e justa", disse Tsvangirai.

Arte Folha Online
mapa zimbábue

O líder da oposição --que ontem anunciou que não participará do segundo turno da eleição contra o presidente Robert Mugabe-- buscou refúgio na Embaixada da Holanda em Harare.

O Ministério de Relações Exteriores da Holanda informou que Tsvangirai não pediu asilo, mas apresentou pedido de proteção para manter sua segurança. Ainda não houve confirmação de seu partido, o Movimento pela Mudança Democrática (MDC).

"Tsvangirai realmente perguntou, através do MDC, seu partido, se a Holanda estaria disponível para dar a ele segurança nos próximos dias", disse o ministro de Relações Exteriores holandês Maxime Verhagen à CNN.

ONU

O secretário-geral da ONU (organização das Nações Unidas), Ban Ki-Moon, pediu nesta segunda-feira que seja adiado o segundo turno das eleições presidenciais no Zimbábue, devido ao clima de violência do país, que levou Tsvangirai a retirar sua candidatura.

"Desaconselho com firmeza as autoridades a seguirem a diante com o segundo turno na sexta-feira", disse Ki-Moon a jornalistas. "Isso só aprofundaria as divisões do país. Há muita violência e intimidações (...) uma eleição nessas condições estaria desprovida de toda legitimidade", acrescentou.

Lefteris Pitarakis/AP
Manifestantes protestam contra o governo do Zimbábue em frente à embaixada em Londres
Manifestantes protestam contra o governo do Zimbábue em frente à embaixada em Londres

O embaixador da França na ONU, Jean-Maurice Ripert, pediu que o Conselho de Segurança da organização condene a violência no Zimbábue e o governo do país africano e acrescentou que espera a adoção de uma declaração que exija o "fim imediato da violência e a liberação dos presos políticos", além da "garantia de Mugabe que irá permitir eleições livres e a liberdade de circulação para trabalhadores humanitários".

O primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, afirmou nesta segunda-feira que a comunidade internacional deve enviar ao Zimbábue uma "mensagem potente e unânime" que diga "não reconhecer jamais o regime ilegítimo" de Mugabe.

A secretária de Estado norte-americana, Condoleezza Rice, também condenou a onda de violência e afirmou que o governo do Zimbábue não pode ser considerado legítimo sem um segundo turno.

"O regime de Mugabe não pode ser considerado legítimo com a falta de um segundo turno. Na falta dos mais básico princípio de governança, a proteção da população, o governo do Zimbábue deve explicações para a comunidade internacional", disse Rice.

Operação

Mais cedo, o MDC disse que a polícia invadiu a sede do partido em Harare e levou mais de 60 pessoas. O partido afirma que cerca de 90 de seus partidários foram mortos por milícias que apóiam o presidente Mugabe. Entre os detidos estão mulheres e crianças.

AP
Policiais esperam do lado de fora da sede do partido opositor em Harare
Policiais esperam do lado de fora da sede do partido opositor em Harare

A operação, a maior lançada pelas forças governamentais contra o MDC, teve a participação de dezenas de membros das forças de segurança fortemente armados, que detiveram os que estavam na sede do partido e os colocaram em um ônibus policial, disse o porta-voz da oposição, Nelson Chamisa.

Segundo Chamisa, entre os detidos estão simpatizantes do MDC que tinham ido à sede central do partido após serem atacados e feridos por simpatizantes da governamental União Nacional Africana do Zimbábue-Frente Patriótica (Zanu-PF).

"Detiveram todos os que se encontravam no edifício, incluindo aqueles que tinham vindo em busca de assistência médica. A polícia está tentando destruir as provas de sua brutalidade", disse à Efe o porta-voz do MDC.

Fontes policiais disseram, no entanto, que as forças de segurança só tinham detido os que se refugiaram na sede do partido opositor, após ter "cometido crimes" nos arredores de Harare.

"Alguns deles nem sequer são empregados dos escritórios (do MDC). Estamos investigando alguns dos casos e colocaremos em liberdade os que não tiverem cometido nenhum crime", afirmou o porta-voz policial, Wayne Bvudzijena.

Crise

A preocupação se eleva dentro e fora da África com a crise política e econômica do Zimbábue, que fez com que milhares de refugiados fugisse aos países vizinhos. Tanto a União Africana quanto a Comunidade para o Desenvolvimento da África Austral estão discutindo a situação após a desistência de Tsvangirai.

Taurai Maduna/Efe
O líder da oposição, Morgan Tsvangirai, que anunciou saída da disputa presidencial
O líder da oposição, Morgan Tsvangirai, que anunciou saída da disputa presidencial

O líder opositor Tsvangirai afirmou à rádio sul-africana 702: "Estamos preparados para negociar com o Zanu-PF, mas é claro que é importante que certos princípios sejam aceitos antes do início das negociações. Uma das precondições é que a violência contra o povo tenha fim."

Mugabe, 84, está no poder desde a independência do Reino Unido, em 1980. Ele prometeu nunca entregar o governo para a oposição, qualificada por ele de marionete do Ocidente.

Ele nega que seus partidários sejam responsáveis pela violência, que teve início após Mugabe perder as eleições realizadas em 29 de março. Tsvangirai venceu o primeiro turno, mas não conseguiu o número de votos suficiente para eliminar um segundo pleito. As tentativas de Tsvangirai de percorrer o país fazendo campanha estavam sendo interrompidas pela polícia em bloqueios nas estradas. Ele já foi detido ao menos quatro vezes.

Com Associated Press, Efe e France Presse

 

FolhaShop

Digite produto
ou marca