Mundo
23/06/2008 - 20h34

ONU condena violência no Zimbábue; líder opositor segue refugiado

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colaboração para a Folha Online

O Conselho de Segurança da ONU (Organização das Nações Unidas) desenvolve nesta segunda-feira um documento que condena a onda de violência no Zimbábue e declara que a realização de "eleições livres e justas foi impossível" em razão do tumulto e das restrições impostas à oposição, segundo diplomadas citados pela agência Reuters.

O texto foi acordado entre enviados dos 15 membros do Conselho, com exceção da Rússia e de um outro país, que ainda esperam a aprovação final de suas capitais.

Se adotado pelo Conselho de Segurança, o documento será a primeira ação formal contra a crise no Zimbábue.

Arte Folha Online
mapa zimbábue

O texto foi diluído de uma versão anterior, na qual o conselho culpava explicitamente o governo do presidente Robert Mugabe pela crise e afirmava que o líder de oposição, Morgan Tsvangirai, seria o líder legítimo se um segundo turno, planejado para sexta-feira (27), não pudesse ser realizado.

Um tenso debate foi travado no Conselho de Segurança nesta segunda-feira, com os líderes europeus pedindo uma decisão mais dura da ONU.

Potências ocidentais fizeram uma declaração afirmando que "até que haja um segundo turno justo, a única base legítima para o governo do Zimbábue é o resultado das eleições de 29 de março", quando Tsvangirai venceu, mas não obteve mais de 50% dos votos.

Mugabe retrucou as críticas e acusou o Reino Unido, os EUA e seus aliados de mentirem sobre a situação do país para justificar uma intervenção no Zimbábue, segundo meios de comunicação oficiais locais.

Refúgio

Tsvangirai, líder do Movimento para a Mudança Democrática (o opositor MDC), seguirá refugiado na embaixada da Holanda em Harare, segundo um porta voz do partido citado pela agência Efe.

"Tsvangirai também passará esta noite na embaixada holandesa", disse George Sibotshiwe, encarregado de comunicações no escritório de Tsvangirai, que não quis responder se outros diretores do MDC, incluindo ele mesmo, buscarão refúgio nessa ou em outras delegações diplomáticas.

Taurai Maduna/Efe
O líder da oposição, Morgan Tsvangirai, que anunciou saída da disputa presidencial
O líder da oposição, Morgan Tsvangirai, que anunciou saída da disputa presidencial

Segundo Sibotshiwe, "o assunto é muito sensível e não é possível dar mais informação até amanhã (terça-feira)".

O ministro de Assuntos Exteriores holandês, Maxime Verhagen, afirmou em Haia à agência de notícias "ANP" e à televisão estatal holandesa "NOS" que Tsvangirai se refugiou na embaixada no domingo, após anunciar que se retirava do segundo turno das eleições presidenciais.

Tsvangirai justificou sua saída do processo eleitoral afirmando que seus aliados arriscariam a vida se votassem e disse nesta segunda-feira que está pronto para negociar com o partido de Mugabe, o Zanu-PF (União Nacional Africana do Zimbábue-Frente Patriótica), mas só se a violência política for contida.

Ele também pressionou líderes regionais para que exijam o adiamento da eleição ou a renúncia de Mugabe, mas o governo afirmou que a desistência de Tsvangirai veio tarde demais para cancelar a eleição.

A preocupação se eleva dentro e fora da África com a crise política e econômica do Zimbábue, que fez com que milhares de refugiados fugissem aos países vizinhos. Tanto a União Africana quanto a Comunidade para o Desenvolvimento da África Austral também discutem a situação após a desistência de Tsvangirai.

Críticas

O governo do Zimbábue pediu para que o candidato opositor continue na disputa para o segundo turno das eleições e afirmou que a retirada de Tsvangirai do pleito pode ser uma estratégia para acentuar a pressão internacional sobre o presidente Robert Mugabe.

Pier Paolo Cito/AP
Aliados ao presidente Mugabe (foto) dizem ser "estratégica" a desistência de opositor
Aliados ao presidente Mugabe (foto) dizem ser "estratégica" a desistência de opositor

A decisão do líder opositor abriu caminho para a manutenção de Mugabe na Presidência --cargo que ocupa desde 1980--, mas tirou a legitimidade das eleições perante a comunidade internacional.

Ainda nesta segunda-feira, governistas minimizaram a desistência do rival, considerando que ela não é irreversível.

"É a décima vez que Tsvangirai ameaça se retirar do segundo turno das eleições presidenciais", afirmou o ministro da Justiça, Patrick Chinamasa, citado pelo jornal "The Herald".

O Zanu-PF "não leva a sério a ameaça", afirmou Chinamasa, que também é porta-voz do partido.

"Seguiremos em frente com nossa campanha para obter a vitória na sexta-feira (27), acrescentou ele.

Com Associated Press, Efe, France Presse e Reuters

 

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