Mundo
24/06/2008 - 09h03

Opositor do Zimbábue diz que deixará embaixada após garantia de segurança

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da Folha Online

O líder da oposição do Zimbábue, Morgan Tsvangirai, que buscou refúgio na embaixada holandesa em Harare após anunciar sua saída da disputa presidencial no domingo (22), afirmou que deverá deixar a embaixada nesta terça ou quarta-feira.

Tsvangirai fez as afirmações em entrevista a uma rádio holandesa. Ele disse que deverá deixar a embaixada entre hoje e amanhã, após receber garantias do governo do presidente Robert Mugabe que estará seguro.

O líder do Movimento pela Mudança Democrática (MDC, na sigla em inglês) afirmou que espera que eles cumpram o que estão dizendo. Segundo ele, o regime está agindo "irracionalmente" e que "a palavra deles nem sempre é algo em que se acreditar".

Tsvangirayi Mukwazhi/AP
Morgan Tsvangirai anuncia saída da disputa para a Presidência do Zimbábue
Morgan Tsvangirai anuncia saída da disputa para a Presidência do Zimbábue

Segundo o presidente do Senegal, Abdoulaye Wade, Tsvangirai estava fugindo de soldados do governo zimbabuano quando buscou refúgio na Embaixada da Holanda em Harare.

Wade fez as afirmações em um comunicado divulgado na noite desta segunda-feira sobre suas tentativas de intermediar a crise zimbabuana. Ele disse que tinha esperanças de persuadir o atual presidente do Zimbábue, Robert Mugabe, e Tsvangirai a dividirem o poder.

"Posso dizer que esse objetivo quase foi completamente destruído quando ouvi que soldados foram atrás de Morgan Tsvangirai em sua casa no domingo", afirmou.

Wade disse que só foi possível que Tsvangirai escapasse para a embaixada porque ele foi avisado minutos antes de os soldados chegarem. Tsvangirai anunciou no domingo que estava se retirando da disputa presidencial do segundo turno das eleições marcado para a próxima sexta-feira (27). Segundo ele, a violência política patrocinada pelo Estado contra seus apoiadores tornou o pleito impossível.

Em uma entrevista coletiva também ontem, o representante da polícia do Zimbábue Augustin Chihuri disse que nem Tsvangirai nem seu partido relataram ameaças e que a polícia não está perseguindo o político. "Morgan Tsvangirai não está sob ameaça de maneira nenhuma por parte dos zimbabuanos", disse.

O governo zimbabuano, por enquanto, disse que continuará com as eleições, com o nome de Tsvangirai na cédula eleitoral. Durante a campanha de ontem, Mugabe repetiu as acusações que Tsvangirai está sendo usado pelas potências ocidentais na tentativa de recolonizar o Zimbábue. O líder da oposição rejeita as acusações.

Tsvangirai venceu o primeiro turno das eleições no dia 29 de março, mas não conseguiu o número de votos suficiente para eliminar um segundo pleito. O governo de Mugabe é acusado de promover uma onda de violência política para permanecer no poder. Ele nega as acusações.

ONU

Arte Folha Online
mapa zimbábue

O Conselho de Segurança da ONU (Organização das Nações Unidas) condenou a violenta campanha contra a oposição ao governo do Zimbábue e afirmou que isso torna impossível que as eleições presidenciais de 27 de junho sejam "livres e justas".

O texto estipulado pelos 15 membros do principal órgão das Nações Unidas após intensas negociações pede que Harare dialogue para obter a formação de um governo "legítimo", mas sem exigir o adiamento do pleito, como queriam países ocidentais.

"O Conselho de Segurança, além disso, condena as ações do governo do Zimbábue com as quais foi negado aos opositores políticos o direito de fazer campanha em liberdade", e pede ao regime de Robert Mugabe "para interromper a violência".

O texto também pede ao governo zimbabuano para rever a decisão de proibir temporariamente as operações das organizações humanitárias, o que, segundo a ONU, colocou em risco mais de 1,5 milhão de pessoas que dependem desta assistência, devido à grave situação econômica do país.

A declaração adverte de que qualquer futuro governo em Harare "deve respeitar os interesses de todos os cidadãos" para ser legítimo e exige que sejam respeitados os resultados do primeiro turno, realizado em 29 de março, no qual venceu a oposição.

Em discurso no Conselho de Segurança, o subsecretário-geral da ONU para Assuntos Políticos, Lynn Pascoe, afirmou que a busca por refúgio do líder da oposição na embaixada holandesa leva a crise política zimbabuana a "um nível alarmante", após os assassinatos, agressões e restrições sofridos pela oposição.

"As condições para eleições livres e justas não existem e é nossa opinião que se deve adiar sua realização", acrescentou.

Pressão

A retirada de Tsvangirai da disputa provocou uma onda de reações de protesto, particularmente nas capitais ocidentais, que pediram que se aumente a pressão sobre o governo de Mugabe.

Philimon Bulawayo/Reuters
O presidente do Zimbábue, Robert Mugabe, acusado de promover uma onda de violência
O presidente do Zimbábue, Robert Mugabe, acusado de promover uma onda de violência

Fontes diplomáticas disseram que foi a gravidade da situação permitiu, pela primeira vez, superar a recusa da África do Sul a levar ao Conselho de Segurança o tema do Zimbábue, apesar do drama humanitário e político que o país vizinho vive nos últimos anos.

O pelo secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, desaconselhou com firmeza Harare seguir em frente com o segundo turno, ao considerar que "somente faria aprofundar a divisão no país e produzir resultados sem credibilidade".

Em um encontro com a imprensa anterior da reunião do Conselho, Ban Ki-moon exigiu o fim "da violência e da intimidação", porque "o povo zimbabuano tem o direito de viver em paz e em segurança". "A situação no Zimbábue é o maior desafio à segurança no sul da África", afirmou ele.

Com agências internacionais

 

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