Ditador do Zimbábue ignora pressão e diz que haverá 2º turno
Colaboração para a Folha Online
O ditador do Zimbábue, Robert Mugabe, afirmou nesta terça-feira que o segundo turno das eleições presidenciais será realizado na sexta-feira (27), apesar de a oposição ter se retirado formalmente da disputa eleitoral.
"Os países ocidentais podem reclamar, mas as eleições seguirão adiante. Aqueles que quiserem, podem reconhecer nossa legitimidade, já aqueles que não quiserem, que não reconheçam", disse Mugabe durante uma manifestação de seu partido, a União Nacional Africana do Zimbábue - Frente Patriótica (Zanu-PF).
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O principal partido opositor, Movimento pela Mudança Democrática (MDC, na sigla em inglês), confirmou hoje, por escrito, à Comissão Eleitoral do Zimbábue, que seu líder, Morgan Tsvangirai, não participará do segundo turno das eleições presidenciais.
Para Tsvangirai, "comícios livres e justos são impossíveis nas circunstâncias atuais". O candidato da oposição anunciou no domingo passado que iria se retirar da disputa. Segundo ele, participar do pleito significaria "agressões físicas e até morte para os seguidores do MDC".
Desde a noite de domingo (22), Tsvangirai está refugiado na Embaixada da Holanda em Harare. Ele diz não se sentir seguro nas ruas.
A Comissão Eleitoral do Zimbábue disse que não poderia aceitar a renúncia se não recebesse um comunicado por escrito.
Carta
O porta-voz oficial do MDC, Nelson Chamisa, disse que seu partido havia entregue esta tarde uma carta à Comissão Eleitoral na qual ratificava a retirada de Tsvangirai do segundo turno das eleições. Segundo Chamisa, a carta explica claramente as razões pelas quais o MDC, que venceu as eleições legislativas realizadas no último 29 de março, não deve participar do segundo turno da disputa pela Presidência.
O presidente da Comissão Eleitoral, George Chiweshe, não quis falar sobre a carta do MDC. "Somente farei comentários quando receber e ler a carta", disse.
Apesar de o primeiro turno ter ocorrido em março, com as eleições legislativas, a Comissão Eleitoral anunciou o resultado mais de um mês após a votação, no dia 2 de maio.
Tsvangirai venceu a primeira etapa com 47,9% dos votos. A derrota do governo deixou tensa a situação no país.
Durante e campanha para o segundo turno, o candidato da oposição foi preso pela polícia ao menos quatro vezes. A milícia de Mugabe, que ocupa o cargo há 28 anos, ainda foi acusada de queimar viva a mulher de Patson Chipiro --líder no distrito de Mhondoro do partido de oposição ao governo zimbabuano.
com Efe
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