Mundo
25/06/2008 - 08h56

Israel fecha passagens para Gaza em resposta a ataques palestinos

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da Folha Online

Menos de uma semana após o início de uma trégua na faixa de Gaza, Israel fechou todas as passagens fronteiriças pelas quais entram produtos na região em resposta aos ataques com foguetes realizados ontem a partir deste território palestino.

Um oficial do Exército israelense afirmou, segundo o jornal "Haaretz", que todas as passagens estão fechadas até um novo aviso. Segundo a agência de notícias Efe, que cita um porta-voz do Exército cujo nome não foi divulgado, apenas a passagem de Erez estaria aberta para o trânsito de pessoas.

Arte Folha Online
mapa gaza

Desde o início do cessar-fogo, Israel aumentou a quantidade de produtos que entram na faixa de Gaza em cerca de 30% (20%, segundo os palestinos), em virtude dos compromissos firmados com o Egito, que mediou a trégua. Antes do acordo, Israel mantinha praticamente fechadas as passagens fronteiriças a Gaza desde o meio do ano passado, quando o movimento extremista islâmico Hamas assumiu o poder na região.

O Hamas fala em violação da trégua por parte de Israel, uma acusação semelhante à feita ontem pelo primeiro-ministro israelense, Ehud Olmert, que qualificou os ataques palestinos como "flagrante violação". Apesar disso, o grupo se diz comprometido com o cessar-fogo.

"Israel prometeu não fechar as passagens fronteiriças e aliviar o bloqueio", afirmou o porta-voz do grupo, Fawzi Barhum, em um comunicado. O texto também afirma que o grupo segue comprometido a manter o cessar-fogo e apela "a todas as facções palestinas a exercitar a contenção e trabalhar para assegurar o êxito da trégua".

Apesar disso, o Hamas disse também que não irá agir como uma "força policial" para combater rebeldes que violarem o cessar-fogo. "Apesar de haver violação por outras facções, o Hamas enfatiza que está comprometido com a calma e está trabalhando para implementá-la", afirmou o líder do amas Khalil al Haya. "Mas não seremos uma polícia defendendo a fronteira da ocupação", acrescentou.

O grupo também pede ao Cairo que pressione Israel para que cesse suas ações militares e destacou uma série de violações por parte do governo israelense, incluindo dois disparos contra dois agricultores palestinos. Uma das vítimas, de 75 anos, ficou gravemente ferida nesta manhã.

Fechamento

O fechamento das passagens foi decidido ontem à noite pelo ministro da Defesa israelense, Ehud Barak, em resposta ao ataque de três foguetes e um morteiro a partir de Gaza contra o sul de israel. Três foguetes Qassam, de fabricação caseira e disparados por membros do Jihad Islâmico na faixa de Gaza, atingiram ontem o território israelense sem causar vítimas.

Apesar de o Jihad Islâmico ter dito que concordava com o acordo de cessar-fogo junto com as outras facções armadas palestinas e saber que a trégua não inclui a região da Cisjordânia, o grupo assumiu a autoria dos ataques de ontem e afirmou que eram uma reposta à morte de um de seus membros na cidade de Nablus (Cisjordânia), em uma operação das Forças de Defesa de Israel.

"O bombardeio é uma mensagem em resposta aos crimes da ocupação na Cisjordânia", afirmava em um comunicado. O grupo disse também que não "pode manter suas mãos atadas" quando seus irmãos estão sendo atingidos.

A trégua intermediada pelo Egito tem como objetivo imediato acabar com os confrontos que mataram vários israelenses e mais de 400 palestinos --muitos deles civis-- desde que o Hamas assumiu o controle de Gaza há um ano.

O cessar-fogo tinha como objetivo também fazer com que Israel diminuísse gradualmente o bloqueio imposto à Gaza --o que começou a ser feito durante o fim de semana. A segunda fase do pacto era focada na entrega do soldado israelense Gilad Shalit, que foi seqüestrado por grupos ligados ao Hamas em junho de 2006, há quase 2 anos. Em troca, Israel reabriria a principal passagem de Gaza, a de Rafah, que liga a área ao Egito.

Com Efe, Reuters e Associated Press

 

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