Após 3 dias, líder opositor no Zimbábue deixa Embaixada holandesa
da Folha Online
O líder da oposição no Zimbábue, Morgan Tsvangirai, deixou a Embaixada da Holanda, onde estava refugiado desde domingo (22), e rejeitou o segundo turno das eleições, marcadas para sexta-feira (27). Ele pediu que líderes africanos ajudem a dar fim à crise.
| Tsvangirayi Mukwazhi/AP |
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| Após três dias refugiado, líder opositor Morgan Tsvangirai deixa embaixada da Holanda no Zimbábue e volta a rejeitar eleições |
Tsvangirai, que é lider do Movimento pela Mudança Democrática (MDC, na sigla em inglês), disse que o objetivo do diálogo com líderes africanos seria a formação de um governo de transição para o Zimbábue.
Segundo ele, as negociações não poderão ter início antes do fim dos ataques a seus partidários, que a oposição atribui ao ditador Robert Mugabe, e da libertação de presos políticos, entre eles Tendai Biti, um dos principais líderes da oposição.
"É importante que ambos os partidos percebam que o país está em crise, e que a única solução é dialogar para encontrar uma saída", disse Tsvangirai após deixar a embaixada.
Ele estava refugiado na representação diplomática desde domingo, depois de anunciar que abandonaria a disputa presidencial. "A eleição não é a solução, e sim um processo de transição para enfrentar a crise no país. Estamos fazendo propostas a Mugabe", disse ele.
O ditador, no entanto, dá sinais de que não irá abandonar o poder. Tsvangirai alega ter vencido o primeiro turno das eleições presidenciais de 29 de março, embora os resultados oficiais divulgados pelo governo apontem que ele não alcançou os mais de 50% necessários.
O partido de Tsvangirai e seus aliados conseguiram o controle do Parlamento nas eleições de março passado, derrotando, la primeira vez desde a independência do país do Reino Unido, em 1980, o Zanu-PF (União Nacional Africana do Zimbábue - Frente Patriótica), de Mugabe.
O ditador parece ter a intenção de estender seu governo, que já dura quase 30 anos, e afirma que o segundo turno irá acontecer, apesar da pressão doméstica e internacional.
Coalizão
Embora Tsvangirai não tenha detalhado como funcionaria um governo de transição, ele já afirmou, no passado, que Mugabe não participaria da coalizão.
| Arte Folha Online |
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Ele afirmou que pediria que a União Africana (UA), cujos líderes de Estado devem se reunir nesta semana no Egito, atue como mediador na resolução da crise. Até então, tal papel vinha sendo desenvolvido pelo presidente sul-africano, Thabo Mbeki, e por um grupo sul-africano.
Tsvangirai já pediu anteriormente que Mbeki se afastasse do processo, acusando-o de agir em favor de Mugabe, e dizendo que a sua "diplomacia silenciosa" não estava tendo sucesso.
O líder opositor disse que a mediação da UA não seria uma "continuação do diálogo infrutífero dos últimos dias".
"O momento é de agir. O nosso povo e nosso país não podem mais esperar. Precisamos mostrar liderança", afirmou ele.
com Associated Press
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