Líder da oposição no Zimbábue rejeita diálogo com ditador Mugabe
da Folha Online
O líder da oposição no Zimbábue, Morgan Tsvangirai, disse nesta quinta-feira que não haverá negociação com o ditador Robert Mugabe caso ele mantenha o segundo turno das eleições presidenciais, marcado para amanhã. Segundo o opositor, se Mugabe se declarar presidente e estender seu governo --que já dura 28 anos-- ele poderá ser afastado como líder ilegítimo.
"As negociações terão terminado se Mugabe se declarar o vencedor e se considerar o presidente. Como poderemos negociar?", questionou Tsvangirai em entrevista ao "Times".
No entanto, Mugabe e sua equipe dizem que a votação irá ocorrer e é uma "obrigação legal".
| Efe |
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| Centenas de vítimas da violência política se refugiam em Embaixada da África do Sul |
O vice-ministro da Informação do Zimbábue, Bright Matonga, disse à rede de TV Al Jazira [Qatar]: "A população irá votar amanhã. Não voltaremos atrás".
Segundo ele, Tsvangirai deveria fazer campanha eleitoral em vez de tentar impor condições a Mugabe. O líder opositor -- que anunciou no último domingo (22) que abandonaria a disputa e se refugiou na Embaixada da Holanda-- pressiona Mugabe a negociar para dar fim à crise.
Cerca de 300 partidários da oposição que buscaram abrigo na Embaixada da África do Sul nesta quarta-feira permanecem no local. A polícia cercou ruas da região.
O ditador Mugabe, que está no poder na nação africana desde 1980, quando o Zimbábue tornou-se independente do Reino Unido, levou o país --que era um dos mais prósperos da região-- a uma crise econômica que causou inflação de 165 mil %.
Ele culpa o Reino Unido e outros países ocidentais pela grave crise que assola o país.
Campanha internacional
Mugabe enfrenta uma campanha internacional para que cancele a votação --inclusive de países africanos que já o apoiaram na época da libertação do Zimbábue do domínio britânico.
O ex-presidente sul-africano Nelson Mandela --a principal figura política da África-- afirmou em discurso durante um jantar em Londres, onde está para participar das comemorações pelos seus 90 anos, que houve uma "falha trágica" na liderança do "vizinho Zimbábue".
| Arte Folha Online |
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Nesta quarta-feira, um comitê de segurança da Comunidade de Desenvolvimento do Sul da África (SADC, na sigla em inglês) pediu o adiamento da votação, dizendo que a reeleição de Mugabe colocaria em xeque a legitimidade do pleito e agravaria o clima de violência no país.
A África do Sul também exerce pressão, dizendo que um negociador estava em Harare para mediar as negociações, e que o cancelamento das eleições de amanhã seria uma opção.
O Congresso Nacional Africano (ANC, partido no governo) -- que vem criticando Mugabe, ao contrário do presidente, Thabo Mbeki --afirmou que "não é tarde" para cancelar a votação.
"O ANC está convencido de que não é tarde para que o presidente Mugabe cancele as eleições e lidere o país para um diálogo, que será bom para os zimbabuanos", disse o porta-voz do partido, Jesse Duarte, à rede britânica de informações BBC.
Os EUA dizem que o governo de Mugabe deveria dialogar com o Movimento para a Mudança Democrática (MDC, na sigla em inglês), de Tsvangirai.
com Associated Press
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