Mundo
26/06/2008 - 08h25

Líder da oposição no Zimbábue rejeita diálogo com ditador Mugabe

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da Folha Online

O líder da oposição no Zimbábue, Morgan Tsvangirai, disse nesta quinta-feira que não haverá negociação com o ditador Robert Mugabe caso ele mantenha o segundo turno das eleições presidenciais, marcado para amanhã. Segundo o opositor, se Mugabe se declarar presidente e estender seu governo --que já dura 28 anos-- ele poderá ser afastado como líder ilegítimo.

"As negociações terão terminado se Mugabe se declarar o vencedor e se considerar o presidente. Como poderemos negociar?", questionou Tsvangirai em entrevista ao "Times".

No entanto, Mugabe e sua equipe dizem que a votação irá ocorrer e é uma "obrigação legal".

Efe
Centenas de vítimas da violência política se refugiam em Embaixada da África do Sul
Centenas de vítimas da violência política se refugiam em Embaixada da África do Sul

O vice-ministro da Informação do Zimbábue, Bright Matonga, disse à rede de TV Al Jazira [Qatar]: "A população irá votar amanhã. Não voltaremos atrás".

Segundo ele, Tsvangirai deveria fazer campanha eleitoral em vez de tentar impor condições a Mugabe. O líder opositor -- que anunciou no último domingo (22) que abandonaria a disputa e se refugiou na Embaixada da Holanda-- pressiona Mugabe a negociar para dar fim à crise.

Cerca de 300 partidários da oposição que buscaram abrigo na Embaixada da África do Sul nesta quarta-feira permanecem no local. A polícia cercou ruas da região.

O ditador Mugabe, que está no poder na nação africana desde 1980, quando o Zimbábue tornou-se independente do Reino Unido, levou o país --que era um dos mais prósperos da região-- a uma crise econômica que causou inflação de 165 mil %.

Ele culpa o Reino Unido e outros países ocidentais pela grave crise que assola o país.

Campanha internacional

Mugabe enfrenta uma campanha internacional para que cancele a votação --inclusive de países africanos que já o apoiaram na época da libertação do Zimbábue do domínio britânico.

O ex-presidente sul-africano Nelson Mandela --a principal figura política da África-- afirmou em discurso durante um jantar em Londres, onde está para participar das comemorações pelos seus 90 anos, que houve uma "falha trágica" na liderança do "vizinho Zimbábue".

Arte Folha Online

Nesta quarta-feira, um comitê de segurança da Comunidade de Desenvolvimento do Sul da África (SADC, na sigla em inglês) pediu o adiamento da votação, dizendo que a reeleição de Mugabe colocaria em xeque a legitimidade do pleito e agravaria o clima de violência no país.

A África do Sul também exerce pressão, dizendo que um negociador estava em Harare para mediar as negociações, e que o cancelamento das eleições de amanhã seria uma opção.

O Congresso Nacional Africano (ANC, partido no governo) -- que vem criticando Mugabe, ao contrário do presidente, Thabo Mbeki --afirmou que "não é tarde" para cancelar a votação.

"O ANC está convencido de que não é tarde para que o presidente Mugabe cancele as eleições e lidere o país para um diálogo, que será bom para os zimbabuanos", disse o porta-voz do partido, Jesse Duarte, à rede britânica de informações BBC.

Os EUA dizem que o governo de Mugabe deveria dialogar com o Movimento para a Mudança Democrática (MDC, na sigla em inglês), de Tsvangirai.

com Associated Press

 

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