Mundo
27/06/2008 - 12h49

Governo força eleitores a ir às urnas em segundo turno no Zimbábue

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da Folha Online

O segundo turno das eleições presidenciais no Zimbábue é marcado nesta sexta-feira pela intimidação de forças do governo, que obrigam os eleitores a irem às urnas para registrarem seus votos.

O ditador Robert Mugabe, que está há 28 anos no poder, tornou-se o único candidato depois que o líder do partido de oposição Movimento pela Mudança Democrática (MDC, na sigla em inglês), anunciou sua saída da corrida, há seis dias, devido à violência.

Observadores eleitorais informaram que muitas pessoas foram obrigadas a irem às urnas, e estavam assustadas demais para falar. "Alguns diziam: mandaram que viéssemos aqui", disse o porta-voz do Parlamento Pan Africano, Khalid A. Dahab, à Associated Press.

"Não é uma situação normal. Há muita tensão", acrescentou ele.

Emmanuel Chitate/Reuters
Mulher mostra dedo colorido após votar; governo força população a comparecer
Mulher mostra dedo colorido após votar; governo força população a comparecer

Poucas pessoas compareceram aos postos de Mbare, subúrbio considerado bastião da oposição. Mais tarde, filas de eleitores se formaram nos postos eleitorais. Em alguns deles, havia listas de chamada e os nomes iam sendo marcados conforme o comparecimento.

Um homem armado em trajes civis foi visto atacando um cinegrafista e um eleitor que ele entrevistava em uma rua de Harare, e forçando ambos a entrarem em um carro de polícia.

Dois jornalistas freelancers também foram detidos quando aguardavam para presenciar Mugabe depositando seu voto em um posto eleitoral de Harare. Centenas de jornalistas --muitos deles de veículos ocidentais-- foram impedidos de cobrir as eleições.

Policiais paramilitares foram destacados em um parque de Harare, e depois passaram a patrulhar a cidade.

Oposição

"O que ocorre hoje não é uma eleição. É um exercício de intimidação em massa", disse Tsvangirai em uma coletiva de imprensa. Ele acrescentou que deseja negociar para a formação de um governo de transição, mas que não sabe se poderia dialogar com Mugabe.

Arte Folha Online

Ele havia pedido que os zimbabuanos não fossem às urnas porque suas vidas estão em perigo. "O resultado [da votação] não será reconhecido mundialmente. Não importa o que vocês sejam forçados a fazer, nós sabemos o que está nos corações de vocês. Não arrisquem suas vidas. A vitória do povo pode ser adiada, mas não será contida", disse ele em um comunicado.

O MDC já havia dito que membros da União Nacional Africana do Zimbábue-Frente Patriótica (Zanu-PF) iriam forçar a população a votar, principalmente nas áreas rurais, onde Mugabe foi derrotado no primeiro turno, ocorrido em 29 de março. Tsvangirai afirma ter ganhado da votação, mas não obteve os 50% mais um voto para garantir a vitória no primeiro turno.

Mugabe, 84, levou o Zimbábue --que era uma nação próspera-- a uma grave crise econômia e hiperinflação, desemprego em torno de 80%, além de falta de alimentos e de combustíveis.

Líderes de todo o mundo também condenaram a votação desta sexta-feira.

"As eleições de hoje são uma fraude, elas não tem valor e seu resultado não será reconhecido", disse a porta-voz da União Européia (UE), Krisztina Nagy, em Bruxelas.

A secretária de Estado americana, Condoleezza Rice, falando em reunião no Japão, disse que os EUA irão discutir sanções ao Zimbábue com o Conselho de Segurança da ONU.

Votação

Mugabe, 84, disse a um repórter, ao registrar seu voto, que estava "confiante" e "faminto".

Posteriormente, ele disse a observadores da Comunidade de Desenvolvimento do Sul da África (SADC, na sigla em inglês) que estava "confiante na vitória", segundo um porta-voz.

No subúrbio de Greendale, a moradora Eunice Maboreke não quis revelar seu voto ao deixar um posto eleitoral.

"Meu voto é meu segredo", disse ela.

Outro morador, Livingstone Gwaze, disse que havia votado em Mugabe.

"As coisas vão melhorar. Há escuridão antes da luz", disse ele.

com Associated Press

 

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