Governo força eleitores a ir às urnas em segundo turno no Zimbábue
da Folha Online
O segundo turno das eleições presidenciais no Zimbábue é marcado nesta sexta-feira pela intimidação de forças do governo, que obrigam os eleitores a irem às urnas para registrarem seus votos.
O ditador Robert Mugabe, que está há 28 anos no poder, tornou-se o único candidato depois que o líder do partido de oposição Movimento pela Mudança Democrática (MDC, na sigla em inglês), anunciou sua saída da corrida, há seis dias, devido à violência.
Observadores eleitorais informaram que muitas pessoas foram obrigadas a irem às urnas, e estavam assustadas demais para falar. "Alguns diziam: mandaram que viéssemos aqui", disse o porta-voz do Parlamento Pan Africano, Khalid A. Dahab, à Associated Press.
"Não é uma situação normal. Há muita tensão", acrescentou ele.
| Emmanuel Chitate/Reuters |
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| Mulher mostra dedo colorido após votar; governo força população a comparecer |
Poucas pessoas compareceram aos postos de Mbare, subúrbio considerado bastião da oposição. Mais tarde, filas de eleitores se formaram nos postos eleitorais. Em alguns deles, havia listas de chamada e os nomes iam sendo marcados conforme o comparecimento.
Um homem armado em trajes civis foi visto atacando um cinegrafista e um eleitor que ele entrevistava em uma rua de Harare, e forçando ambos a entrarem em um carro de polícia.
Dois jornalistas freelancers também foram detidos quando aguardavam para presenciar Mugabe depositando seu voto em um posto eleitoral de Harare. Centenas de jornalistas --muitos deles de veículos ocidentais-- foram impedidos de cobrir as eleições.
Policiais paramilitares foram destacados em um parque de Harare, e depois passaram a patrulhar a cidade.
Oposição
"O que ocorre hoje não é uma eleição. É um exercício de intimidação em massa", disse Tsvangirai em uma coletiva de imprensa. Ele acrescentou que deseja negociar para a formação de um governo de transição, mas que não sabe se poderia dialogar com Mugabe.
| Arte Folha Online |
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Ele havia pedido que os zimbabuanos não fossem às urnas porque suas vidas estão em perigo. "O resultado [da votação] não será reconhecido mundialmente. Não importa o que vocês sejam forçados a fazer, nós sabemos o que está nos corações de vocês. Não arrisquem suas vidas. A vitória do povo pode ser adiada, mas não será contida", disse ele em um comunicado.
O MDC já havia dito que membros da União Nacional Africana do Zimbábue-Frente Patriótica (Zanu-PF) iriam forçar a população a votar, principalmente nas áreas rurais, onde Mugabe foi derrotado no primeiro turno, ocorrido em 29 de março. Tsvangirai afirma ter ganhado da votação, mas não obteve os 50% mais um voto para garantir a vitória no primeiro turno.
Mugabe, 84, levou o Zimbábue --que era uma nação próspera-- a uma grave crise econômia e hiperinflação, desemprego em torno de 80%, além de falta de alimentos e de combustíveis.
Líderes de todo o mundo também condenaram a votação desta sexta-feira.
"As eleições de hoje são uma fraude, elas não tem valor e seu resultado não será reconhecido", disse a porta-voz da União Européia (UE), Krisztina Nagy, em Bruxelas.
A secretária de Estado americana, Condoleezza Rice, falando em reunião no Japão, disse que os EUA irão discutir sanções ao Zimbábue com o Conselho de Segurança da ONU.
Votação
Mugabe, 84, disse a um repórter, ao registrar seu voto, que estava "confiante" e "faminto".
Posteriormente, ele disse a observadores da Comunidade de Desenvolvimento do Sul da África (SADC, na sigla em inglês) que estava "confiante na vitória", segundo um porta-voz.
No subúrbio de Greendale, a moradora Eunice Maboreke não quis revelar seu voto ao deixar um posto eleitoral.
"Meu voto é meu segredo", disse ela.
Outro morador, Livingstone Gwaze, disse que havia votado em Mugabe.
"As coisas vão melhorar. Há escuridão antes da luz", disse ele.
com Associated Press
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