Mundo
28/06/2008 - 13h15

Bush pede sanções contra governo "ilegítimo" do Zimbábue

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da France Presse
colaboração para a Folha Online

O presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, disse neste sábado que pediu mais sanções contra o "ilegítimo" governo do Zimbábue, um dia após o segundo turno das eleições que teve como candidato único o ditador Robert Mugabe.

"Considerando a descarada falta de respeito do regime de Mugabe pelo sentimento democrático e os direitos humanos do povo zimbabuano, dei instruções aos secretários de Estado e do Tesouro para que estabeleçam sanções contra este governo ilegítimo do Zimbábue e aqueles que o apóiam", declarou Bush através de uma nota oficial.

A secretária de Estado americana, Condoleezza Rice, apontou a existência de inúmeras denúncias de intimidação durante o processo eleitoral.

"Acredito que não há dúvidas de que as eleições no Zimbábue de ontem foram uma farsa", disse Rice neste sábado, durante uma viagem para a Coréia do Sul, acrescentando que o seu enviado especial para a África, Jendayi Frazer, vai assistir a cúpula de segunda-feira da União Africana (UA) no Egito, para exercer pressão sobre Mugabe.

Rice também salientou que os EUA desejam que o Conselho de Segurança das Nações Unidas aprove na próxima semana uma resolução sobre o Zimbábue, para enviar uma "mensagem forte de dissuasão" para Mugabe.

Vitória certa

O Zimbábue contabiliza neste sábado os votos do 2º turno das eleições presidenciais realizados ontem, apesar da vitória ser prevista para o único candidato, o ditador Mugabe. Em meio ao processo, a oposição continua criticando as eleições, chamando os comícios de "farsa" e pedindo por um texto de condenação da ONU.

Os responsáveis eleitorais zimbabuanos assinalaram que os primeiros resultados das 210 sessões eleitorais do país serão conhecidos ainda neste sábado, embora o resultado final só será anunciado no último minuto de sábado ou neste domingo (29).

Segundo a rede de televisão norte-americana CNN, cinco pessoas foram mortas durante ataques das forças do governo nas eleições desta sexta-feira. A rede cita um comunicado enviado pelo partido oposicionista, o Movimento para a Mudança Democrática (MDC).

No texto, o líder da oposição Morgan Tsvangirai --que saiu da disputa presidencial alegando ameaças de Mugabe e a onda de violência contra os seus partidários-- denuncia o processo eleitoral do Zimbábue como "um exercício de intimidação em massa".

O MDC afirma que quatro de seus partidários e a mulher de um deles morreram após apanharem e descreveram as mortes como "patrocinadas pelo Estado".

O vice-ministro de informação, Bright Matonga, afirmou que não iria "dignificar as acusações com comentários" e que o processo de cotação foi pacífico. Citado pela CNN, Matonga disse que membros do MDC queimaram algumas estações de votação.

Vizinho

O MDC criticou também a atuação da África do Sul no caso. Tsvangirai sofreu um duro golpe na sexta-feira à noite, quando o país vizinho bloqueou uma resolução não vinculativa do Conselho de Segurança das Nações Unidas para a definição dos resultados das eleições presidenciais como "sem credibilidade e legitimidade".

"O que nós poderíamos esperar da comunidade internacional é que declarassem essas supostas eleições como ilegítimas", disse neste sábado à agência internacional France Presse o porta-voz do MDC, Nelson Chamisa.

"Essa atitude dos organismos internacionais abona indiretamente a repressão no Zimbábue", criticou Chamisa.

A oposição do Zimbábue acusou o presidente sul-africano Thabo Mbeki de "abandonar muitas pessoas ao atuar como um escudo de um regime canalha".

Mbeki é o mediador oficial regional entre o partido governamental e a oposição no Zimbábue, mas a sua recusa de criticar publicamente Mugabe tem causado uma forte onda de protesto do MDC.

Tsvangirai venceu o primeiro turno das eleições presidenciais de 29 de março, mas não conquistou os 50% necessários para evitar uma segunda consulta eleitoral.

Apesar de boicotar os comícios de sexta-feira e diante das notícias indicando que muitos eleitores foram forçados a votar em Mugabe, o líder oposicionista pediu nesta sexta-feira que seus partidários não fizessem gestos de desafio.

"Se você tem de votar a favor de Mugabe porque sua vida está em perigo, faça isso. Se te forçam a votar a favor de Mugabe para evitar ter problemas pessoais, também faça isso", disse Tsvangirai.

Em várias partes do Zimbábue surgem informações de que as cédulas de voto foram inspecionadas antes de serem preenchidas para as eleições e que eleitores foram forçados a votar.

O jornal governamental "The Herald" publicou neste sábado que a participação nas eleições foi "maciça", mas não deu números.

 

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