Irã condena à morte homem acusado de espionar para Israel
da Folha Online
Um tribunal do Irã condenou à morte um iraniano acusado de espionar para Israel, informou a mídia estatal nesta segunda-feira. A decisão foi tomada em um momento de grande tensão entre os dois países e quando ainda circulam especulações sobre um possível ataque israelense contra as instalações nucleares iranianas.
A mídia iraniana identificou Ali Ashtari como o gerente de uma empresa que vendia equipamentos de comunicação e segurança para o governo iraniano. Ele era acusado de espionar para o serviço de inteligência israelense, o Mossad, em troca de dinheiro, segundo a rede de TV CNN, que cita agências de notícias. Ele teria confessado e pedido clemência.
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"Peço desculpas ao povo iraniano e à qualquer organização prejudicada pelos meus atos e peço clemência islâmica", informou a agência de notícias Fars, citando Ashtari. O nome dele indica que é um muçulmano xiita, mas a mídia iraniana não especificou sua religião. Em Jerusalém, o governo israelense disse: "Não temos conhecimento de nada relativo a este caso".
O Irã, que não reconhece Israel, havia relatado o desmantelamento de redes de espiões e acusou os Estados Unidos e os "sionistas" de tentar desestabilizar o país.
Segundo a CNN, de acordo com a "confissão" dele publicada pela Fars, Ashtari obtinha equipamentos eletrônicos de alta capacidade do Mossad e os vendia aos centros militares e de defesa no Irã. Durante o julgamento, os promotores mostraram as ferramentas de espionagem que o Mossad supostamente fornecia.
O Irã diz que seu programa nuclear é pacífico e tem como objetivo a geração de energia. Mas o Ocidente e Israel temem que o Irã esteja querendo construir bombas atômicas.
No dia 20 deste mês, uma reportagem publicada pelo jornal americano "New York Times" informava que o governo israelense havia realizado um exercício militar que parecia ser um ensaio para um possível ataque contra as instalações nucleares iranianas.
No dia seguinte, o Irã criticou o governo de Israel afirmando que o regime é "perigoso" e que ele perturba a segurança e a paz mundial. Além disso, informou também que rejeitaria qualquer negociação com as grandes potências sobre seu programa nuclear baseado na suspensão do enriquecimento de urânio.
A reportagem deu início a uma troca de acusações entre os dois países e a um clima de tensão que permanece até hoje.
Com agências internacionais
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