Comandantes do Exército dos EUA assumem erros no Iraque
colaboração para a Folha Online
Comandantes do Exército dos EUA assumiram erros cometidos durante os primeiros meses da Guerra do Iraque que teriam prejudicado o sucesso da operação, como o envio de um número insuficiente de tropas e a mudança de comando dos quartéis, que retardou as ações militares.
Os depoimentos dos oficiais que estavam presentes no Iraque logo após a queda de Bagdá estão em um relatório organizado pelo Instituto de Estudos de Combate em Fort Leavenworth (Kansas), divulgado nesta segunda-feira pela rede CNN de televisão.
Veja íntegra da matéria, em inglês, na CNN
Segundo o estudo, algumas das decisões críticas foram tomadas entre maio e agosto de 2003, período no qual o Exército iraquiano foi dissolvido e ex-membros do partido do ditador Saddam Hussein (1979-2003), o Baath, foram banidos da vida pública.
Os oficiais que serviram nos 18 meses entre o início da guerra e as eleições iraquianas de janeiro de 2005 afirmaram que havia preocupações em relação às decisões tomadas por oficiais das forças da coalizão no controle do país, e não apenas com as suposições feitas pelos planejadores.
O general Jack Keane disse aos historiadores que se irritou em junho de 2003 com a decisão dos superiores de retirar o comando dos quartéis das forças que estavam em terra e haviam se preparado para a missão.
Atraso
Segundo Keane, demorou entre seis e oito meses para que os EUA tivessem novos comandos estabelecidos. Durante esse tempo, os rebeldes iraquianos puderam se organizar.
"O que começamos a fazer em setembro seria provavelmente uma boa idéia se tivesse sido feito em abril (de 2003)", afirmou o coronel David Perkins, comandante de brigada.
Experiências anteriores "deveriam ter indicado que muitos outros soldados eram necessários para a era pós-Saddam (Hussein) no Iraque", afirmaram os historiadores no relatório.
"A inabilidade da coalizão em prevenir saques, assegurar as fronteiras e proteger a vasta quantidade de munição nos primeiros meses após a queda de Saddam (Hussein) são um indicativo de pobreza", aponta o estudo.
Cerca de 150 mil soldados dos EUA e aliados estavam no Iraque após a invasão, quando os planejadores da guerra afirmaram que o governo do Iraque se restabeleceria após a queda de Saddam e não haveria ataques de rebeldes.
"Esses fatores se alinharam com o planejamento de uma rápida transferência de poder no Iraque e uma rápida retirada das tropas dos EUA, deixando que os iraquianos determinassem o seu próprio futuro --opções que se provaram impossíveis de executar", afirmaram os historiadores.
"Nós tínhamos as premissas erradas e, por isso, tínhamos o plano errado para colocar em prática", afirmou o general William Wallace, comandante do Exército durante a invasão.
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