Pentágono teme que Israel ataque Irã neste ano, diz rede de TV
colaboração para a Folha Online
Oficiais do Departamento da Defesa em Washington disseram temer, em entrevista à rede de TV ABC News, que forças de Israel ataquem as instalações nucleares iranianas até o final deste ano.
Um alto oficial do Pentágono citado pela rede de TV disse que há um "aumento na probabilidade" de que Israel realizar um ataque, segundo o jornal israelense "Haaretz".
A fonte também afirmou temer que o Irã ataque os EUA e Israel como retaliação. De acordo com o oficial, existem dois fatores que motivam um ataque de Israel: a possibilidade material de criar uma bomba atômica e a compra de novos armamentos pelo Irã.
O primeiro deles será obtido quando a usina nuclear de Natanz tiver urânio enriquecido suficiente para criar a bomba, o que os EUA e Israel acreditam que irá ocorrer no final deste ano ou início do próximo.
"O limite de segurança não ocorre quando eles atingirem esse ponto, mas antes", disse o alto oficial. "Nós estamos em uma janela de vulnerabilidade", acrescentou.
Míssil
A segunda ameaça, segundo o oficial, está ligada à aquisição pelo Irã do míssil SA-20, um equipamento de defesa aérea comprado da Rússia. O oficial afirmou que Israel pode querer atacar o Irã antes que o sistema esteja estabelecido e Teerã possa utilizá-lo.
De acordo com a ABC, Washington também acredita que Israel pode fazer o ataque antes da posse do próximo presidente dos EUA, o que ocorre em janeiro de 2009.
"A Força Aérea Israelense já realizou os exercícios básicos para dizer a suas lideranças: 'nós possuímos os fundamentos'. Eles precisam de mais treinamentos e simulações? Sim. Mas eles possuem os fundamentos? Acho que é isso o que foi visto", afirmou o oficial à ABC News.
No mês passado, a Força Aérea israelense sobrevoou o mar Mediterrâneo com equipamentos bélicos, o que foi divulgado pelo jornal americano "New York Times" como uma simulação para um possível ataque ao Irã.
Um oficial do Departamento de Defesa norte-americano afirmou que o exercício não foi uma simulação, "mas um treinamento básico e fundamental" para operações militares contra o Irã.
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Abdul Khaleq Abdullah, um professor de ciência política da Universidade dos Emirados Árabes Unidos disse: "Eu acho que os Estados do Golfo fazem bem em desenvolver agora estratégias com base na suposição de que o Irã está prestes a se tornar uma potência nuclear. É um jogo totalmente novo. O Irã agora está forçando todos na região a entrarem em uma corrida armamentista."
Esta percepção, por sua vez, gera novas ansiedades e abala velhas suposições.
Escrevendo para o jornal pan-árabe "Al Quds Al Arabi", o editor, Abdel-Beri Atwan, disse que com os recentes desdobramentos "os regimes árabes, e os do Golfo em particular, se verão como parte de uma nova aliança contra o Irã ao lado de Israel".
O chefe de um proeminente centro de pesquisa em Dubai disse que poderia até mesmo ser melhor se o Ocidente -ou Israel- realizasse um ataque militar contra o Irã, em vez de permitir que ele se transforme em uma potência nuclear. Esse tipo de conversa por parte dos árabes quase não era ouvida antes da revelação da segunda instalação de enriquecimento, e apesar de ainda ser rara, reflete o crescente alarme.
"A região pode conviver melhor com uma retaliação limitada por parte do Irã do que viver com uma dissuasão nuclear permanente. Eu defendo a realização do trabalho agora em vez de viver o restante da minha vida com uma hegemonia nuclear na região que o Irã gostaria de impor."
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