Mundo
03/07/2008 - 03h43

Líderes mundiais comemoram libertação de reféns das Farc

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da Folha Online

Presidentes, ministros e partidos políticos de vários países, organizações internacionais, ex-reféns e o povo colombiano comemoraram o resgate de 15 reféns das Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia), nesta quarta-feira. Entre os reféns estava a política franco-colombiana Ingrid Betancourt, 46, a refém mais importante em poder dos terroristas.

Seqüestrada em 2002 enquanto fazia campanha eleitoral como candidata à Presidência da Colômbia, sua dupla nacionalidade ajudou a trazer a atenção da comunidade internacional para o caso dos reféns colombianos.

Uma operação militar classificada como "impecável" pelo governo devolveu à liberdade Betancourt, três americanos e 11 policiais e militares, todos há pelos cinco anos em cativeiro.

Centenas de colombianos saíram às ruas com bandeiras, enquanto motoristas promoveram um buzinaço. No norte de Bogotá, as ruas foram tomadas por centenas de pessoas que agitavam a bandeira nacional, aplaudiam e gritavam: "livres, livres, livres".

Em Medellín (noroeste), segunda maior cidade colombiana, a imprensa local registrou cenas parecidas.

Europa

As primeiras reações no mundo todo foram de alegria e de pressão para que as Farc libertem todos os seus reféns ou voltem a dialogar com o governo colombiano.

O presidente da França, Nicolas Sarkozy pediu às Farc que desista de "seu absurdo combate". Ele conversou por telefone com o chefe de Estado da Colômbia, Álvaro Uribe, e se reuniu no Palácio do Eliseu com os filhos de Betancourt, Mélanie e Lorenzo, e com a irmã dela, Astrid,

O premiê espanhol, José Luis Rodríguez Zapatero, destacou o "lado humano" da libertação, após a situação "quase desesperada" na qual a ex-candidata se encontrava, divulgada nas últimas imagens da ex-candidata presidencial. "Hoje não só se libertou um refém, mas um símbolo de todos os reféns", acrescentaram fontes do Executivo espanhol.

O governo espanhol pediu a libertação "incondicional" de todos os reféns e o diálogo, para que seja possível a pacificação das regiões em que as Farc.

Na Itália, o presidente do Senado Renato Schifani manifestou "grande satisfação" pelo resgate de Ingrid Betancourt. Para a vice-presidente da Câmara italiana, Rosy Bindi, essa é "uma notícia extraordinária, que enche o coração de esperança e alegria".

América

O presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, felicitou Uribe, "um líder forte", durante uma conversa telefônica anunciada pelo porta-voz do Conselho de Segurança Nacional da Casa Branca, Gordon Johndroe.

Em resposta, Uribe agradeceu Bush pelo apoio e a confiança depositada no governo da Colômbia.

Na Argentina, a presidente Cristina Kirchner classificou como uma "vitória da vida e da liberdade" o resgate dos seqüestrados. Além disso, dedicou palavras especiais a Betancourt, transformada em símbolo de todos os reféns.

O boliviano Evo Morales disse que a libertação da ex-candidata à Presidência é "importantíssima para a busca da paz e de acordos entre as Farc e o governo da Colômbia".

Morales atribuiu a libertação dos 15 reféns a um possível acordo entre as Farc e o Executivo de Uribe, apesar de isso não ter sido confirmado por nenhuma das partes e de o governo colombiano ter dito que a libertação foi possível graças a uma infiltração de seus militares em uma frente da guerrilha.

Já o governo chileno destacou a libertação como um passo em direção a "um processo significativo contínuo", até à libertação "da paz permanente" na Colômbia, "um país irmão, tão próximo ao Chile".

O chanceler chileno, Alejandro Foxley, reiterou ainda a condenação do Executivo ao uso político do seqüestro e enviou uma mensagem de "solidariedade" aos que ainda permanecem seqüestrados pela guerrilha colombiana.

No Equador, o ministro da Defesa, Javier Ponce, se disse "emocionado" e "aliviado" com a soltura dos 15 reféns. Porém lamentou o fato de o "resgate violento" não ter acontecido no âmbito de um acordo de paz com as Farc que dê uma "solução integral" ao conflito.

Brasil

O ministro Celso Amorim (Relações Exteriores) afirmou nesta quarta-feira que a libertação da política franco-colombiana Ingrid Betancourt e de outros 14 reféns da guerrilha representa o enfraquecimento das Farc (Forças Revolucionárias Armadas da Colômbia).

Amorim e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva foram informados sobre o resgate durante audiência na tarde de hoje, na qual recebiam autoridades estrangeiras. Segundo o ministro, Lula deve conversar, nos próximos dias, com o presidente da Colômbia Álvaro Uribe.

"O governo brasileiro felicita o governo colombiano por uma operação que resultou aparentemente sem que tenha havido mortes", disse Amorim.

"Esperamos que esse fato contribua para um rápida pacificação da Colômbia. Está muito claro que não há futuro para essa luta armada", acrescentou.

Ex-refém

Por sua vez, o ex-senador colombiano Luis Eladio Pérez Bonilla, que foi libertado em fevereiro após quase sete anos em poder das Farc, reconheceu "publicamente o esforço do presidente Uribe e das Forças Armadas" colombianas.

O ex-congressista, que após sua libertação criticou a política de "segurança democrática" do presidente Uribe, admitiu hoje que a insistência do Governo em resgatar os seqüestrados das Farc foi positiva.

Mediador entre o governo colombiano e as Farc, Carlos Lozano se referiu à libertação como "muito importante" e pediu à guerrilha que reflita sobre "todos os golpes que recebeu ultimamente" e se abra "à possibilidade de uma troca humanitária ou de uma saída política".

A Anistia Internacional (AI) também comemorou a libertação dos reféns, ocasião em que pediu às Farc que libertem os outros seqüestrados "imediata e incondicionalmente".

Com Efe e Ansa

 

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