Operação de resgate foi 100% colombiana, diz ministro da Defesa
da France Presse, em Bogotá
da Folha Online
A operação que permitiu o resgate da política franco-colombiana Ingrid Betancourt e de outros 14 reféns das Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) foi 100% colombiana, apesar de os Estados Unidos terem auxiliado em ajustes prévios, afirmou o ministro da Defesa da Colômbia, Juan Manuel Santos.
Entrevistado sobre o papel de Washington na operação realizada nesta quarta-feira, Santos respondeu "nenhum" e completou: "Esta foi uma operação 100% colombiana".
| Ricardo Mazalan/AP |
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| Ex-refém Ingrid Betancourt recebe um beijo de sua mãe, ao chegar a Bogotá nesta quarta-feira, após seis anos em cativeiro |
A operação realizada ontem resgatou a ex-candidata presidencial Ingrid Betancourt, os americanos Thomas Howes, Marc Gonsalves e Keith Stansell --ligados ao Departamento de Defesa dos EUA-- e 11 militares e policiais colombianos.
"Nós informamos ao embaixador [americano em Bogotá, William Brownfield] porque havia uma promessa do presidente Álvaro Uribe de comunicar ao presidente George W. Bush qualquer tipo de operação", disse o ministro ao canal Caracol.
"Nós informamos e pedimos que nos ajudasse com algumas pessoas para testar as teorias que tínhamos e eles nos ajudaram um pouco a calibrar certas coisas, mas à margem. A verdade é que foi uma operação 100% colombiana, inclusive toda a inteligência foi colombiana", insistiu.
Citado pela imprensa colombiana, Brownfield afirmou ontem que a operação teve "cooperação cerrada" do governo americano, incluindo "intercâmbio de inteligência, de equipamentos e conselhos a partir de outras experiências".
Operação
Militares da Colômbia disfarçados de trabalhadores humanitários resgataram Betancourt, 46, a refém mais importante das Farc, seqüestrada em 2002 quando fazia campanha eleitoral como candidata à Presidência. Sua dupla nacionalidade ajudou a trazer a atenção da comunidade internacional para o caso dos reféns colombianos. Estima-se que cerca de 3.000 pessoas estejam sob o poder de grupos insurgentes no país.
| Arte Folha Online/Arte Folha Online |
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"A operação foi absolutamente impecável", disse Betancourt. "Creio que é um sinal de paz para a Colômbia."
O resgate ocorreu na floresta do departamento de Guaviare, segundo o ministro da Defesa. Militares colombianos fingiram ser membros de uma organização fictícia que supostamente iria levar os reféns de helicóptero a outro local, para se encontrarem com o líder das Farc, Alfonso Cano.
"Os helicópteros, que na realidade eram do Exército pegaram os reféns em Guaviare e os levaram à liberdade", afirmou Santos. Dois guerrilheiros foram capturados na operação.
"Essa foi uma ação sem precedentes", afirmou o ministro, em coletiva na sede do Ministério da Defesa, em Bogotá. "Isso entrará na história por sua audácia e efetividade."
Repercussão
Presidentes, ministros e partidos políticos de vários países, organizações internacionais, ex-reféns e o povo colombiano comemoraram o resgate de 15 reféns das Farc.
Centenas de colombianos saíram às ruas com bandeiras, enquanto motoristas promoveram um buzinaço. No norte de Bogotá, as ruas foram tomadas por centenas de pessoas que agitavam a bandeira nacional, aplaudiam e gritavam: "livres, livres, livres". Em Medellín (noroeste), segunda maior cidade colombiana, a imprensa local registrou cenas parecidas.
As primeiras reações no mundo todo foram de alegria e de pressão para que as Farc libertem todos os seus reféns ou voltem a dialogar com o governo colombiano.
O presidente da França, Nicolas Sarkozy pediu às Farc que desista de "seu absurdo combate". Ele conversou por telefone com o chefe de Estado da Colômbia, Álvaro Uribe, e se reuniu no Palácio do Eliseu com os filhos de Betancourt, Mélanie e Lorenzo, e com a irmã dela, Astrid,
O premiê espanhol, José Luis Rodríguez Zapatero, destacou o "lado humano" da libertação, após a situação "quase desesperada" na qual a ex-candidata se encontrava, divulgada nas últimas imagens da ex-candidata presidencial. "Hoje não só se libertou um refém, mas um símbolo de todos os reféns", acrescentaram fontes do Executivo espanhol. O governo espanhol pediu a libertação "incondicional" de todos os reféns.
Na Itália, o presidente do Senado, Renato Schifani, manifestou "grande satisfação" pelo resgate de Betancourt. Para a vice-presidente da Câmara italiana, Rosy Bindi, essa é "uma notícia extraordinária, que enche o coração de esperança e alegria".
América
O presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, felicitou Uribe, "um líder forte", durante uma conversa telefônica anunciada pelo porta-voz do Conselho de Segurança Nacional da Casa Branca, Gordon Johndroe.
Em resposta, Uribe agradeceu Bush pelo apoio e a confiança depositada no governo da Colômbia.
Na Argentina, a presidente Cristina Kirchner classificou como uma "vitória da vida e da liberdade" o resgate dos seqüestrados. Além disso, dedicou palavras especiais a Betancourt, transformada em símbolo de todos os reféns.
O boliviano Evo Morales disse que a libertação da ex-candidata à Presidência é "importantíssima para a busca da paz e de acordos entre as Farc e o governo da Colômbia".
Morales atribuiu a libertação dos 15 reféns a um possível acordo entre as Farc e o Executivo de Uribe, apesar de isso não ter sido confirmado por nenhuma das partes e de o governo colombiano ter dito que a libertação foi possível graças a uma infiltração de seus militares em uma frente da guerrilha.
Já o governo chileno destacou a libertação como um passo em direção a "um processo significativo contínuo", até à libertação "da paz permanente" na Colômbia, "um país irmão, tão próximo ao Chile".
O chanceler chileno, Alejandro Foxley, reiterou ainda a condenação do Executivo ao uso político do seqüestro e enviou uma mensagem de "solidariedade" aos que ainda permanecem seqüestrados pela guerrilha colombiana.
No Equador, o ministro da Defesa, Javier Ponce, se disse "emocionado" e "aliviado" com a soltura dos 15 reféns. Porém lamentou o fato de o "resgate violento" não ter acontecido no âmbito de um acordo de paz com as Farc que dê uma "solução integral" ao conflito.
Brasil
O ministro Celso Amorim (Relações Exteriores) afirmou nesta quarta-feira que a libertação da política franco-colombiana Ingrid Betancourt e de outros 14 reféns da guerrilha representa o enfraquecimento das Farc.
Amorim e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva foram informados sobre o resgate durante audiência na tarde de ontem, na qual recebiam autoridades estrangeiras. Segundo o ministro, Lula deve conversar, nos próximos dias, com o presidente da Colômbia Álvaro Uribe.
"Esperamos que esse fato contribua para um rápida pacificação da Colômbia. Está muito claro que não há futuro para essa luta armada", acrescentou.
Com agências internacionais
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Especial




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Nem precisava tanta grana.
Quem pode entregar os "cabeças" das Farc, é só gente interna mesmo.
Por dinheiro, que a verdadeira ideologia deles, esses "guerilheiros", fazem qualquer coisa.
Como já mostraram antes que são capazes, cortando até as maos de um líder da guerilha, para comprovar sua eliminação.
Uma fração do oferecido, teria sido mais do que sufiente...
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