Mundo
03/07/2008 - 08h07

Operação de resgate foi 100% colombiana, diz ministro da Defesa

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da France Presse, em Bogotá
da Folha Online

A operação que permitiu o resgate da política franco-colombiana Ingrid Betancourt e de outros 14 reféns das Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) foi 100% colombiana, apesar de os Estados Unidos terem auxiliado em ajustes prévios, afirmou o ministro da Defesa da Colômbia, Juan Manuel Santos.

Entrevistado sobre o papel de Washington na operação realizada nesta quarta-feira, Santos respondeu "nenhum" e completou: "Esta foi uma operação 100% colombiana".

Ricardo Mazalan/AP
Ex-refém Ingrid Betancourt recebe um beijo de sua mãe, ao chegar a Bogotá nesta quarta-feira, após seis anos em cativeiro
Ex-refém Ingrid Betancourt recebe um beijo de sua mãe, ao chegar a Bogotá nesta quarta-feira, após seis anos em cativeiro

A operação realizada ontem resgatou a ex-candidata presidencial Ingrid Betancourt, os americanos Thomas Howes, Marc Gonsalves e Keith Stansell --ligados ao Departamento de Defesa dos EUA-- e 11 militares e policiais colombianos.

"Nós informamos ao embaixador [americano em Bogotá, William Brownfield] porque havia uma promessa do presidente Álvaro Uribe de comunicar ao presidente George W. Bush qualquer tipo de operação", disse o ministro ao canal Caracol.

"Nós informamos e pedimos que nos ajudasse com algumas pessoas para testar as teorias que tínhamos e eles nos ajudaram um pouco a calibrar certas coisas, mas à margem. A verdade é que foi uma operação 100% colombiana, inclusive toda a inteligência foi colombiana", insistiu.

Citado pela imprensa colombiana, Brownfield afirmou ontem que a operação teve "cooperação cerrada" do governo americano, incluindo "intercâmbio de inteligência, de equipamentos e conselhos a partir de outras experiências".

Operação

Militares da Colômbia disfarçados de trabalhadores humanitários resgataram Betancourt, 46, a refém mais importante das Farc, seqüestrada em 2002 quando fazia campanha eleitoral como candidata à Presidência. Sua dupla nacionalidade ajudou a trazer a atenção da comunidade internacional para o caso dos reféns colombianos. Estima-se que cerca de 3.000 pessoas estejam sob o poder de grupos insurgentes no país.

Arte Folha Online/Arte Folha Online

"A operação foi absolutamente impecável", disse Betancourt. "Creio que é um sinal de paz para a Colômbia."

O resgate ocorreu na floresta do departamento de Guaviare, segundo o ministro da Defesa. Militares colombianos fingiram ser membros de uma organização fictícia que supostamente iria levar os reféns de helicóptero a outro local, para se encontrarem com o líder das Farc, Alfonso Cano.

"Os helicópteros, que na realidade eram do Exército pegaram os reféns em Guaviare e os levaram à liberdade", afirmou Santos. Dois guerrilheiros foram capturados na operação.

"Essa foi uma ação sem precedentes", afirmou o ministro, em coletiva na sede do Ministério da Defesa, em Bogotá. "Isso entrará na história por sua audácia e efetividade."

Repercussão

Presidentes, ministros e partidos políticos de vários países, organizações internacionais, ex-reféns e o povo colombiano comemoraram o resgate de 15 reféns das Farc.

Centenas de colombianos saíram às ruas com bandeiras, enquanto motoristas promoveram um buzinaço. No norte de Bogotá, as ruas foram tomadas por centenas de pessoas que agitavam a bandeira nacional, aplaudiam e gritavam: "livres, livres, livres". Em Medellín (noroeste), segunda maior cidade colombiana, a imprensa local registrou cenas parecidas.

As primeiras reações no mundo todo foram de alegria e de pressão para que as Farc libertem todos os seus reféns ou voltem a dialogar com o governo colombiano.

O presidente da França, Nicolas Sarkozy pediu às Farc que desista de "seu absurdo combate". Ele conversou por telefone com o chefe de Estado da Colômbia, Álvaro Uribe, e se reuniu no Palácio do Eliseu com os filhos de Betancourt, Mélanie e Lorenzo, e com a irmã dela, Astrid,

O premiê espanhol, José Luis Rodríguez Zapatero, destacou o "lado humano" da libertação, após a situação "quase desesperada" na qual a ex-candidata se encontrava, divulgada nas últimas imagens da ex-candidata presidencial. "Hoje não só se libertou um refém, mas um símbolo de todos os reféns", acrescentaram fontes do Executivo espanhol. O governo espanhol pediu a libertação "incondicional" de todos os reféns.

Na Itália, o presidente do Senado, Renato Schifani, manifestou "grande satisfação" pelo resgate de Betancourt. Para a vice-presidente da Câmara italiana, Rosy Bindi, essa é "uma notícia extraordinária, que enche o coração de esperança e alegria".

América

O presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, felicitou Uribe, "um líder forte", durante uma conversa telefônica anunciada pelo porta-voz do Conselho de Segurança Nacional da Casa Branca, Gordon Johndroe.

Em resposta, Uribe agradeceu Bush pelo apoio e a confiança depositada no governo da Colômbia.

Na Argentina, a presidente Cristina Kirchner classificou como uma "vitória da vida e da liberdade" o resgate dos seqüestrados. Além disso, dedicou palavras especiais a Betancourt, transformada em símbolo de todos os reféns.

O boliviano Evo Morales disse que a libertação da ex-candidata à Presidência é "importantíssima para a busca da paz e de acordos entre as Farc e o governo da Colômbia".

Morales atribuiu a libertação dos 15 reféns a um possível acordo entre as Farc e o Executivo de Uribe, apesar de isso não ter sido confirmado por nenhuma das partes e de o governo colombiano ter dito que a libertação foi possível graças a uma infiltração de seus militares em uma frente da guerrilha.

Já o governo chileno destacou a libertação como um passo em direção a "um processo significativo contínuo", até à libertação "da paz permanente" na Colômbia, "um país irmão, tão próximo ao Chile".

O chanceler chileno, Alejandro Foxley, reiterou ainda a condenação do Executivo ao uso político do seqüestro e enviou uma mensagem de "solidariedade" aos que ainda permanecem seqüestrados pela guerrilha colombiana.

No Equador, o ministro da Defesa, Javier Ponce, se disse "emocionado" e "aliviado" com a soltura dos 15 reféns. Porém lamentou o fato de o "resgate violento" não ter acontecido no âmbito de um acordo de paz com as Farc que dê uma "solução integral" ao conflito.

Brasil

O ministro Celso Amorim (Relações Exteriores) afirmou nesta quarta-feira que a libertação da política franco-colombiana Ingrid Betancourt e de outros 14 reféns da guerrilha representa o enfraquecimento das Farc.

Amorim e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva foram informados sobre o resgate durante audiência na tarde de ontem, na qual recebiam autoridades estrangeiras. Segundo o ministro, Lula deve conversar, nos próximos dias, com o presidente da Colômbia Álvaro Uribe.

"Esperamos que esse fato contribua para um rápida pacificação da Colômbia. Está muito claro que não há futuro para essa luta armada", acrescentou.

Com agências internacionais

Comentários dos leitores
João Carlos Gagliardi (581) 09/02/2009 17h55
João Carlos Gagliardi (581) 09/02/2009 17h55
As Farc tem que agradecer ao lula e ao pt, não ao Brasil, bem como aos traidores brasileiros que integram a organização neo-comunista chamada "Foro de São Paulo", do qual o pt faz parte, juntamente com vários bolivarianos demagogos e os narcotraficanntes da Farc, que tem contato direto com membros do primeiro escalão deste nosso (des)governo, pela ajuda política que tem recebido.
As Farc, são compostas por sequestradores e traficantes, que sequer são classificados assim pela imprensa marrom controlada pelos petralhas.
Esses bandidos, que tentam derrubar o governo democraticamente eleito da colombia, são inacreditavelmente tratados pelo governo brasileiro como "revolucionários"...
Então, sem dúvida as Farc tem muito para agradecer a alguns "brasileiros"...
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Ronaldo Luis Gonçalves (36) 09/02/2009 17h55
Ronaldo Luis Gonçalves (36) 09/02/2009 17h55
A FARC, vai acabar virando partido político na Bolivia, e largar as armas, o que é um bom negócio. O PT têm uma história antiga com este grupo, é por causa disto agora recebe apoio direto do palácio. A minha opinião é que o Brasil agiu bem, ao ajudar este grupo. 3 opiniões
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É interessante observar o ranço ideológico com que alguns participantes deste Fórum referem-se à Cuba.
Inegavelmente o citado país não pode ser apontado como um exemplo de bem estar sócio-econômico e muito menos o regime político com que se possa sonhar quando se pensa em Democracia. Por outro lado, não se pode ignorar que seus Governantes conseguiram indiscutíveis avanços na área educacional, saneamento básico e medicina preventiva (não estou fazendo apologia de Cuba mas tão somente reconhecendo resultados que indicadores sócio-econômicos identificam). Basta comparar IDH, percentual de analfabetismo e IDH com outros países da África e América Latina, por exemplo, que possuem população e PIB semelhantes e em tese, constituem-se em regimes democráticos (há controvérsias) mas sem dúvida, e que optaram pelo Capitalismo.
Em suma, como frequentemente ocorre, na natureza e na Política a avaliação mais justa tende ao centro em detrimento de posições extremadas (demonizar ou insensar costuma induzir a equívocos de igual magnitude).
Não é demais reconhecer que mesmo a crítica das estratégias e políticas implantadas fica prejudicada na medida em que esse país foi sim muito prejudicado pelo embargo norte-americano (imagine o que seria da China - cujo regime até onde se sabe é tão ou mais totalitário quanto o cubano - não pudesse comercializar com o maior Mercado mundial...
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