Mundo
03/07/2008 - 09h32

Betancourt estará em Paris amanhã, diz governo francês

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da Folha Online

A ex-refém das Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) Ingrid Betancourt, libertada por meio de uma operação de resgate realizada ontem pelo Exército colombiano, estará em Paris amanhã à tarde, anunciou nesta quinta-feira o secretário-geral do Palácio do Eliseu, Claude Guéant.

"O avião da república francesa aterrissará em menos de três horas em Bogotá e ela vai se reunir com os filhos. Pode-se imaginar a emoção deste reencontro. Ela partirá logo depois e amanhã à tarde estará conosco", disse Guéant, braço-direito do presidente francês, Nicolas Sarkozy.

02.jul.2008/Fernando Vergara/AP
A ex-refém das Farc Ingrid Betancourt gesticula na base militar em Bogotá
A ex-refém das Farc Ingrid Betancourt gesticula na base militar em Bogotá

O chanceler francês, Bernard Kouchner, e membros da família de Betancourt viajaram para a Colômbia para se reunir com a ex-refém.

Do avião, em declarações ao vivo à rede France 2 por volta das 8h15 de Brasília, a filha de Betancourt, Mélanie Delloye, disse que esperava vê-la "dentro de duas horas". "É difícil acreditar. Estamos muito emocionados. Ainda não falei com ela (...). Todos queremos abraçá-la", disse a filha.

Como havia feito ontem à noite, quando falou junto com Sarkozy no Palácio do Eliseu, Mélanie reiterou que não quer que os reféns que continuam sob poder da guerrilha sejam esquecidos. Ela também confirmou que amanhã voltará com a mãe para a França, como havia afirmado Guéant.

O secretário-geral do Palácio do Eliseu disse que, uma vez na França, caberá a Betancourt decidir seu "programa".

Sarkozy

Horas antes, Sarkozy disse que havia falado com a ex-refém pouco após a libertação e que ela mostrou o desejo de "voltar o mais rápido possível à França". O presidente afirmou que Betancourt parecia estar "em forma", mas terá de fazer uma revisão médica e descansar.

Arte Folha Online/Arte Folha Online

Ontem à noite, quando compareceu diante da imprensa com a família de Betancourt, Sarkozy pediu que as Farc parem seu combate "absurdo e medieval" e reiterou a disposição da França de receber os guerrilheiros que renunciarem à luta armada e à tomada de reféns.

O porta-voz do governo francês, Luc Chatel, disse hoje que é possível ajudar "a solucionar o conflito, em particular recebendo, dando asilo, por um período provisório, a um certo número de membros das Farc". "A França está pronta para contribuir", disse Chatel.

Agradecimento

Em entrevista à rede de TV colombiana RCN divulgada nesta quinta-feira, a ex-candidata presidencial disse que provavelmente esteja viva hoje graças aos esforços da França pela sua causa.

"Quero falar ao presidente Sarkozy --e através dele ao povo francês-- que eles foram nosso suporte, nossa luz", disse Betancourt. "É hora de agradecer à França, dizer que eu os admiro e que me sinto orgulhosa de também ser francesa". Ela disse que viajaria para a França após se reunir com seus filhos.

Betancourt, que foi seqüestrada há seis anos enquanto fazia campanha à Presidência da Colômbia, pediu aos rebeldes que libertem mais reféns e disse que espera ajudar na reconciliação do país. Ela disse também que é muito cedo para dizer se se envolverá novamente na política colombiana e que pretende primeiro discutir seus planos com sua família.

O secretário-geral da Presidência francesa disse à uma rede de TV que seu país não participou da operação e que só tomou conhecimento dela 15 minutos antes das primeiras notícias divulgadas pela imprensa colombiana.

Operação

A operação realizada ontem resgatou a ex-candidata presidencial Ingrid Betancourt, os americanos Thomas Howes, Marc Gonsalves e Keith Stansell --ligados ao Departamento de Defesa dos EUA-- e 11 militares e policiais colombianos.

Ricardo Mazalan/AP
Ex-refém Ingrid Betancourt recebe um beijo de sua mãe, ao chegar a Bogotá nesta quarta-feira, após seis anos em cativeiro
Ex-refém Ingrid Betancourt recebe um beijo de sua mãe, ao chegar a Bogotá nesta quarta-feira, após seis anos em cativeiro

Militares da Colômbia disfarçados de trabalhadores humanitários resgataram Betancourt, 46, a refém mais importante das Farc, seqüestrada em 2002 quando fazia campanha eleitoral como candidata à Presidência.

"A operação foi absolutamente impecável", disse Betancourt ontem. "Creio que é um sinal de paz para a Colômbia."

O resgate ocorreu na floresta do departamento de Guaviare, segundo o ministro da Defesa da Colômbia, Juan Manuel Santos. Militares colombianos fingiram ser membros de uma organização fictícia que supostamente iria levar os reféns de helicóptero a outro local, para se encontrarem com o líder das Farc, Alfonso Cano.

"Os helicópteros, que na realidade eram do Exército pegaram os reféns em Guaviare e os levaram à liberdade", afirmou o ministro. Dois guerrilheiros foram capturados na operação.

"Essa foi uma ação sem precedentes", afirmou o ministro ontem, em coletiva na sede do Ministério da Defesa, em Bogotá. "Isso entrará na história por sua audácia e efetividade."

Com Efe, France Presse e Associated Press

Comentários dos leitores
Ricardo Perrone (41) 12/11/2009 11h26
Ricardo Perrone (41) 12/11/2009 11h26
O Governo colombiano não deveria exercer esse tipo de artifício para capturar assassinos, bandidos ou guerrilheiros. Pagar recompensa é um estímulo a práticas detestáveis do caráter humano, como: ganância, traição e mentira. O governo deveria pegar o valor de tal recompensa e empregar nas atividades investigativas da polícia ou mesmo em sua modernização. O Estado deve ter por meta estimular o bom comportamento na sociedade, banindo práticas detestáveis mesmo que sejam por uma boa causa. sem opinião
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O Pacificador (114) 12/11/2009 11h03
O Pacificador (114) 12/11/2009 11h03
"Governo colombiano oferece US$ 1 milhão pelos assassinos de soldados do país..."
Nem precisava tanta grana.
Quem pode entregar os "cabeças" das Farc, é só gente interna mesmo.
Por dinheiro, que a verdadeira ideologia deles, esses "guerilheiros", fazem qualquer coisa.
Como já mostraram antes que são capazes, cortando até as maos de um líder da guerilha, para comprovar sua eliminação.
Uma fração do oferecido, teria sido mais do que sufiente...
sem opinião
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AGUINALDO VENANCIO (2096) 12/11/2009 08h06
AGUINALDO VENANCIO (2096) 12/11/2009 08h06
BOA URIBE! sem opinião
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