Após seis anos, Ingrid Betancourt reencontra filhos na Colômbia
da Folha Online
Depois de seis anos como refém das Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia), a política franco-colombiana Ingrid Betancourt, resgatada ontem em uma operação realizada pelo Exército colombiano, encontrou nesta quinta-feira seus dois filhos, Melanie e Lorenzo Delloye, na Colômbia.
| Ricardo Mazalan/AP |
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| Ex-refém Ingrid Betancourt encontra os filhos Melaine e Lorenzo na Colômbia |
O avião em que viajaram os dois, a irmã de Ingrid e o chanceler francês, Bernard Kouchner, aterrissou por volta das 8h17 (10h17 de Brasília) no aeroporto militar de Catam, a oeste de Bogotá.
Betancourt, acompanhada de sua mãe, Yolanda Pulecio, e de seu marido, Juan Carlos Lecompte, aguardou os filhos perto da escada do avião.
Ao reencontrá-los, visivelmente emocionada, Betancourt não se conteve e chorou. Ela também abraçou seu ex-marido Fabrice Delloye e o chanceler francês.
"Dou graças a Deus por este momento, são meus filhinhos, meu orgulho, minha razão de viver, minha luz, minhas estrelas, por eles continuei com desejo de sair da selva, por voltar a vê-los", afirmou Betancourt.
"Sempre tememos um resgate militar, pelos riscos, mas agora que vivemos esta felicidade queremos desfrutá-la e vamos seguir lutando pela liberdade dos outros reféns", disse Melanie.
Operação
A operação realizada ontem resgatou a ex-candidata presidencial Ingrid Betancourt, os americanos Thomas Howes, Marc Gonsalves e Keith Stansell --ligados ao Departamento de Defesa dos EUA-- e 11 militares e policiais colombianos.
Militares da Colômbia disfarçados de trabalhadores humanitários resgataram Betancourt, 46, a refém mais importante das Farc, seqüestrada em 2002 quando fazia campanha eleitoral como candidata à Presidência.
"A operação foi absolutamente impecável", disse Betancourt ontem. "Creio que é um sinal de paz para a Colômbia."
| Arte Folha Online/Arte Folha Online |
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O resgate ocorreu na floresta do departamento de Guaviare, segundo o ministro da Defesa da Colômbia, Juan Manuel Santos. Militares colombianos fingiram ser membros de uma organização fictícia que supostamente iria levar os reféns de helicóptero a outro local, para se encontrarem com o líder das Farc, Alfonso Cano.
"Os helicópteros, que na realidade eram do Exército pegaram os reféns em Guaviare e os levaram à liberdade", afirmou o ministro. Dois guerrilheiros foram capturados na operação.
"Essa foi uma ação sem precedentes", afirmou o ministro ontem, em coletiva na sede do Ministério da Defesa, em Bogotá. "Isso entrará na história por sua audácia e efetividade."
Segundo o ministro, a operação que permitiu o resgate dos reféns foi 100% colombiana, apesar de os EUA terem auxiliado em ajustes prévios. Entrevistado sobre o papel de Washington na operação realizada nesta quarta-feira, Santos respondeu "nenhum" e completou: "Esta foi uma operação 100% colombiana".
"Nós informamos ao embaixador [americano em Bogotá, William Brownfield] porque havia uma promessa do presidente Álvaro Uribe de comunicar ao presidente George W. Bush qualquer tipo de operação", disse o ministro ao canal Caracol.
"Nós informamos e pedimos que nos ajudasse com algumas pessoas para testar as teorias que tínhamos e eles nos ajudaram um pouco a calibrar certas coisas, mas à margem. A verdade é que foi uma operação 100% colombiana, inclusive toda a inteligência foi colombiana", insistiu.
Citado pela imprensa colombiana, Brownfield afirmou ontem que a operação teve "cooperação cerrada" do governo americano, incluindo "intercâmbio de inteligência, de equipamentos e conselhos a partir de outras experiências".
Repercussão
Presidentes, ministros e partidos políticos de vários países, organizações internacionais, ex-reféns e o povo colombiano comemoraram o resgate de 15 reféns das Farc.
Centenas de colombianos saíram às ruas com bandeiras, enquanto motoristas promoveram um buzinaço. No norte de Bogotá, as ruas foram tomadas por centenas de pessoas que agitavam a bandeira nacional, aplaudiam e gritavam: "livres, livres, livres". Em Medellín (noroeste), segunda maior cidade colombiana, a imprensa local registrou cenas parecidas.
As primeiras reações no mundo todo foram de alegria e de pressão para que as Farc libertem todos os seus reféns ou voltem a dialogar com o governo colombiano.
O presidente da França, Nicolas Sarkozy pediu às Farc que desista de "seu absurdo combate". Ele conversou por telefone com o chefe de Estado da Colômbia, Álvaro Uribe, e se reuniu no Palácio do Eliseu com os filhos de Betancourt, Mélanie e Lorenzo, e com a irmã dela, Astrid,
O premiê espanhol, José Luis Rodríguez Zapatero, destacou o "lado humano" da libertação, após a situação "quase desesperada" na qual a ex-candidata se encontrava, divulgada nas últimas imagens da ex-candidata presidencial. "Hoje não só se libertou um refém, mas um símbolo de todos os reféns", acrescentaram fontes do Executivo espanhol. O governo espanhol pediu a libertação "incondicional" de todos os reféns.
Na Itália, o presidente do Senado, Renato Schifani, manifestou "grande satisfação" pelo resgate de Betancourt. Para a vice-presidente da Câmara italiana, Rosy Bindi, essa é "uma notícia extraordinária, que enche o coração de esperança e alegria".
América
O presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, felicitou Uribe, "um líder forte", durante uma conversa telefônica anunciada pelo porta-voz do Conselho de Segurança Nacional da Casa Branca, Gordon Johndroe.
Em resposta, Uribe agradeceu Bush pelo apoio e a confiança depositada no governo da Colômbia.
Na Argentina, a presidente Cristina Kirchner classificou como uma "vitória da vida e da liberdade" o resgate dos seqüestrados. Além disso, dedicou palavras especiais a Betancourt, transformada em símbolo de todos os reféns.
| 02.jul.2008/Ricardo Mazalan/AP |
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| Ex-refém Ingrid Betancourt recebe um beijo de sua mãe, ao chegar a Bogotá nesta quarta-feira, após seis anos em cativeiro |
O boliviano Evo Morales disse que a libertação da ex-candidata à Presidência é "importantíssima para a busca da paz e de acordos entre as Farc e o governo da Colômbia".
Morales atribuiu a libertação dos 15 reféns a um possível acordo entre as Farc e o Executivo de Uribe, apesar de isso não ter sido confirmado por nenhuma das partes e de o governo colombiano ter dito que a libertação foi possível graças a uma infiltração de seus militares em uma frente da guerrilha.
Já o governo chileno destacou a libertação como um passo em direção a "um processo significativo contínuo", até à libertação "da paz permanente" na Colômbia, "um país irmão, tão próximo ao Chile".
O chanceler chileno, Alejandro Foxley, reiterou ainda a condenação do Executivo ao uso político do seqüestro e enviou uma mensagem de "solidariedade" aos que ainda permanecem seqüestrados pela guerrilha colombiana.
No Equador, o ministro da Defesa, Javier Ponce, se disse "emocionado" e "aliviado" com a soltura dos 15 reféns. Porém lamentou o fato de o "resgate violento" não ter acontecido no âmbito de um acordo de paz com as Farc que dê uma "solução integral" ao conflito.
Brasil
O ministro Celso Amorim (Relações Exteriores) afirmou nesta quarta-feira que a libertação da política franco-colombiana Ingrid Betancourt e de outros 14 reféns da guerrilha representa o enfraquecimento das Farc.
Amorim e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva foram informados sobre o resgate durante audiência na tarde de ontem, na qual recebiam autoridades estrangeiras. Segundo o ministro, Lula deve conversar, nos próximos dias, com o presidente da Colômbia Álvaro Uribe.
"Esperamos que esse fato contribua para um rápida pacificação da Colômbia. Está muito claro que não há futuro para essa luta armada", acrescentou.
Com agências internacionais
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1 - A história dos hoteis esta ultrapassada?? Pois é , ainda acontede e é fato (ou por que um mal existe a muito tempo deixa de ser mal)
2 - Cuba É UM PAIS MISERAVEL e isso tambem é fato
3 - O embargo americano deixou de ser praticado a anos (se minha memória não falha, desde o fim da guerra fria), e Cuba não progrediu uma virgula
4 - Vcê conhece algum pais socialista e/ou comunista que progrediu? (Antes de falar na china lembre-se que é uma nação que vive de trabalho escravo e isso o boletim dos jogos olimpicos não mostra)
5 - Ainda sobre Cuba, vá conhecer a ilha de Fidel, depois você poderá ter uma opinião concreta sobre a administração cubana.
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