Betancourt pede que Chávez e Correa restabeleçam vínculos com Uribe
da Folha Online
Ex-refém das Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia), a política franco-colombiana Ingrid Betancourt, resgatada ontem em uma operação realizada pelo Exército colombiano, pediu nesta quinta-feira que os presidentes da Venezuela, Hugo Chávez, e Equador, Rafael Correa, restabeleçam vínculos com Bogotá em prol de novas libertações unilaterais da guerrilha.
"A primeira coisa que devemos fazer é um pedido ao presidente Chávez e ao presidente Correa para que nos ajudem a restabelecer vínculos de amizade, de fraternidade, de confiança com o presidente (Álvaro) Uribe. Essa é uma etapa essencial para que possamos vislumbrar novas libertações unilaterais", afirmou logo após o reencontro com seus filhos em Bogotá.
| Ricardo Mazalan/AP |
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| Ex-refém Ingrid Betancourt encontra os filhos Melanie e Lorenzo na Colômbia |
Betancourt também convidou os outros dirigentes políticos latino-americanos a se envolverem na solução do conflito interno que vive seu país. Ela apelou para a influência que vários presidente latino-americanos teriam sobre os comandantes das Farc para "que deixem o terrorismo de lado e empreendam o caminho da negociação".
As afirmações de Betancourt foram feitas logo após o encontro com seus dois filhos, Melanie e Lorenzo Delloye, em um aeroporto militar na Colômbia. O avião em que viajaram os dois, a irmã de Ingrid e o chanceler francês, Bernard Kouchner, aterrissou por volta das 8h17 (10h17 de Brasília) no aeroporto militar de Catam, a oeste de Bogotá.
Betancourt, acompanhada de sua mãe, Yolanda Pulecio, e de seu marido, Juan Carlos Lecompte, aguardou os filhos perto da escada do avião. Ao reencontrá-los, visivelmente emocionada, Betancourt não se conteve e chorou. Ela também abraçou seu ex-marido Fabrice Delloye e o chanceler francês.
"Estou muito orgulhosa deles, que lutaram sozinhos e travaram uma batalha belíssima por minha liberdade", afirmou Betancourt, recordando que a última vez que os viu eles eram apenas crianças.
"Agradeço a Deus por este momento. São meus filhinhos, meu orgulho, minha razão de viver, minha luz, minhas estrelas, por isso continuei com vontade de sair da selva, para poder voltar a vê-los", afirmou Betancourt.
Melanie e Lorenzo, que começaram a acenar para a mãe da janela do avião, disseram que estão vivendo o melhor momento de sua vida. "Sempre tememos um resgate militar, pelos riscos, mas agora, que vivemos esta felicidade, queremos desfrutar dela e vamos continuar lutando pela liberdade dos outros reféns", disse Melanie.
"Continuamos pensando nas famílias das pessoas que continuam seqüestradas. Não esquecemos delas e vamos continuar lutando por elas", acrescentou a filha.
Já Lorenzo afirmou estar sentindo uma "felicidade muito grande". Mas concordou com sua irmã: "Ganhamos um combate pela liberdade, mas ainda restam muitos reféns na selva e, por isso, não vamos parar, porque a liberdade é muito importante", disse.
Delegação
No Airbus A-319, que deverá levar nesta sexta-feira Betancourt de volta a Paris, viajava uma delegação de 30 pessoas, entre eles a irmã da ex-refém, Astrid Betancourt, seu filho e vários diplomatas e médicos.
O chanceler Kouchner agradeceu a Uribe e ao povo colombiano por sua "luta pela libertação" dos reféns em poder das Farc, e disse que Paris continuará apoiando os esforços pelos 24 reféns que permanecem em poder dos rebeldes. "É um milagre, um momento mágico, vê-la rodeada por sua família, isso não nos impede de pensar que outros ainda estão seqüestrados", ressaltou.
A ex-refém passou a primeira noite na casa de sua mãe em Bogotá relatando detalhes de seu seqüestro. "Nós começamos uma longa conversa em que nos narrou os detalhes de seu cativeiro. Ela quis tomar um café da manhã com laranjas, tinha esse desejo", afirmou seu marido Juan Carlos Lecompte à France Presse.
Operação
A operação realizada ontem resgatou a ex-candidata presidencial Ingrid Betancourt, os americanos Thomas Howes, Marc Gonsalves e Keith Stansell --ligados ao Departamento de Defesa dos EUA-- e 11 militares e policiais colombianos.
Militares da Colômbia disfarçados de trabalhadores humanitários resgataram Betancourt, 46, a refém mais importante das Farc, seqüestrada em 2002 quando fazia campanha eleitoral como candidata à Presidência.
"A operação foi absolutamente impecável", disse Betancourt ontem. "Creio que é um sinal de paz para a Colômbia."
| Arte Folha Online/Arte Folha Online |
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O resgate ocorreu na floresta do departamento de Guaviare, segundo o ministro da Defesa da Colômbia, Juan Manuel Santos. Militares colombianos fingiram ser membros de uma organização fictícia que supostamente iria levar os reféns de helicóptero a outro local, para se encontrarem com o líder das Farc, Alfonso Cano.
"Os helicópteros, que na realidade eram do Exército pegaram os reféns em Guaviare e os levaram à liberdade", afirmou o ministro. Dois guerrilheiros foram capturados na operação.
"Essa foi uma ação sem precedentes", afirmou o ministro ontem, em coletiva na sede do Ministério da Defesa, em Bogotá. "Isso entrará na história por sua audácia e efetividade."
Segundo o ministro, a operação que permitiu o resgate dos reféns foi 100% colombiana, apesar de os EUA terem auxiliado em ajustes prévios. Entrevistado sobre o papel de Washington na operação realizada nesta quarta-feira, Santos respondeu "nenhum" e completou: "Esta foi uma operação 100% colombiana".
"Nós informamos ao embaixador [americano em Bogotá, William Brownfield] porque havia uma promessa do presidente Álvaro Uribe de comunicar ao presidente George W. Bush qualquer tipo de operação", disse o ministro ao canal Caracol.
"Nós informamos e pedimos que nos ajudasse com algumas pessoas para testar as teorias que tínhamos e eles nos ajudaram um pouco a calibrar certas coisas, mas à margem. A verdade é que foi uma operação 100% colombiana, inclusive toda a inteligência foi colombiana", insistiu.
Citado pela imprensa colombiana, Brownfield afirmou ontem que a operação teve "cooperação cerrada" do governo americano, incluindo "intercâmbio de inteligência, de equipamentos e conselhos a partir de outras experiências".
Com agências internacionais
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Nem precisava tanta grana.
Quem pode entregar os "cabeças" das Farc, é só gente interna mesmo.
Por dinheiro, que a verdadeira ideologia deles, esses "guerilheiros", fazem qualquer coisa.
Como já mostraram antes que são capazes, cortando até as maos de um líder da guerilha, para comprovar sua eliminação.
Uma fração do oferecido, teria sido mais do que sufiente...
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