Mundo
03/07/2008 - 14h26

Betancourt pede que Chávez e Correa restabeleçam vínculos com Uribe

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da Folha Online

Ex-refém das Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia), a política franco-colombiana Ingrid Betancourt, resgatada ontem em uma operação realizada pelo Exército colombiano, pediu nesta quinta-feira que os presidentes da Venezuela, Hugo Chávez, e Equador, Rafael Correa, restabeleçam vínculos com Bogotá em prol de novas libertações unilaterais da guerrilha.

"A primeira coisa que devemos fazer é um pedido ao presidente Chávez e ao presidente Correa para que nos ajudem a restabelecer vínculos de amizade, de fraternidade, de confiança com o presidente (Álvaro) Uribe. Essa é uma etapa essencial para que possamos vislumbrar novas libertações unilaterais", afirmou logo após o reencontro com seus filhos em Bogotá.

Ricardo Mazalan/AP
Ex-refém Ingrid Betancourt encontra os filhos Melaine e Lorenzo na Colômbia
Ex-refém Ingrid Betancourt encontra os filhos Melanie e Lorenzo na Colômbia

Betancourt também convidou os outros dirigentes políticos latino-americanos a se envolverem na solução do conflito interno que vive seu país. Ela apelou para a influência que vários presidente latino-americanos teriam sobre os comandantes das Farc para "que deixem o terrorismo de lado e empreendam o caminho da negociação".

As afirmações de Betancourt foram feitas logo após o encontro com seus dois filhos, Melanie e Lorenzo Delloye, em um aeroporto militar na Colômbia. O avião em que viajaram os dois, a irmã de Ingrid e o chanceler francês, Bernard Kouchner, aterrissou por volta das 8h17 (10h17 de Brasília) no aeroporto militar de Catam, a oeste de Bogotá.

Betancourt, acompanhada de sua mãe, Yolanda Pulecio, e de seu marido, Juan Carlos Lecompte, aguardou os filhos perto da escada do avião. Ao reencontrá-los, visivelmente emocionada, Betancourt não se conteve e chorou. Ela também abraçou seu ex-marido Fabrice Delloye e o chanceler francês.

"Estou muito orgulhosa deles, que lutaram sozinhos e travaram uma batalha belíssima por minha liberdade", afirmou Betancourt, recordando que a última vez que os viu eles eram apenas crianças.

"Agradeço a Deus por este momento. São meus filhinhos, meu orgulho, minha razão de viver, minha luz, minhas estrelas, por isso continuei com vontade de sair da selva, para poder voltar a vê-los", afirmou Betancourt.

Melanie e Lorenzo, que começaram a acenar para a mãe da janela do avião, disseram que estão vivendo o melhor momento de sua vida. "Sempre tememos um resgate militar, pelos riscos, mas agora, que vivemos esta felicidade, queremos desfrutar dela e vamos continuar lutando pela liberdade dos outros reféns", disse Melanie.

"Continuamos pensando nas famílias das pessoas que continuam seqüestradas. Não esquecemos delas e vamos continuar lutando por elas", acrescentou a filha.

Já Lorenzo afirmou estar sentindo uma "felicidade muito grande". Mas concordou com sua irmã: "Ganhamos um combate pela liberdade, mas ainda restam muitos reféns na selva e, por isso, não vamos parar, porque a liberdade é muito importante", disse.

Delegação

No Airbus A-319, que deverá levar nesta sexta-feira Betancourt de volta a Paris, viajava uma delegação de 30 pessoas, entre eles a irmã da ex-refém, Astrid Betancourt, seu filho e vários diplomatas e médicos.

O chanceler Kouchner agradeceu a Uribe e ao povo colombiano por sua "luta pela libertação" dos reféns em poder das Farc, e disse que Paris continuará apoiando os esforços pelos 24 reféns que permanecem em poder dos rebeldes. "É um milagre, um momento mágico, vê-la rodeada por sua família, isso não nos impede de pensar que outros ainda estão seqüestrados", ressaltou.

A ex-refém passou a primeira noite na casa de sua mãe em Bogotá relatando detalhes de seu seqüestro. "Nós começamos uma longa conversa em que nos narrou os detalhes de seu cativeiro. Ela quis tomar um café da manhã com laranjas, tinha esse desejo", afirmou seu marido Juan Carlos Lecompte à France Presse.

Operação

A operação realizada ontem resgatou a ex-candidata presidencial Ingrid Betancourt, os americanos Thomas Howes, Marc Gonsalves e Keith Stansell --ligados ao Departamento de Defesa dos EUA-- e 11 militares e policiais colombianos.

Militares da Colômbia disfarçados de trabalhadores humanitários resgataram Betancourt, 46, a refém mais importante das Farc, seqüestrada em 2002 quando fazia campanha eleitoral como candidata à Presidência.

"A operação foi absolutamente impecável", disse Betancourt ontem. "Creio que é um sinal de paz para a Colômbia."

Arte Folha Online/Arte Folha Online

O resgate ocorreu na floresta do departamento de Guaviare, segundo o ministro da Defesa da Colômbia, Juan Manuel Santos. Militares colombianos fingiram ser membros de uma organização fictícia que supostamente iria levar os reféns de helicóptero a outro local, para se encontrarem com o líder das Farc, Alfonso Cano.

"Os helicópteros, que na realidade eram do Exército pegaram os reféns em Guaviare e os levaram à liberdade", afirmou o ministro. Dois guerrilheiros foram capturados na operação.

"Essa foi uma ação sem precedentes", afirmou o ministro ontem, em coletiva na sede do Ministério da Defesa, em Bogotá. "Isso entrará na história por sua audácia e efetividade."

Segundo o ministro, a operação que permitiu o resgate dos reféns foi 100% colombiana, apesar de os EUA terem auxiliado em ajustes prévios. Entrevistado sobre o papel de Washington na operação realizada nesta quarta-feira, Santos respondeu "nenhum" e completou: "Esta foi uma operação 100% colombiana".

"Nós informamos ao embaixador [americano em Bogotá, William Brownfield] porque havia uma promessa do presidente Álvaro Uribe de comunicar ao presidente George W. Bush qualquer tipo de operação", disse o ministro ao canal Caracol.

"Nós informamos e pedimos que nos ajudasse com algumas pessoas para testar as teorias que tínhamos e eles nos ajudaram um pouco a calibrar certas coisas, mas à margem. A verdade é que foi uma operação 100% colombiana, inclusive toda a inteligência foi colombiana", insistiu.

Citado pela imprensa colombiana, Brownfield afirmou ontem que a operação teve "cooperação cerrada" do governo americano, incluindo "intercâmbio de inteligência, de equipamentos e conselhos a partir de outras experiências".

Com agências internacionais

Comentários dos leitores
João Carlos Gagliardi (581) 09/02/2009 17h55
João Carlos Gagliardi (581) 09/02/2009 17h55
As Farc tem que agradecer ao lula e ao pt, não ao Brasil, bem como aos traidores brasileiros que integram a organização neo-comunista chamada "Foro de São Paulo", do qual o pt faz parte, juntamente com vários bolivarianos demagogos e os narcotraficanntes da Farc, que tem contato direto com membros do primeiro escalão deste nosso (des)governo, pela ajuda política que tem recebido.
As Farc, são compostas por sequestradores e traficantes, que sequer são classificados assim pela imprensa marrom controlada pelos petralhas.
Esses bandidos, que tentam derrubar o governo democraticamente eleito da colombia, são inacreditavelmente tratados pelo governo brasileiro como "revolucionários"...
Então, sem dúvida as Farc tem muito para agradecer a alguns "brasileiros"...
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Ronaldo Luis Gonçalves (36) 09/02/2009 17h55
Ronaldo Luis Gonçalves (36) 09/02/2009 17h55
A FARC, vai acabar virando partido político na Bolivia, e largar as armas, o que é um bom negócio. O PT têm uma história antiga com este grupo, é por causa disto agora recebe apoio direto do palácio. A minha opinião é que o Brasil agiu bem, ao ajudar este grupo. 3 opiniões
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É interessante observar o ranço ideológico com que alguns participantes deste Fórum referem-se à Cuba.
Inegavelmente o citado país não pode ser apontado como um exemplo de bem estar sócio-econômico e muito menos o regime político com que se possa sonhar quando se pensa em Democracia. Por outro lado, não se pode ignorar que seus Governantes conseguiram indiscutíveis avanços na área educacional, saneamento básico e medicina preventiva (não estou fazendo apologia de Cuba mas tão somente reconhecendo resultados que indicadores sócio-econômicos identificam). Basta comparar IDH, percentual de analfabetismo e IDH com outros países da África e América Latina, por exemplo, que possuem população e PIB semelhantes e em tese, constituem-se em regimes democráticos (há controvérsias) mas sem dúvida, e que optaram pelo Capitalismo.
Em suma, como frequentemente ocorre, na natureza e na Política a avaliação mais justa tende ao centro em detrimento de posições extremadas (demonizar ou insensar costuma induzir a equívocos de igual magnitude).
Não é demais reconhecer que mesmo a crítica das estratégias e políticas implantadas fica prejudicada na medida em que esse país foi sim muito prejudicado pelo embargo norte-americano (imagine o que seria da China - cujo regime até onde se sabe é tão ou mais totalitário quanto o cubano - não pudesse comercializar com o maior Mercado mundial...
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