"Tinha me preparado para mais 4 anos na selva", diz Betancourt
colaboração para a Folha Online
A ex-refém franco-colombiana, Ingrid Betancourt, afirmou nesta quinta-feira que esperava passar "mais quatro anos na selva" e ainda "não sabe" o que fará no futuro.
"Tinha me programado para mais quatro anos na selva. Essa liberdade chegou de repente. Ainda estou anestesiada pelo choque. É difícil refletir por mim mesma", disse a ex-refém em entrevista ao canal de televisão público francês France 2.
| Ricardo Mazalan/AP |
![]() |
| Ex-refém Ingrid Betancourt encontra os filhos Melanie e Lorenzo na Colômbia |
Betancourt foi libertada ontem junto a outros 14 seqüestrados das Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia), entre os quais três norte-americanos e 11 militares e policiais colombianos.
As vítimas foram resgatadas por militares da Colômbia disfarçados de trabalhadores humanitários. Betancourt estava há seis anos com as Farc, tempo no qual afirmou ter sido tratada "como um cão".
Betancourt --que era candidata à Presidência quando foi seqüestrada, em fevereiro de 2002-- afirmou que não sabe se irá morar na Colômbia ou na França, mas a decisão dependerá da necessidade de seus filhos e parentes.
"O ideal para mim seria ter o dom da onipresença e estar ao mesmo tempo na Colômbia e na França", disse ela.
Morte
Betancourt falou sobre a deterioração de seu Estado de saúde durante o cativeiro, dizendo que "com certeza" havia pensado que morrer era uma possibilidade.
"A morte chega muito muito rápido na selva", disse, antes de afirmar que seus seqüestradores a haviam privado, inclusive, de medicamentos.
| Arte Folha Online/Arte Folha Online |
![]() |
"Nem sequer era um tratamento para um animal. (...) Só havia crueldade, arbitrariedade e maldade", acrescentou.
Questionada sobre seu atual estado de saúde, ela respondeu: "estou em plena forma. Em liberdade não há cansaço algum".
Betancourt também disse que, durante seu cativeiro, tinha "espasmos de ódio" contra seus seqüestradores.
"Mas me dizia que uma vez livre, eu queria estar livre de tudo, e em especial do ódio", afirmou, acrescentando que as Farc devem "corrigir" sua política que já não "representa nada na Colômbia" e "não tem nada de respeitável".
Vínculos
Nesta manhã, logo após encontrar-se com seus filhos em Bogotá, Betancourt pediu que os presidentes da Venezuela, Hugo Chávez, e Equador, Rafael Correa, restabeleçam vínculos com a Colômbia em prol de novas libertações unilaterais da guerrilha.
"A primeira coisa que devemos fazer é um pedido ao presidente Chávez e ao presidente Correa para que nos ajudem a restabelecer vínculos de amizade, de fraternidade, de confiança com o presidente (Álvaro) Uribe. Essa é uma etapa essencial para que possamos vislumbrar novas libertações unilaterais", afirmou.
O avião em que viajaram os filhos Melanie e Lorenzo Delloye, a irmã de Ingrid e o chanceler francês, Bernard Kouchner, aterrissou por volta das 8h17 (10h17 de Brasília) no aeroporto militar de Catam, a oeste de Bogotá.
Betancourt também convidou os outros dirigentes políticos latino-americanos a se envolverem na solução do conflito interno que vive seu país. Ela apelou para a influência que vários presidente latino-americanos teriam sobre os comandantes das Farc para "que deixem o terrorismo de lado e empreendam o caminho da negociação".
Irmão
Chávez afirmou que já felicitou o colega colombiano Alvaro Uribe e se colocou à disposição para ajudar na libertação de todos os seqüestrados e obter a paz no país vizinho.
"Felicitamos a Colômbia. Liguei para Uribe e o felicitei. Continuamos à disposição para ajudar até que se libere o último refém da guerrilha colombiana e para conseguir a paz, a paz plena na Colômbia", disse o presidente na Isla Margarita (norte de Venezuela), onde participou de uma reunião de países não-alinhados.
Chávez voltou a pedir à guerrilha das Farc que renuncie ao uso das armas e mandou um beijo a Betancourt.
"Ingrid Betancourt, mando este beijo a você. Eu disse: se tivesse que ir ao mais profundo da selva para buscar Ingrid e seus companheiros, eu iria. (...) Felizmente, não foi necessário", afirmou Chávez.
O presidente venezuelano também disse que prevê encontrar-se nos próximos dias com Uribe, no primeiro encontro bilateral entre os dirigentes desde o final de 2007, quando Chávez foi afastado pelo governante colombiano das negociações com as Farc.
Uribe "será recebido como sempre, como um irmão, como um amigo. Nos dissemos coisas duras. Entre irmãos acontecem essas coisas. (...) Mas passou e tomara que tenha passado para sempre", acrescentou Chávez.
Com agências internacionais
Leia mais
- Betancourt pede que Chávez e Correa restabeleçam vínculos com Uribe
- Após seis anos, Ingrid Betancourt reencontra filhos na Colômbia
- Betancourt estará em Paris amanhã, diz governo francês
- Operação de resgate foi 100% colombiana, diz ministro da Defesa
- Exército enganou guerrilheiro em "operação cinematográfica", diz ministro
- Uribe "renova fôlego" com resgate de Betancourt, diz analista
Livraria da Folha
- Obras da série "Folha Explica" discutem política e eleições
- Leia capítulo de "Folha Explica a Violência Urbana"
- Agente que viveu infiltrado apresenta perspectiva única do terrorismo
Especial




1 - A história dos hoteis esta ultrapassada?? Pois é , ainda acontede e é fato (ou por que um mal existe a muito tempo deixa de ser mal)
2 - Cuba É UM PAIS MISERAVEL e isso tambem é fato
3 - O embargo americano deixou de ser praticado a anos (se minha memória não falha, desde o fim da guerra fria), e Cuba não progrediu uma virgula
4 - Vcê conhece algum pais socialista e/ou comunista que progrediu? (Antes de falar na china lembre-se que é uma nação que vive de trabalho escravo e isso o boletim dos jogos olimpicos não mostra)
5 - Ainda sobre Cuba, vá conhecer a ilha de Fidel, depois você poderá ter uma opinião concreta sobre a administração cubana.
avalie fechar
avalie fechar
avalie fechar