Mundo
03/07/2008 - 20h32

"Tinha me preparado para mais 4 anos na selva", diz Betancourt

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colaboração para a Folha Online

A ex-refém franco-colombiana, Ingrid Betancourt, afirmou nesta quinta-feira que esperava passar "mais quatro anos na selva" e ainda "não sabe" o que fará no futuro.

"Tinha me programado para mais quatro anos na selva. Essa liberdade chegou de repente. Ainda estou anestesiada pelo choque. É difícil refletir por mim mesma", disse a ex-refém em entrevista ao canal de televisão público francês France 2.

Ricardo Mazalan/AP
Ex-refém Ingrid Betancourt encontra os filhos Melaine e Lorenzo na Colômbia
Ex-refém Ingrid Betancourt encontra os filhos Melanie e Lorenzo na Colômbia

Betancourt foi libertada ontem junto a outros 14 seqüestrados das Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia), entre os quais três norte-americanos e 11 militares e policiais colombianos.

As vítimas foram resgatadas por militares da Colômbia disfarçados de trabalhadores humanitários. Betancourt estava há seis anos com as Farc, tempo no qual afirmou ter sido tratada "como um cão".

Betancourt --que era candidata à Presidência quando foi seqüestrada, em fevereiro de 2002-- afirmou que não sabe se irá morar na Colômbia ou na França, mas a decisão dependerá da necessidade de seus filhos e parentes.

"O ideal para mim seria ter o dom da onipresença e estar ao mesmo tempo na Colômbia e na França", disse ela.

Morte

Betancourt falou sobre a deterioração de seu Estado de saúde durante o cativeiro, dizendo que "com certeza" havia pensado que morrer era uma possibilidade.

"A morte chega muito muito rápido na selva", disse, antes de afirmar que seus seqüestradores a haviam privado, inclusive, de medicamentos.

Arte Folha Online/Arte Folha Online

"Nem sequer era um tratamento para um animal. (...) Só havia crueldade, arbitrariedade e maldade", acrescentou.

Questionada sobre seu atual estado de saúde, ela respondeu: "estou em plena forma. Em liberdade não há cansaço algum".

Betancourt também disse que, durante seu cativeiro, tinha "espasmos de ódio" contra seus seqüestradores.

"Mas me dizia que uma vez livre, eu queria estar livre de tudo, e em especial do ódio", afirmou, acrescentando que as Farc devem "corrigir" sua política que já não "representa nada na Colômbia" e "não tem nada de respeitável".

Vínculos

Nesta manhã, logo após encontrar-se com seus filhos em Bogotá, Betancourt pediu que os presidentes da Venezuela, Hugo Chávez, e Equador, Rafael Correa, restabeleçam vínculos com a Colômbia em prol de novas libertações unilaterais da guerrilha.

"A primeira coisa que devemos fazer é um pedido ao presidente Chávez e ao presidente Correa para que nos ajudem a restabelecer vínculos de amizade, de fraternidade, de confiança com o presidente (Álvaro) Uribe. Essa é uma etapa essencial para que possamos vislumbrar novas libertações unilaterais", afirmou.

O avião em que viajaram os filhos Melanie e Lorenzo Delloye, a irmã de Ingrid e o chanceler francês, Bernard Kouchner, aterrissou por volta das 8h17 (10h17 de Brasília) no aeroporto militar de Catam, a oeste de Bogotá.

Betancourt também convidou os outros dirigentes políticos latino-americanos a se envolverem na solução do conflito interno que vive seu país. Ela apelou para a influência que vários presidente latino-americanos teriam sobre os comandantes das Farc para "que deixem o terrorismo de lado e empreendam o caminho da negociação".

Irmão

Chávez afirmou que já felicitou o colega colombiano Alvaro Uribe e se colocou à disposição para ajudar na libertação de todos os seqüestrados e obter a paz no país vizinho.

"Felicitamos a Colômbia. Liguei para Uribe e o felicitei. Continuamos à disposição para ajudar até que se libere o último refém da guerrilha colombiana e para conseguir a paz, a paz plena na Colômbia", disse o presidente na Isla Margarita (norte de Venezuela), onde participou de uma reunião de países não-alinhados.

Chávez voltou a pedir à guerrilha das Farc que renuncie ao uso das armas e mandou um beijo a Betancourt.

"Ingrid Betancourt, mando este beijo a você. Eu disse: se tivesse que ir ao mais profundo da selva para buscar Ingrid e seus companheiros, eu iria. (...) Felizmente, não foi necessário", afirmou Chávez.

O presidente venezuelano também disse que prevê encontrar-se nos próximos dias com Uribe, no primeiro encontro bilateral entre os dirigentes desde o final de 2007, quando Chávez foi afastado pelo governante colombiano das negociações com as Farc.

Uribe "será recebido como sempre, como um irmão, como um amigo. Nos dissemos coisas duras. Entre irmãos acontecem essas coisas. (...) Mas passou e tomara que tenha passado para sempre", acrescentou Chávez.

Com agências internacionais

Comentários dos leitores
Jorge Bronze (42) 02/12/2009 07h58
Jorge Bronze (42) 02/12/2009 07h58
JR, você deveria dizer que os votos estão sendo comprados juntamente com suas consciências. Os bolsas diversas não dignificam ninguém, apenas resolvem num momento o seu problema, este desgoverno pretende criar mais dois bolsas, o da cultura e o do celular, isso se chama compra de voto, e o PT é PHD nisso, agora falar em 3º mandato para o imcomPeTente, é exatamente fazer o que o lixo do Zelaia iria fazer, se perpetuar no poder como alguns idiotas estão querendo fazer na América Latina, simplificando alguns são cópias baratas do Hugo Chavez e este por sua vez é uma planta nascida do esterco da revolução cubana. Este governo, tem sim laços de amizade com as FARC, pois guerrilheiro defende guerrilheiro, o caso mais conhecido neste governo é a Dilma, que era também colega do heroi do PT "Lamarca", guerrilheiro assassino cruel, assaltante de bancos, (aliás a Dilma também foi), sequestrador, ladrão de armas do exército, desertor, e ainda assim sua familia recebeu mais de um milhão de indenização mais a pensão de coronel. sem opinião
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Ricardo Perrone (48) 12/11/2009 11h26
Ricardo Perrone (48) 12/11/2009 11h26
O Governo colombiano não deveria exercer esse tipo de artifício para capturar assassinos, bandidos ou guerrilheiros. Pagar recompensa é um estímulo a práticas detestáveis do caráter humano, como: ganância, traição e mentira. O governo deveria pegar o valor de tal recompensa e empregar nas atividades investigativas da polícia ou mesmo em sua modernização. O Estado deve ter por meta estimular o bom comportamento na sociedade, banindo práticas detestáveis mesmo que sejam por uma boa causa. 5 opiniões
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O Pacificador (232) 12/11/2009 11h03
O Pacificador (232) 12/11/2009 11h03
"Governo colombiano oferece US$ 1 milhão pelos assassinos de soldados do país..."
Nem precisava tanta grana.
Quem pode entregar os "cabeças" das Farc, é só gente interna mesmo.
Por dinheiro, que a verdadeira ideologia deles, esses "guerilheiros", fazem qualquer coisa.
Como já mostraram antes que são capazes, cortando até as maos de um líder da guerilha, para comprovar sua eliminação.
Uma fração do oferecido, teria sido mais do que sufiente...
sem opinião
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