Betancourt conta que ficou acorrentada 24 horas por dia durante três anos
da Efe, em Paris
da Folha Online
A ex-refém das Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) Ingrid Betancourt contou que ficou acorrentada 24 horas por dia durante três anos enquanto estava no cativeiro da guerrilha, do qual foi resgatada nesta quarta-feira pelo Exército colombiano.
"Tentava carregar as correntes e viver com dignidade, mas às vezes me dava conta de que era insuportável", disse ela em entrevista transmitida pela emissora de rádio francesa Europe 1, poucas horas antes de desembarcar em Paris.
Perguntada sobre as humilhações às quais foi submetida, respondeu que "havia momentos de maus-tratos", e disse que o tratamento que recebia dos guerrilheiros era variável e que "sabia que em qualquer momento esse lado cruel podia surgir".
A ex-candidata presidencial franco-colombiana não quis entrar em detalhes sobre os maus-tratos e disse que quando entrou no helicóptero do Exército que a libertou junto com outros 14 seqüestrados conclui que "as pessoas não deveriam conhecer esses detalhes sórdidos".
Betancourt foi libertada ontem junto a outros 14 seqüestrados, entre os quais três norte-americanos e 11 militares e policiais colombianos.
As vítimas foram resgatadas por militares da Colômbia disfarçados de trabalhadores humanitários. Betancourt estava há seis anos com as Farc, tempo no qual afirmou ter sido tratada "como um cão".
| Arte Folha Online/Arte Folha Online |
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Betancourt --que era candidata à Presidência quando foi seqüestrada, em fevereiro de 2002-- afirmou que não sabe se irá morar na Colômbia ou na França, mas a decisão dependerá da necessidade de seus filhos e parentes.
Quatro anos
Na entrevista, Betancourt contou que acreditava que seu seqüestro duraria mais quatro anos: os dois que faltam para o fim do mandato do atual governo colombiano, e outros dois que seriam necessários para relançar um processo para a libertação de reféns.
Betancourt viajou nesta quinta-feira para Paris, onde vai ser recebida no aeroporto militar de Villacoublay, nas cercanias de Paris, pelo presidente francês, Nicolas Sarkozy. Antes de viajar, ela afirmou que está "ansiosa" para chegar, especialmente para ficar com sua família na França.
Na entrevista, ela disse que está surpreendida com a popularidade que tem e agradeceu a todos por acompanhá-la durante o período em que esteve em cativeiro. "Sinto que sou abençoada por Deus", afirmou.
Ao comentar sobre seus filhos, Betancourt disse que encontrou "adultos com uma personalidade extraordinária, grande inteligência e grande espiritualidade".
Em sua estadia na França, a ex-refém das Farc também deve passar por um exame médico detalhado. Na próxima semana, ela deve viajar ao Vaticano para se encontrar com o papa Bento 16.
Morte
Ao canal de televisão France 2, Betancourt falou sobre a deterioração de seu Estado de saúde durante o cativeiro, dizendo que "com certeza" havia pensado que morrer era uma possibilidade.
"A morte chega muito muito rápido na selva", disse, antes de afirmar que seus seqüestradores a haviam privado, inclusive, de medicamentos. "Nem sequer era um tratamento para um animal. (...) Só havia crueldade, arbitrariedade e maldade."
Questionada sobre seu atual estado de saúde, ela respondeu: "estou em plena forma. Em liberdade não há cansaço algum". Betancourt também disse que, durante seu cativeiro, tinha "espasmos de ódio" contra seus seqüestradores.
"Mas me dizia que uma vez livre, eu queria estar livre de tudo, e em especial do ódio", afirmou, acrescentando que as Farc devem "corrigir" sua política que já não "representa nada na Colômbia" e "não tem nada de respeitável".
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Nem precisava tanta grana.
Quem pode entregar os "cabeças" das Farc, é só gente interna mesmo.
Por dinheiro, que a verdadeira ideologia deles, esses "guerilheiros", fazem qualquer coisa.
Como já mostraram antes que são capazes, cortando até as maos de um líder da guerilha, para comprovar sua eliminação.
Uma fração do oferecido, teria sido mais do que sufiente...
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