Mundo
04/07/2008 - 22h15

Deputados argentinos iniciam debate sobre impostos agrários

da Efe, em Buenos Aires

A Câmara dos Deputados da Argentina começou nesta sexta-feira a debater os impostos à exportação de grãos, que há quase quatro meses é tema de disputa entre o governo e o setor agropecuário.

Na sessão, iniciada com atraso, a maioria governista busca ratificar as alíquotas móveis impostas em março pelo Executivo, que contam com a rejeição das patronais do campo e de setores da oposição.

Partidários do governo argentino se concentraram nas imediações da sede do Congresso, que foi rodeada por uma cerca.

Horas antes do início do debate, as associações rurais advertiram que existem grandes chances de que os protestos sejam retomados caso os deputados aprovem o projeto impulsionado pelo Executivo.

A iniciativa, que caso for aprovada pela Câmara dos Deputados ainda deverá passar pelo Senado, mantém o esquema tributário que rege desde março para as exportações de soja, milho, trigo e girassol, mas amplia as compensações que o governo já havia estabelecido para os pequenos e médios produtores.

Embate

A maioria dos legisladores da oposição e alguns do governo se alinharam em apoio a um projeto que reduz a carga impositiva, enquanto outras forças e os dirigentes agrários diretamente propõem a suspensão da aplicação das retenções móveis.

Após várias horas de árduas negociações, foi possível reunir o quórum necessário para abrir a sessão na Câmara dos Deputados, onde é possível que o debate se estenda até as primeiras horas do sábado.

"Com o projeto do governo não se resolve o problema, já que continua sendo confiscatório e não vai a fundo com a situação dos pequenos e médios produtores", afirmou o presidente da Federação Agrária, Eduardo Buzzi.

Depois que o Executivo aumentou a pressão fiscal sobre as exportações de grãos, em março, as organizações do campo fizeram quatro locautes e bloqueios de estradas que causaram desabastecimento de alimentos e matérias-primas para a indústria.

Depois de mais de 100 dias de protestos do setor rural e de vários panelaços nas cidades mais povoadas, a presidente do país, Cristina Kirchner, levou a medida para votação no Congresso.

 

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