Deputados argentinos aprovam medidas que causaram protestos no país
da Folha Online
A Câmara dos Deputados da Argentina aprovou neste sábado (5) um projeto de lei que ratifica os impostos às exportações de grãos adotados pelo governo em março --e que geraram um conflito com o setor agropecuário, que bloqueou estradas e gerou problemas de distribuição.
Após mais de 17 horas de debate, a maioria governista conseguiu que a iniciativa, que modifica alguns aspectos da medida adotada há quase quatro meses, fosse aprovada com 128 votos a favor, enquanto 123 parlamentares se pronunciaram contra. Eram necessários 125 votos para aprovar a medida.
A iniciativa mantém o esquema tributário que rege desde março para as exportações de soja, milho, trigo e girassol, mas amplia as compensações que o governo já havia estabelecido para os pequenos e médios produtores.
O projeto impulsionado pelo Executivo ainda precisa receber o sinal verde do Senado, que vai analisar o assunto nos próximos dias, e conta com a rejeição das associações patronais rurais, que fizeram vários protestos contra o esquema tributário e consideram 'insuficientes' as mudanças introduzidas pelos parlamentares.
A presidente do país, Cristina Fernández de Kirchner, determinou um aumento de mais de 10% nesses impostos em março. Até aliados do governo criticaram a medida e pediram que a presidente negociasse para pôr fim à crise. A popularidade de Cristina foi afetada pela decisão.
Ela enviou o pacote de medidas para o Congresso há duas semanas, em um esforço para enfraquecer a crise, mas críticos alegaram que a decisão era apenas "teatro", já que o governo detém a maioria nas duas Casas.
Horas antes do início do debate, as associações rurais advertiram que existem grandes chances de que os protestos sejam retomados caso os deputados aprovassem o projeto do Executivo.
Depois que o Executivo aumentou a pressão fiscal sobre as exportações de grãos, em março, as organizações do campo fizeram quatro locautes e bloqueios de estradas que causaram desabastecimento de alimentos e matérias-primas para a indústria.
Depois de mais de cem dias de protestos do setor rural e de vários panelaços nas cidades mais povoadas, a presidente do país levou a medida para votação no Congresso.
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