Casa Branca diz que G8 emitirá condenação ao Zimbábue
da Efe, em Toyako (Japão)
O G8 (grupo dos sete países mais ricos e a Rússia) emitirá em sua reunião esta semana uma condenação ao regime do presidente Robert Mugabe no Zimbábue, afirmou neste sábado um alto funcionário da Casa Branca.
O responsável da política para a Ásia da Casa Branca, Dennis Wiler, disse que os oito países abordarão em sua reunião o assunto das recentes eleições em Zimbábue. Ele falou com a imprensa a bordo do avião "Air Force One" que leva o presidente George W. Bush à cúpula do G8 em Toyako (Japão).
O regime de Mugabe recebeu a condenação internacional após a realização há nove dias do segundo turno das eleições presidenciais em seu país, apesar da oposição ter se retirado perante a campanha de violência política.
| Arte Folha Online |
![]() |
No último dia 29 de março, o partido governante, Zanu-PF (União Nacional Africana do Zimbábue - Frente Patriótica), do ditador Robert Mugabe --que está na Presidência do país desde 1980--, enfrentou nas urnas o opositor MDC (Movimento pela Mudança Democrática), do líder Morgan Tsvangirai.
Poucos dias após o pleito, a Comissão Eleitoral anunciou que o MDC obteve maioria na Câmara Baixa do Parlamento, nas eleições legislativas, conseguindo 109 cadeiras, contra 97 do Zanu-PF.
Apesar de divulgar o resultado das eleições legislativas, a Comissão Eleitoral demorou mais de um mês para anunciar a vitória da oposição também nas eleições presidenciais.
Mugabe se proclamou, em 29 de junho, vencedor do segundo turno das eleições presidenciais, depois que seu adversário, Morgan Tsvangirai, retirou-se em protesto pela onda de ataques e assassinatos lançada pelas milícias pró-governo e pelas forças de segurança contra seus seguidores.
A União Africana (UA) pediu em 1º de julho a Mugabe para negociar um governo de união nacional com a oposição, mas tanto o líder quanto Tsvangirai rejeitaram a sugestão.
Sanções
Os EUA apresentaram nesta quinta-feira oficialmente aos membros do Conselho de Segurança da ONU um projeto de resolução que impõe sanções ao governo do Zimbábue, a fim de que seja levado à votação na próxima semana.
O embaixador dos EUA perante a ONU, Zalmay Khalilzad, disse na saída de uma reunião do principal órgão que o conjunto de sanções que o país apresentou se restringe à cúpula governamental e evita castigar o povo zimbabuano.
"O que buscamos é incentivá-los para que cooperem na busca de uma solução que resolva a crise, com a formação de um governo que represente a legítima vontade do povo zimbabuano" afirmou o diplomata americano.
Ele indicou que deseja que o texto seja levado à votação "na próxima semana", depois da reunião sobre o Zimbábue que o órgão deve realizar na terça-feira (8).
O G8 --formado por EUA, Canadá, Reino Unido, França, Alemanha, Itália, Japão e Rússia-- começará esta segunda-feira uma reunião de três dias em um hotel de luxo, na ilha japonesa de Hokkaido.
Em várias de suas sessões serão acompanhados pelos líderes de sete países africanos e das principais economias emergentes, entre elas China, México e Brasil.
Leia mais
- Câmera escondida revela manipulação de votos no Zimbábue
- EUA apresentam sanções contra o Zimbábue na ONU
- Cerca de 200 buscam refúgio em Embaixada dos EUA no Zimbábue
- EUA apresentam sanções contra o Zimbábue na ONU
- Para analista, crise no Zimbábue continuaria mesmo sem Mugabe
- Entenda a crise política do Zimbábue
- Líder da oposição no Zimbábue rejeita governo de unidade nacional
- Governo e oposição do Zimbábue rejeitam formar coalizão
- Líder da oposição deixa embaixada holandesa no Zimbábue
Livraria da Folha
- Entenda os princípios do regime democrático
- Livro ajuda a entender como funciona a república; leia capítulo
- Zimbábue foi cercado por muros e teve nome de milionário; conheça a origem do nome do país
Especial


