Mundo
08/07/2008 - 10h08

Irã faz exercício militar; presidente descarta guerra com EUA ou Israel

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colaboração para a Folha Online

Unidades aéreas e navais da Guarda Revolucionária do Irã realizam manobras militares no Golfo Pérsico nesta terça-feira. Em Kuala Lampur, o presidente, Mahmoud Ahmadinejad, nega que haja a possibilidade de uma guerra entre seu país e os Estados Unidos ou Israel.

"Garanto que não haverá nenhuma guerra no futuro", disse o presidente iraniano, que está em Kuala Lumpur para uma cúpula de países islâmicos em desenvolvimento.

Os soldados do setor de elite das Forças Armadas iranianas ensaiam exercícios com diferentes tipos de mísseis, segundo informou a emissora de TV Alalam. "As manobras Grande Profeta 3º das quais participam as unidades balísticas aéreas e unidades navais dos Guardas estão sendo efetuadas neste momento", informou a agência de notícias Fars.

Estas manobras começaram nesta segunda-feira, um dia após exercícios militares das forças dos EUA, Reino Unido e Barein na região. O exercício militar aumenta a tensão no golfo causada pelas ameaças de Teerã de bloquear o Estreito de Ormuz, caso o Irã seja atacado.

Os exercícios da Guarda têm como principal objetivo "aumentar a capacidade defensiva e a preparação das unidades marítimas e de mísseis", disseram fontes militares, segundo a Alalam.

Ameaças

Vários oficiais da Guarda, uma força considerada central no regime de Teerã, advertiram nos últimos meses que possuem diferentes tipos de mísseis capazes de atingir todas as bases do "inimigo" na região.

Este braço militar iraniano, criado após a Revolução Islâmica de 1979, possui reconhecidamente vários mísseis, entre eles os Shahab-3, capazes de atingir Israel e as bases militares norte-americanas no Oriente Médio.

Arte Folha Online
mapa Irã

Nesta terça-feira, um assessor do líder supremo iraniano, o aiatolá Ali Khamenei, afirmou que o Irã atacará Israel e a frota militar norte-americana no Golfo em resposta a qualquer agressão dos Estados Unidos, segundo a agência Fars.

"O primeiro disparo norte-americano contra o Irã provocará um incêndio nos interesses vitais dos Estados Unidos no mundo", afirmou o hoyatoleslam Ali Shirazi, representante de Khamenei nas forças navais da Guarda Revolucionária.

"Tel Aviv e a frota norte-americana no Golfo Pérsico serão os alvos incendiados na arrasadora resposta do Irã", disse ainda, de acordo com a agência Fars.

Na semana passada, o comandante da Guarda, general Mohammad Ali Jafari, ameaçou neste sábado (5) os "inimigos" com "ataques fatais" no Golfo, e acrescentou que, em caso de ataque ao Irã, "as táticas de guerra relâmpago dos barcos dos Guardas não darão aos inimigos nenhuma chance de escapar".

Ele afirmou também que vai bloquear o Estreito de Ormuz, estratégico para a navegação no Golfo, caso as instalações nucleares de seu país sejam atacadas por Israel ou pelos EUA, o que os militares norte-americanos na região disseram que não permitirão.

Ormuz, por onde sai 40% do petróleo que cobre a demanda mundial, está na entrada do Golfo Pérsico, entre o Irã e Omã.

Ahmadinejad

Embora tenha negado a possibilidade de uma guerra com a nação israelense, Ahmadinejad criticou o país por fazer, assim como os EUA, "propaganda e guerra psicológica" contra a República Islâmica.

"Nem os EUA, nem Israel, nem centenas de outros ousarão lançar qualquer ataque no Irã. Eles sabem muito bem que eles não são capazes de atacar a República Islâmica", disse Ahmadinejad, citado pela Fars.

"Aqueles que enviarem suas forças à região precisam voltar a seus países e reconhecer os direitos da nação", completou.

O líder iraniano reiterou ainda suas críticas ao governo norte-americano dizendo que o presidente George W. Bush "desenvolve o mal e tem desejos desumanos, incluindo o confronto com o Irã". "Eles sabem que não podem falar com a nação iraniana através de ameaças e linguagem ameaçadora. Eles têm que se submeter ao desejo da nação iraniana", disse.

Ahmadinejad está em Kuala Lumpur para participar da cúpula do D8, grupo de oito países islâmicos em vias de desenvolvimento, integrado por Bangladesh, Egito, Indonésia, Irã, Malásia, Nigéria, Paquistão e Turquia.

Com Efe, France Presse

 

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