Mundo
08/07/2008 - 20h31

Apesar de ameaças russas, EUA seguem plano de escudo antimíssil

colaboração para a Folha Online

Os EUA assinaram um acordo com Praga nesta terça-feira para construir parte de sua estrutura de defesa antimísseis na República Tcheca, gerando uma resposta imediata da Rússia, que afirmou reagir militarmente se o escudo for construído.

Os ministros de Relações Exteriores dos EUA e da República Tcheca determinaram a construção de um radar a sudoeste de Praga como parte de um sistema de proteção contra um suposto ataque aéreo de países do "Eixo do Mal", como o Irã.

A Chancelaria russa disse que a assinatura do acordo "não aumenta a segurança da República Tcheca, nem da Europa em geral".

"Se em frente a nossas fronteiras começar o desdobramento real do sistema estratégico de defesa antimísseis dos Estados Unidos, seremos obrigados a reagir com métodos militares e técnicos, e não diplomáticos", afirmou o Ministério de Relações Exteriores russo em comunicado.

Aproximação

De acordo com a Rússia, "não resta dúvida" de que a aproximação de componentes do arsenal estratégico americano ao território do país "pode ser empregado para enfraquecer o potencial russo de dissuasão".

"Está claro que, nesta situação, a parte russa tomará medidas adequadas para compensar as ameaças potenciais à sua segurança nacional. Mas não somos nós que escolhemos isso", aponta o comunicado divulgado no site do ministério.

A nota especifica que a Rússia será obrigada a tomar medidas de resposta se os acordos entre Washington e Praga forem ratificados, apesar da forte oposição ao escudo antimísseis do Pentágono existente entre a sociedade --conforme constatam as pesquisas-- e o Parlamento tcheco.

Além disso, reafirma a rejeição de Moscou ao sistema antimísseis americano, ao afirmar que "é capaz de dinamitar a estabilidade e a segurança não só em escala européia, mas global".

Pentágono

O Pentágono afirma que o sistema de defesa que Washington quer basear na República Tcheca e na Polônia é designado a combater ameaças do Oriente Médio, e não da Rússia.

"Nós fizemos algumas ofertas para os russos em termos de como nós poderíamos colaborar e como queremos ter o máximo de transparência possível a respeito do sistema de defesa antimísseis", afirmou à agência Reuters o porta-voz do Pentágono Bryan Whitman.

Washington também planeja colocar dez interceptores de foguetes na Polônia, embora os diálogos tenham parado após as exigências polonesas de ajuda para modernizar suas Forças Armadas, que custariam bilhões de dólares aos cofres norte-americanos.

Com Reuters e Efe

 

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