Mundo
09/07/2008 - 07h58

McCain e Obama divergem nas propostas para ganhar voto hispânico

colaboração para a Folha Online

Os prováveis candidatos à Presidência dos Estados Unidos Barack Obama e John McCain intensificam a busca pelo voto hispânico, disputando para ver quem é o mais comprometido com esta crucial minoria e com a reforma migratória.

Os dois fizeram discursos durante a 79ª convenção da Liga de Cidadãos Latino-americanos Unidos (Lulac, em inglês), em um encontro dominado por democratas e que, a julgar pelo ambiente, favoreceu Obama.

Obama e McCain ofereceram visões diferentes, tanto em tom quanto em conteúdo, sobre como reativar a economia e defenderam suas idéias sobre imigração, dois temas dominantes do encontro.

Em seu discurso, Obama afirmou que os Estados Unidos precisam de um governo que "funcione para todos os americanos", e não só para alguns poucos. Ele citou como exemplo que "uma hispânica que não consegue se formar, não é um problema hispânico, é um problema americano".

Também destacou o problema da imigração ilegal, do desemprego --que afeta de forma ainda mais forte os hispânicos--, e a escassez de cobertura médica, entre outros problemas.

"Precisamos de um presidente que não abandonará algo tão importante quanto a reforma (migratória) integral quando for politicamente impopular", acrescentou Obama, que reiterou sua promessa de tornar a questão a "maior prioridade" durante o primeiro ano de mandato, se for eleito em novembro.

Obama foi ovacionado com a frase "sim, é possível", um dos principais lemas de sua campanha, que os cerca de mil presentes gritaram em pelo menos duas ocasiões.

O discurso do senador por Illinois, durante a tarde, atraiu mais pessoas que o de McCain, e foi preciso colocar mais mesas e cadeiras no salão do hotel onde o encontro ocorreu.

Comparecimento

Obama ressaltou a importância do eleitorado e pediu para que compareçam às urnas no dia 4 de novembro. "Preciso de sua ajuda. Esta eleição pode ser decidida pelos eleitores hispânicos".

O democrata se declarou convencido de que pode derrotar McCain se conseguir uma participação hispânica massiva nas eleições, principalmente nos quatro Estados-chave onde o atual presidente, George W. Bush, saiu vencedor em 2004.

"A cada quatro anos, alguns dos resultados mais apertados são registrados na Flórida, no Colorado, em Nevada e no Novo México, todos esses estados com uma forte comunidade latina", lembrou Obama, antes de pedir aos hispânicos que se registrem para a votação de novembro.

"Acho realmente que se registrarmos mais latinos e fizermos com que participem das eleições, não apenas mudaremos o mapa político do país, não apenas ganharei a presidência, mas vocês também terão um governo que realmente representará os americanos", afirmou.

Republicano

McCain, que venceu quatro eleições no Senado graças em parte ao apoio latino, insistiu que a segurança da fronteira com o México, por onde chegam a maioria dos imigrantes ilegais aos EUA, passa por uma possível reforma migratória, o que lhe rendeu vaias em outros auditórios.

Neste fórum, McCain fez uma enérgica defesa de seu programa para resolver os problemas econômicos e sociais mais urgentes do país e indicou como a desconfiança dos americanos na capacidade do governo em resguardar as fronteiras explica, em parte, o fracasso do plano de reforma migratória.

"Devemos provar (aos americanos) que podemos e conseguiremos assegurar nossas fronteiras primeiro, mas, por sua vez, respeitamos a dignidade e os direitos dos cidadãos e residentes legais", disse McCain em seu discurso, que durou aproximadamente meia hora.

"Mas não devemos cometer o erro de achar que a responsabilidade de alcançar esse objetivo acabará" com uma fronteira mais segura, continuou.

McCain já havia abordado o tema na semana passada, durante uma visita ao México. Em encontro com o presidente, Felipe Calderón, McCain disse apoiar a polêmica construção de um muro entre os países, mas disse que defenderá uma reforma compreensiva sobre o assunto.

Em seguida, falou sobre a necessidade de mão-de-obra imigrante na economia americana, principalmente no campo e na construção, e sobre os 12 milhões de clandestinos atualmente radicados nos Estados Unidos.

"Temos responsabilidades econômicas e humanitárias", declarou o senador, que é acusado pelos democratas de ter mudado sua posição sobre o tema para atrair a ala conservadora de seu partido, que bloqueou vários projetos de reforma migratória no Congresso nos dois últimos anos.

De volta a economia, tema que dominou a campanha na semana passada, McCain propôs reduzir de 35% a 25% a taxa tributária para pequenas empresas e disse rejeitar "as falsas virtudes do isolamento econômico". Ele disse que são nestas pequenas companhias que estão a maioria dos empregos nacionais hoje.

Defensor dos acordos de livre-comércio, McCain foi cauteloso ao dizer que entende a situação das pessoas que perderam seus empregos com o fechamento de fábricas e a mudança de indústrias para o exterior. Ele disse apoiar uma reforma "exaustiva" dos programas de desemprego e capacitação desses trabalhadores.

Este foi o segundo de três fóruns hispânicos aos quais os dois foram convidados, em claro sinal da importância dos cerca de 9% de eleitores hispânicos nas eleições deste ano.

Eleitores

Calcula-se que pelo menos nove milhões de hispânicos comparecerão às urnas em novembro, comparado com os 5,6 milhões de 2006. Obama foi, cada vez mais, ganhando o apoio de mais hispânicos, que representam 15% da população, desde que sua adversária democrata, a senadora Hillary Clinton, deixou a disputa.

É uma vantagem que não será fácil de tirar, afirmou o prefeito de Los Angeles, Antonio Villaraigosa, que assegurou que Obama "jamais mudou no tema de imigração".

Segundo uma pesquisa recente do instituto Gallup, Obama conta com uma vantagem de 30 pontos percentuais sobre McCain entre os hispânicos. Em 2004, Bush estabeleceu um recorde ao conseguir mais de 40% do voto latino.

Com Efe e France Presse

Comentários dos leitores
Luiz Castro (112) 14/10/2008 03h14
Luiz Castro (112) 14/10/2008 03h14
Seja muito bem vinda de volta Shirley, estavamos com saudades da sua alegria.
Pois é, com a derrocada de MacCain ficamos sem ter com quem debater aqui nesse espaço de papel, virou açao só entre amigos... rsrsrs.
Ao contrário do que disse NÃO FOI CESAR QUEM FRITOU ROMA!!! Foi Nero... (temos que dar crédito a quem merece néh...) e nem assim apareceu alguém pra me xingar pelo erro... tá difícil viu Shirley... o pessoal tá triste que só... já pensou? terem que se referir ao presidente Husseim por quatro anos... isso é pior que lhes arrancar um dente sem anestesia!!! Acho mesmo que estão todos reunidos fazendo figa para um tropeço de Obama... heheheh
Tarde demais.
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Shirley Machado (40) 13/10/2008 22h56
Shirley Machado (40) 13/10/2008 22h56
Olá, amigos
Estou de volta após dias maravilhosos !! Eu, que conhecia de Santa Catarina apenas Florianópolis, Camboriú e Blumenau, desta vez fui a Laguna, Orleans, Criciuma, Imbituba, Itapirubá e São Joaquim. Cidades encantadoras, limpas, organizadas, de povo hospitaleiro. Fiquei encantada com o riquíssimo patrimônio natural de SC e feliz por encontrar ali pessoas tão conscientes de sua responsabilidade na preservação das matas, rios e espécies animais. Estão de parabéns os catarinenses! Fui também a Gramado e Canela, no Rio Grande do Sul. Foram dias muito especiais. Recomendo.
Ainda bem, Luiz, que essas eleições já estão na reta final. Confesso que já estou ficando esgotada de ler tantos absurdos. Quanto cinismo !! Mentiras deslavadas, distorções propositais dos fatos, campanha de baixo nível por parte dos republicanos, incitando à violência e ao racismo.
Cruzes !! Quando eu penso que esse povo já chegou ao máximo em matéria de baixaria e estupidez, eles surpreendem e tornam tudo ainda pior. Espero que Obama continue a manter a conduta equilibrada demonstrada até aqui. Esses republicanos, definitivamente, são loucos de dar nó.
É lamentável que sua postura desequilibrada e violenta tenha tantos simpatizantes. Eles merecem uma derrota monumental. Quem sabe assim conseguem parar para refletir sobre tanta insensatez.
Avante Obama !
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Luiz Castro (112) 13/10/2008 17h16
Luiz Castro (112) 13/10/2008 17h16
Agradeço a Leon Diniz mais uma vêz pela citação.
A campanha chega em sua reta final. Com a realização do último debate os candidatos vislumbram seu destino. A campanha republicana se perdeu no meio da tempestade financeira, infelizmente a américa só acordou para o desastre representado por Bush quando o ataque foi aos seus próprios bolsos. Enquanto destruiam países ninguém reclamou, mas bastou para que o deles fosse implodido para que as coisas pudessem tomar outro rumo. Agindo como Cesar, que fritou roma por capricho, Bush assou a américa em fogo brando, aquecendo a todos com sua conversa mole e mentindo deslavadamente. Há quem goste é certo... Com um tipo de comportamento por semana MacCain/Palin só demonstram que querem o poder, sem nada oferecerem de concreto. Como um principiante o candidato só conseguiu aumentar a distância que o separa de Obama nas pesquisas. Como definiu claramente o âncora do SNL, Steve Colbert, MacCain acusou Obama de não saber a diferença entre tática e estratégia, ao que Colbert emendou: "...para MacCain, tática foi a utilizada por Bush/Rove nas primárias de 2000 para destruir sua imagem, e estratégia é a mesma tática usada anteriormente por Rove e a turma que agora auxilia MacCain, para que este destrua Barack Obama em 2008." Perfeito! Os republicanos já mostram sinais de desistência e falam abertamente que está tudo perdido, cabe agora saber se Obama terá maioria absoluta no congresso, se conseguir poderá fazer muito pela américa e pelo mundo.
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