Para Rice, testes no Irã justificam construção de escudo antimíssil
colaboração para a Folha Online
A secretária de Estado dos EUA, Condoleezza Rice, afirmou nesta quarta-feira que os testes com mísseis iranianos são mais uma evidencia de que o "mundo precisa de um sistema de defesa com um escudo antimísseis".
Ontem, os EUA fecharam um acordo com a República Tcheca para a instalação de radares do escudo no país, o que gerou uma reação imediata da Rússia, que ameaçou reagir militarmente se o sistema de defesa for construído.
A Casa Branca pressiona o Irã a suspender desenvolvimento de mísseis balísticos após Teerã ter anunciado a realização "com sucesso" de testes com nove mísseis de médio e longo alcance, incluindo um que poderia alcançar Israel e as bases norte-americanas na região.
| Arte Folha Online/Arte Folha Online |
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O departamento de defesa norte-americano ainda está estudando os testes para descobrir exatamente o que foi usado e quais são as capacidades bélicas de Teerã.
"Ainda não é clara a importância dos testes iranianos, e ela só será descoberta quando os lançamentos forem profundamente analisados", disseram oficiais do departamento de Defesa à agência Associated Press em condição de anonimato.
As fontes acrescentaram que os primeiros estudos mostram que foram realizados sete lançamentos de mísseis e o teste ocorreu durante o exercício "Nobre Profeta" do Irã --prática realizada duas vezes em 2006, cada uma delas com lançamentos múltiplos de mísseis.
No Congresso, o subsecretário de Estado William Burns afirmou que o Irã está tentando aumentar a percepção mundial de que seu programa nuclear está avançando.
"Mas o progresso real do Irã tem sido modesto", acrescentou Burns em um documento preparado para a comissão de Assuntos Exteriores do Congresso. "O Irã ainda não alcançou o enriquecimento perfeito (de urânio) e as sanções da ONU prejudicaram sua habilidade de obter tecnologia para programas de mísseis, acrescentou.
Burns disse para a Comissão que a secretaria de Estado está buscando um objetivo de longo prazo ao tentar persuadir o Irã a mudar o curso dos acontecimentos, usando sanções econômicas para "esclarecer o preço de desafiar" a comunidade internacional.
Testes
Fontes militares, citadas pela imprensa oficial iraniana, afirmaram que o novo míssil, Shihab-3, pesa uma tonelada, possui tecnologia avançada e tem 2.000 km de alcance. Os testes foram feitos durante as manobras que unidades navais e aéreas do corpo da Guarda Revolucionária realiza no golfo Pérsico.
A Guarda Revolucionária do Irã realiza também manobras no golfo para "aperfeiçoar as capacidades de combate das unidades balísticas e navais", afirmou a imprensa local.
| Fars News/Reuters |
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| Míssil com alcance de 2.000 km poderia atingir Israel e bases dos EUA no país |
"O objetivo desses exercícios é demonstrar que estamos dispostos a defender a integridade da nação iraniana", afirmou nesta quarta-feira Hosein Salami, comandante das Forças Aéreas da Guarda Revolucionária citado pela Al Alam.
O teste, que envolveu disparos de outros mísseis, em um momento de elevada tensão entre Irã e Israel sobre o programa nuclear iraniano, que o Ocidente suspeita ter como objetivo a construção de bombas. O Irã diz que seu programa nuclear é para geração de energia.
As notícias dos testes realizados acontecem também pouco depois de o G8 ter expressado "séria preocupação" sobre o não cumprimento, por parte do Irã, das resoluções do Conselho de Segurança da ONU --que pediu a Teerã para suspender todas as atividades relacionada ao enriquecimento.
Ontem, a administração do presidente George W. Bush impôs novas sanções a autoridades iranianas e companhias acusadas de ajudar o país a desenvolver armas nucleares. A iniciativa, do Departamento de Estado e do Tesouro, é o mais recente esforço para pressionar o Irã através da economia a interromper seu programa nuclear. Os EUA acusam Teerã de ser o maior financiador do terrorismo no mundo e de tentar produzir armas nucleares.
Escudo
Os ministros de Relações Exteriores dos EUA e da República Tcheca determinaram na terça-feira (8) a construção de um radar a sudoeste de Praga como parte de um sistema de proteção contra um suposto ataque aéreo de países do "Eixo do Mal", como o Irã.
A Chancelaria russa disse que a assinatura do acordo "não aumenta a segurança da República Tcheca, nem da Europa em geral".
"Se em frente a nossas fronteiras começar o desdobramento real do sistema estratégico de defesa antimísseis dos Estados Unidos, seremos obrigados a reagir com métodos militares e técnicos, e não diplomáticos", afirmou o Ministério de Relações Exteriores russo em comunicado.
"Está claro que, nesta situação, a parte russa tomará medidas adequadas para compensar as ameaças potenciais à sua segurança nacional. Mas não somos nós que escolhemos isso", aponta o comunicado divulgado no site do ministério.
O Pentágono afirma que o sistema de defesa que Washington quer basear na República Tcheca e na Polônia é designado a combater ameaças do Oriente Médio, e não da Rússia.
Com Reuters e Associated Press, Efe e France Presse
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