Mundo
10/07/2008 - 10h10

Análise: Internet cria riscos para a campanha de Obama

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DANIEL TROTTA
da Reuters, em Nova York

Analistas políticos surpreendem-se com o bom uso da internet por Barack Obama. O democrata encontrou muitos dos 1,5 milhão de doadores e criou o site my.barackobama.com para mobilizar massas de jovens eleitores.

Mas eles alertam que o meio novo e ainda em desenvolvimento oferece grandes riscos para o provável candidato presidencial democrata, que, abrindo sua campanha para tantas pessoas, fica vulnerável a perder o controle de sua mensagem.

A internet também proporciona um fórum para campanhas de boatos como a que promove a falsa asserção de que ele é um muçulmano. Grupos de supremacia brancos, também, intensificaram sua retórica online coincidindo com a história de um homem que, se eleito em novembro, pode ser o primeiro presidente negro dos Estados Unidos.

Obama, senador por Illinois, vai encarar o republicano John McCain nas eleições gerais. "Um fundamento básico de qualquer campanha é controlar a mensagem. E quando você abre-se tanto assim via internet, você não pode controlar sua mensagem porque a internet pode ter uma vida própria", disse Ravi Singh, diretor-executivo da ElectionMall Technologies, uma consultora de tecnologia para campanha política.

Até alguns dos apoiadores liberais de Obama usaram o my.barackobama.com para criticar seu movimento em direção ao centrismo, particularmente por sua mudança na legislação que muda as atuais leis de espionagem dos EUA.

Enquanto Obama parece ter conseguido gerenciar o perigo até agora, a eleição de 4 de novembro ainda está quatro meses de distância.

"Eles precisam gastar quase tanto tempo no gerenciamento de danos quando eles fazem tão brilhantemente em espalhar sua mensagem", disse Lisa Linden, diretora da firma de relações públicas de Nova York, Linden Alschuler & Kaplan.

A campanha de Obama estabeleceu um site separado chamado fightthesmears.com, dedicado a rebater o que chama de uma série de mentiras espalhadas pelo outro provável candidato.

O drama acontecendo online marca quão rápido a Internet tornou-se parte da política. Pouco vista em 2000, foi descoberta como uma ferramenta valiosa em 2004.

Maravilha do marketing

"No próximo ciclo de campanha, a internet vai dominar o que a televisão está fazendo na política americana desde 1960", disse Michael Cheney, do Instituto de Assuntos de Governo e Assuntos Públicos.

Cheney elogiou a forma como Obama misturou a nova mídia com a organização tradicional da comunidade para fazer eleitores sentirem-se como parte da campanha. "Nós sabemos de vários estudos que quanto mais as pessoas estão envolvidas no processo político, mais elas se apegam a ele e mais elas comparecem no dia da eleição", disse.

Obama também foi elogiado por Linden, que chama o senador de "mágico do marketing de 200 milhões" cujas táticas podem ser emprestadas por políticos e marqueteiros no futuro.

"O problema é gerenciar isso", disse Singh, da ElectionMall. "Depois que você construiu um quartel online com uma massiva base de eleitores, você terá muito trabalho em gerencia-la", disse.

Além disso, os oponentes de Obama estão armados com a mesma ferramenta. Os grupos de supremacia branca usaram a candidatura de Obama para alertar os radicais pela internet sobre o que eles vêem como os perigos representados pelo provável candidato democrata.

"Seções substanciais do movimento de supremacia branca pensa que será o tapa na cara que acordará milhões de americanos brancos para ver o horror de uma Presidência negra", disse Mark Potok, investigador do Southern Poverty Law Center, um grupo de direitos civis que monitora estes grupos.

Potok documentou a retórica dos blogs de supremacia branca que estão comemorando a candidatura de Obama sob a teoria de que "quanto pior, melhor". "Eles pensam que será bom para a guerra racial, para a revolução ariana", diz Potok, acrescentando que "é uma óbvia fantasia da parte deles".

Comentários dos leitores
Luciano Edler Suzart (34) 09/10/2009 10h20
Luciano Edler Suzart (34) 09/10/2009 10h20
A situação é periclitante, se antigamente se concedia o Nobel da Paz a quem de algum modo, plantava a paz no mundo, hoje (dada a escassez de boa fé geral) se concede o prémio a quem não faz a guerra... Como diria o sábio Maluf: "Antes de entrar queria fazer o bem, depois que entei, o máximo que conseguí foi evitar o mal"
Só assim pra se justificar esse Nobel a Obama, ou podemos ver como um estímulo preventivo a que não use da força bélica que lhe está disponível contra novos "Afeganistões" do mundo.
sem opinião
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honório Tonial (2) 16/05/2009 21h47
honório Tonial (2) 16/05/2009 21h47
Considero ecelente vosso noticiario. Obrigado, aos 83 anos de mnha vida, 5 opiniões
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Marcello Sokal (73) 07/02/2009 12h01
Marcello Sokal (73) 07/02/2009 12h01
Óbvio que não poderiam aceitar,pois não teriam respostas claras para as legítimas questões do presidente iraniano,esse sim um verdadeiro estadista que sabe da verdade dos fatos e não tem receio de buscar responsabilizar os culpados. A política imperialista norte-americana é velha conhecida mas pessoas convenientemente "esquecem" disso - não respeitam a soberania das nações e se arvoram em ser os "defensores da liberdade" - é o país que mais se envolveu em guerras,revoluções,invasões e intervenções da história da humanidade.A única nação que já bombardeou outro país (na verdade cidades,repletas de civis inocentes) utilizando armas nucleares. O apoio norte-americano a Israel é uma vergonha, apoiando todo tipo de atrocidade possível,dando carta branca e fornecendo armas de alta tecnologia.
Em resumo: o grande vilão nisso tudo não é o Irã....mas tem tolo que prefere não ver influenciado pelo mentiroso american-way-of-life,lamentável.
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