Mundo
11/07/2008 - 13h04

Presidente sudanês pode ser acusado de genocídio em Darfur

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colaboração para a Folha Online

O procurador-geral da Corte Penal Internacional (CPI), Luis Moreno Ocampo, apresentará novas provas sobre crimes de guerra em Darfur e deve acusar altos oficiais do governo do Sudão de genocídio, entre eles o presidente Omar el Bechir, segundo o jornal britânico "Guardian".

O embaixador sudanês na ONU (Organização das Nações Unidas), Mahmoud Mohamad, confirmou a informação para a CNN.

Phillip Dhil-14.mai.2006/Efe
Presidente Omar al Bashir (centro)pode ser acusado de genocídio
Presidente Omar al Bashir (centro)pode ser acusado de genocídio

A CPI divulgou que o procurador irá apresentar provas do crimes cometidos nestes últimos cinco anos contra os civis de Darfur e irá apontar os responsáveis por eles.

Os juízes da corte poderão, se considerarem as provas suficientes, emitir intimações e ordens de prisão contra as pessoas acusadas pelo procurador.

Ocampo pede desde abril de 2007 a prisão de Ahmed Harun, ministro sudanês das Relações Humanitárias, e de Ali Kosheib, chefe da milícia pró-governamental janjawid (milícias árabes que lutam contra os movimentos rebeldes em Darfur).

O conflito causou ao menos 200 mil mortes e provocou a fuga de 2,5 milhões de pessoas desde seu início, em 2003. Cartum afirma que o número de mortos é muito menor, de dez mil.

Paz

O governo do Sudão afirmou que qualquer movimento pode prejudicar o processo de paz em Darfur. Autoridades de grupos humanitários no local temem represálias.

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, não disse quais conseqüências as acusações podem causar para a missão de paz conjunta da ONU e da União Africana (UA) em Darfur, que perdeu sete soldados mortos em um ataque realizado por uma facção armada não identificada na quinta-feira (10).

"Paz sem justiça não pode ser sustentável", afirmou Ki-moon em uma coletiva na ONU.

A investigação no Sudão também envolve a China, um aliado próximo ao país, a semanas do início da Olimpíada de Pequim. Apesar de apoiar um diálogo do Sudão com a ONU, os chineses são acusados de fornecer as armas utilizadas no país.

Procurador

Ocampo afirmou ao conselho de Segurança da ONU em junho que o Sudão não estava cooperando com a CPI e não estava tomando providências contra os problemas.

O gabinete do procurador realizará uma coletiva na manhã da próxima segunda-feira para apresentar as evidências, os crimes e os nomes dos acusados.

O representante do Sudão na ONU chamou o procurador de "irresponsável" em entrevista para a agência Reuters.

"Nós não estamos com medo das ameaças de Ocampo", afirmou. "Se ele acusar nosso presidente, terá a obrigação de acusar 40 milhões de cidadãos do Sudão, porque 40 milhões de cidadãos rejeitam fortemente essa chantagem.

Criada em 2002, em Haia, como o primeiro tribunal internacional permanente para guerras, a CPI também investiga supostos crimes em Uganda, República Democrática do Congo e República Centro Africana, mas possui apenas quatro pessoas sob custódia, todas elas do Congo.

Com Reuters e France Presse

 

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