Betancourt diz que dar detalhes sobre seu seqüestro a embruteceria
da Efe, de Londres
A franco-colombiana Ingrid Betancourt acha que dar detalhes em público sobre seu seqüestro a embruteceria, segundo uma entrevista publicada neste domingo pelo jornal britânico "The Sunday Times".
Na entrevista, a ex-refém das Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) conta a odisséia que viveu durante mais de seis anos na floresta colombiana.
Em suas declarações ao jornal britânico, Betancourt --lúcida e serena-- se recusa a entrar em detalhes sobre o que aconteceu durante o seqüestro, pois acha que fazer isso em público a embruteceria.
A franco-colombiana disse que só denunciará os fatos "se servir para ensinar algo às pessoas", mas dá um pequeno exemplo para ilustrar o poder dos carcereiros.
"Estava amarrada a uma árvore, após minha quinta tentativa de escapar e, depois de um momento, pedi ao guarda que me deixasse ir ao banheiro. Ele me disse: se quizer fazer, faça aqui, na minha frente".
"Pensei que antes morreria do que fazer isso. É algo pequeno comparado com o que sofri, mas, entenda, eles decidiam tudo", disse a ex-candidata à Presidência da Colômbia, que foi libertada pelo exército colombiano junto com mais 14 reféns em 2 de julho.
Betancourt, que atualmente está em Paris com a família, lembra sua alegria quando estava a bordo do helicóptero que a levaria para casa, mas, ao mesmo tempo, não conseguiu evitar sentimentos fatalistas, como que "cairia".
Também contou que memorizou o código disciplinar da guerrilha e freqüentemente apresentava reivindicações ao comandante conhecido como "Gafas" (Óculos), um homem com "uma criativa capacidade para o horror".
Cativeiro
Durante os três primeiros anos de cativeiro, os carcereiros a obrigaram a usar uma pesada corrente com cadeado no pescoço, além de amarrarem-na a árvores repetidamente.
A ex-refém expressou sua simpatia pelas mulheres guerrilheiras, às quais considera vítimas exploradas e que lhe mostraram solidariedade em vários momentos, como ao dar-lhe escondido um grampo para o cabelo.
Betancourt contou como soube por acaso da morte do pai, ao encontrar um jornal que tinha servido para embrulhar couve, e revelou que teve sentimentos quase suicidas.
Em contraste, ouvir pelo rádio todos os dias às cinco da manhã mensagens da mãe e dos dois filhos, Mélanie e Lorenzo, lhe dava uma grande força, afirmou.
Doença
Em agosto do ano passado, a saúde de Betancourt piorou muito, e ela pensou que não sobreviveria, contou na entrevista.
A ex-refém tinha malária e uma infecção intestinal com muitas complicações, além de ter sido infectada com hepatite B.
Após os seqüestradores negarem ajuda, ao se recusarem a dar-lhe remédios, Betancourt aceitou que morreria, por isso repassou sua vida, "pedindo perdão e perdoando", e avaliou a morte como a melhor opção, já que entraria em "um mundo muito melhor do que este".
Graças à ajuda de outro refém, o cabo do exército colombiano William Pérez, que lhe deu remédios e comida, ela se recuperou.
Betancourt lembrou a alegria de se reencontrar com a mãe e os filhos, aos quais disse que seria como um chiclete, "colada a eles" o dia todo.
Sobre o futuro, a franco-colombiana afirma que não quer fazer nada para ferir a família, que disse ser contra que ela volte à Colômbia, onde temem que possa ser assassinada.
"Dizem que têm o direito de decidir, porque sofreram muito e não querem estar finalmente tocando a felicidade para que, de repente, eu seja assassinada. Têm medo", contou.
"Tenho que ser cuidadosa com eles, porque lutaram muito. Não acho que retornarei logo", afirmou.
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Especial


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Nem precisava tanta grana.
Quem pode entregar os "cabeças" das Farc, é só gente interna mesmo.
Por dinheiro, que a verdadeira ideologia deles, esses "guerilheiros", fazem qualquer coisa.
Como já mostraram antes que são capazes, cortando até as maos de um líder da guerilha, para comprovar sua eliminação.
Uma fração do oferecido, teria sido mais do que sufiente...
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