Mundo
15/07/2008 - 08h35

A poucos dias da viagem ao Iraque, Obama discursa sobre conflito

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colaboração para a Folha Online

O provável candidato democrata à Casa Branca Barack Obama está se preparando para sua viagem ao Iraque com um grande discurso sobre sua posição contrária ao conflito no país e seu pedido para uma completa retirada das tropas de combate em 16 meses.

Em um discurso programado para a manhã desta terça-feira, Obama combate a polêmica gerada em torno de seu comentário de que poderia "refinar" sua postura em relação ao país, depois de conversar com os comandantes americanos no Iraque.

Ele retoma a postura consensual entre os democratas de que a guerra foi mal conduzida pelo presidente George W. Bush e que os erros cometidos no conflito prejudicaram os esforços para fortalecer a segurança dos EUA.

"Ele focará nos interesses de estratégia global dos Estados Unidos, o que incluiu encerrar nosso esforço mal conduzido no Iraque", disse o porta-voz de Obama, Bill Burton.

Segundo seus assessores, ele também discutirá sua proposta de enviar mais duas tropas de combate ao Afeganistão, assim como pedir ao Paquistão que amplie seus esforços próprios no combate aos terroristas.

O discurso também discutirá a proposta de Obama de usar a diplomacia para resolver o problema do programa nuclear do Irã --um programa que os EUA dizem ser para armas nucleares e o governo iraniano diz ser apenas para fornecimento de energia.

No mesmo dia, Obama participará de uma série de entrevistas de televisão para reforças seus comentários e combater as críticas republicanas de que ele é inexperiente para lidar com a questão.

O dia dedicado ao Iraque vem um dia depois de um artigo escrito por Obama no jornal "The New York Times" sobre o tema, no qual pediu mais 7.000 soldados no Afeganistão, onde a rede terrorista al Qaeda está se fortalecendo.

"Acabar com a guerra [no Iraque] é essencial para atingir nossos objetivos estratégicos mais amplos, a começar por Afeganistão e Paquistão, onde o Taliban está ressurgente e a Al Qaeda tem um porto seguro", escreveu.

"O Iraque não é a frente central da guerra contra o terrorismo, e nunca foi. Eu não manteria nossos militares, nossos recursos e nossa política externa reféns de um desejo equivocado de manter bases permanentes no Iraque", completou.

O democrata elogiou ainda o governo iraquiano por sugerir a adoção de um cronograma de desocupação e criticou o rival republicano, John McCain por rejeitar a idéia.

"[A de McCain] não é uma estratégia para o sucesso --é uma estratégia para permanecer que vai contra o desejo do povo iraquiano, do povo norte-americano e os interesses de segurança dos Estados Unidos. Por isso, no meu primeiro dia no cargo, eu daria uma nova missão aos militares: acabar com esta guerra."

Crítica

A campanha republicana criticou a escolha de Obama de fazer seu discurso antes de viajar ao Iraque, alegando que sugere que o democrata "nunca vai mudar a sua proposta sobre o Iraque, não importa o que acontece lá".

"Se ele não tem intenção de ouvir o que os comandantes americanos no Iraque tem a dizer, ou incorporar esta informação a sua política, por que ele está indo?", questionou Michael Goldfarb, porta-voz de McCain.

McCain, que sempre defendeu a guerra do Iraque, disse que no Arizona que "o senador Obama errou quando disse que [a guerra do Iraque] não daria certo, errou quando disse que havíamos perdido a guerra, e está errado hoje quando diz que o Iraque não é o campo de batalha central. O importante é que o senador Obama se recusa a admitir que errou".

Embora não declare oficialmente, muitos dizem que a viagem de Obama ao país foi motivada principalmente pela crítica de McCain de que o democrata fala de um conflito em um país que não visita há dois anos.

O Iraque é um dos temas mais divergentes na campanha presidencial deste ano. McCain critica a proposta de rápida retirada de Obama.

Obama visitou o Iraque apenas uma vez, em 2006, como senador por Illinois e nunca foi ao Afeganistão. Ele planeja visitar ambos os países em uma viagem internacional, na próxima semana, que incluiu ainda Israel, França, Alemanha, Inglaterra e Jordânia.

Por razões de segurança, a data da visita de Obama ao Iraque e ao Afeganistão não foi divulgada. Ele irá acompanhado pelos senadores Jack Reed (democrata) e Chuck Hagel (republicano), ambos com histórico político e militar exemplar e uma postura contrária ao conflito desde o início.

McCain também planeja falar sobre a questão do Afeganistão --onde os EUA investiram grandes esforços militares logo após os atentados de 11 de setembro. A violência contra as forças americanas é crescente e o número de soldados mortos já supera a situação do Iraque nos meses de maio e junho. Neste domingo (13), nove soldados americanos foram mortos no ataque mais violento contra os americanos no país nos últimos três anos.

Com Associated Press e Reuters

Comentários dos leitores
Luciano Edler Suzart (34) 09/10/2009 10h20
Luciano Edler Suzart (34) 09/10/2009 10h20
A situação é periclitante, se antigamente se concedia o Nobel da Paz a quem de algum modo, plantava a paz no mundo, hoje (dada a escassez de boa fé geral) se concede o prémio a quem não faz a guerra... Como diria o sábio Maluf: "Antes de entrar queria fazer o bem, depois que entei, o máximo que conseguí foi evitar o mal"
Só assim pra se justificar esse Nobel a Obama, ou podemos ver como um estímulo preventivo a que não use da força bélica que lhe está disponível contra novos "Afeganistões" do mundo.
sem opinião
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honório Tonial (2) 16/05/2009 21h47
honório Tonial (2) 16/05/2009 21h47
Considero ecelente vosso noticiario. Obrigado, aos 83 anos de mnha vida, 5 opiniões
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Marcello Sokal (73) 07/02/2009 12h01
Marcello Sokal (73) 07/02/2009 12h01
Óbvio que não poderiam aceitar,pois não teriam respostas claras para as legítimas questões do presidente iraniano,esse sim um verdadeiro estadista que sabe da verdade dos fatos e não tem receio de buscar responsabilizar os culpados. A política imperialista norte-americana é velha conhecida mas pessoas convenientemente "esquecem" disso - não respeitam a soberania das nações e se arvoram em ser os "defensores da liberdade" - é o país que mais se envolveu em guerras,revoluções,invasões e intervenções da história da humanidade.A única nação que já bombardeou outro país (na verdade cidades,repletas de civis inocentes) utilizando armas nucleares. O apoio norte-americano a Israel é uma vergonha, apoiando todo tipo de atrocidade possível,dando carta branca e fornecendo armas de alta tecnologia.
Em resumo: o grande vilão nisso tudo não é o Irã....mas tem tolo que prefere não ver influenciado pelo mentiroso american-way-of-life,lamentável.
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