Mundo
15/07/2008 - 10h45

Eleitores dividem-se entre propostas de Obama e McCain para Iraque

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colaboração para a Folha Online

Pesquisa conjunta "Washington Post"/ABC News mostra que 50% dos eleitores americanos dizem apoiar a retirada rápida das tropas americanas --defendida pelo democrata Barack Obama -- e outros 49% dizem acreditar que a situação no país deve definir a data da volta dos soldados --proposta do republicano John McCain.

Segundo a sondagem, os eleitores estão divididos igualmente entre o provável candidato democrata e seu rival republicano também quanto a quem lidaria melhor com a guerra. McCain lidera por uma margem estatisticamente insignificante, 47% da opinião dos eleitores contra 45% para Obama.

Já quando questionados sobre quem seria um bom comandante para o país, a experiência de McCain dá a ele um cenário mais positivo. Segundo a pesquisa, 72% dos eleitores dizem que o republicano e veterano da Guerra do Vietnã seria um bom comandante-em-chefe para o país.

Apenas 48% dos eleitores têm a mesma opinião sobre Obama, senador em seu primeiro mandato, e outros 48% dizem que ele não seria um bom comandante para as forças militares do país. Este cenário sugere que a campanha republicana exaltando a experiência política e histórico militar de McCain conseguiu anular os meses de duros ataques democratas sobre a guerra.

AP
O democrata Barack Obama e o republicano John McCain aparecem empatados na corrida pela Presidência dos Estados Unidos
Os eleitores se dividem no apoio às propostas para o Iraque do democrata Barack Obama e do republicano John McCain

"O número mais importante no dia da eleição é se uma maioria do eleitorado está confortável com Obama como comandante-em-chefe", disse ao "Post", Geoffrey Garin, pesquisador democrata.

Ele diz que os 48% de Obama é um bom começo na campanha presidencial. "Eu acho que é uma dimensão na qual ele vai ser testado e na qual republicanos tentaram duramente levantar grandes dúvidas sobre Obama", diz.

Em um sinal de reconhecimento da dura batalha neste tema, Obama dedicará esta terça-feira ao Iraque. Ele dará um discurso nesta manhã sobre sua posição quanto ao conflito, no qual, segundo assessores, reforçará a necessidade de acabar com a guerra e trazer as tropas de volta aos EUA em no máximo 16 meses. Depois do discurso, ele participará de várias entrevistas em redes de televisão. Os eventos são uma preparação para a viagem do senador --a primeira como candidato-- ao Iraque, na próxima semana.

Para David Axelrod, estrategista de Obama, o resultado da pesquisa não traz nenhuma grande novidade. "As pessoas acreditam que a guerra foi um erro. Elas acreditam que nós devemos sair e elas querem que isso seja feito de uma forma deliberada e refletida", disse.

Sucesso

Um dos temas mais divergentes entre as campanhas democrata e republicana é justamente o sucesso ou fracasso do conflito.

Obama --e a ala democrata-- defende que a guerra foi um fracasso e que seus custos elevados foram um dos fatores da desaceleração econômica vivida pelos EUA. Já McCain --apoiado pelos republicanos-- defende que a guerra foi bem sucedida ao combater a violência e o terrorismo e critica Obama por não assumir "que está errado".

E os eleitores, pelo que aponta a pesquisa, concordam com McCain, 46% dos entrevistados dizem que os EUA estão fazendo um progresso significativo em restaurar a ordem civil no Iraque, um aumento de seis pontos percentuais desde abril.

Contudo, uma porcentagem maior, de 63%, aponta que o recente declínio nos ataques contra as forças americanas e da violência em geral no Iraque não compensa os custos do conflito --que custou, segundo estimativas, mais de US$ 1 trilhão e deixou mais de 4.000 soldados americanos mortos. Este número, segundo o "Post", mudou pouco nos últimos dois anos.

Terrorismo

A opinião pública é muito mais favorável quando se avalia a atuação americana no Afeganistão. Uma maioria estreita (51%) diz que o conflito no país valeu a pena, a mesma porcentagem que aponta que os EUA precisam ganhar a batalha no Afeganistão para vencer a luta contra o terrorismo --um contraste com os 34% que afirmaram a mesma coisa sobre o Iraque.

Contudo, apenas 44% dos eleitores dizem que a ação militar contra as forças do Taleban e da rede terrorista al Qaeda --responsáveis pelos ataques de 11 de setembro contra os EUA-- foi bem sucedida. Em outubro de 2002, quando a ação americana no país completava um ano, 70% dos americanos reconheciam o sucesso da operação.

De maneira geral, os eleitores ratificam os pedidos dos próprios comandantes americanos de que novas tropas de combate sejam enviadas ao Afeganistão, uma proposta que Obama apresenta no discurso desta terça-feira.

A pesquisa foi realizada entre 10 e 13 de julho com 1.119 eleitores. A margem de erro é de três pontos percentuais para mais ou para menos.

Comentários dos leitores
Luciano Edler Suzart (34) 09/10/2009 10h20
Luciano Edler Suzart (34) 09/10/2009 10h20
A situação é periclitante, se antigamente se concedia o Nobel da Paz a quem de algum modo, plantava a paz no mundo, hoje (dada a escassez de boa fé geral) se concede o prémio a quem não faz a guerra... Como diria o sábio Maluf: "Antes de entrar queria fazer o bem, depois que entei, o máximo que conseguí foi evitar o mal"
Só assim pra se justificar esse Nobel a Obama, ou podemos ver como um estímulo preventivo a que não use da força bélica que lhe está disponível contra novos "Afeganistões" do mundo.
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honório Tonial (2) 16/05/2009 21h47
honório Tonial (2) 16/05/2009 21h47
Considero ecelente vosso noticiario. Obrigado, aos 83 anos de mnha vida, 5 opiniões
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Marcello Sokal (73) 07/02/2009 12h01
Marcello Sokal (73) 07/02/2009 12h01
Óbvio que não poderiam aceitar,pois não teriam respostas claras para as legítimas questões do presidente iraniano,esse sim um verdadeiro estadista que sabe da verdade dos fatos e não tem receio de buscar responsabilizar os culpados. A política imperialista norte-americana é velha conhecida mas pessoas convenientemente "esquecem" disso - não respeitam a soberania das nações e se arvoram em ser os "defensores da liberdade" - é o país que mais se envolveu em guerras,revoluções,invasões e intervenções da história da humanidade.A única nação que já bombardeou outro país (na verdade cidades,repletas de civis inocentes) utilizando armas nucleares. O apoio norte-americano a Israel é uma vergonha, apoiando todo tipo de atrocidade possível,dando carta branca e fornecendo armas de alta tecnologia.
Em resumo: o grande vilão nisso tudo não é o Irã....mas tem tolo que prefere não ver influenciado pelo mentiroso american-way-of-life,lamentável.
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