Enviado da ONU volta a Mianmar para mediar embate entre regime e oposição
da Efe, em Washington
O enviado especial da ONU (Organização das Nações Unidas) para Mianmar, Ibrahim Gambari, voltará a visitar o país em meados de agosto para continuar a mediação entre o regime militar e a oposição, afirmou nesta terça-feira a organização.
"Sua intenção é visitar Mianmar em meados de agosto, mas ainda não se definiu quando exatamente, nem que agenda terá ou qual será o objetivo da viagem", disse a porta-voz da ONU, Marie Okabe.
Ela afirmou que o enviado especial tem interesse em prosseguir o diálogo com a Junta Militar que governa o país e a oposição democrática liderada pela vencedora do prêmio Nobel da Paz Aung San Suu Kyi.
O embaixador birmanês perante a ONU, Kyaw Tint Swe, transmitiu o convite do governo a Gambari em carta datada de 11 de julho.
"As autoridades de Mianmar decidiram convidar sua Excelência a viajar em meados de agosto para que prossiga com a gestão de bons ofícios que a Assembléia Geral (da ONU) encomendou ao secretário-geral", aponta a carta.
Nargis
A viagem em agosto será a primeira realizada por Gambari ao país desde que, em maio, o ciclone "Nargis" arrasou o sul da nação, matando 84.500 pessoas e causando o desaparecimento de outras 53 mil.
A lenta resposta das autoridades à catástrofe e os obstáculos à chegada de ajuda internacional provocaram novas tensões entre a Junta e grande parte da comunidade internacional, após a critica que os militares birmaneses receberam pela violenta repressão dos protestos do ano passado.
Um dos prováveis assuntos que Gambari debaterá com as partes será a aprovação, em referendo realizado após a passagem do ciclone, no mês de maio, de uma nova Constituição elaborada pela Junta Militar que garante a continuidade dos generais no poder.
O documento constitucional recebeu 92,4% dos votos válidos emitidos nos plebiscitos realizados em 10 e 24 de maio.
Também espera-se que o enviado especial da ONU volte a se reunir com Aung San Suu Kyi, após o regime ter ampliado a outros cinco anos a prisão domiciliar na qual vive por quase 13 dos últimos 20 anos.
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